Cotidiano / Economia

Com pão 19% mais caro, inflação começa a doer no bolso já no café da manhã

Alta do dólar e da energia elétrica estão entre os fatores

Midiamax Publicado em 23/01/2016, às 11h36

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Alta do dólar e da energia elétrica estão entre os fatores

Influenciado pela alta do dólar, energia elétrica e dificuldades climáticas, o café da manhã do campo-grandense está mais caro neste ano. Em 2015, o quilo do pão francês saiu de R$ 8,00 a uma média de R$ 9,5 em Campo Grande, uma alavancada de 19% em relação ao início do ano. Outros produtos como café em pó, açúcar e leite também ficaram mais caros.

Os produtos do café da manhã aumentaram 5,3% na Capital e os fatores são vários: aumento da energia elétrica, dificuldades no clima e câmbio. De acordo com os números do IPC (Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) do Nepes (Núcleo de Pesquisas Econômicas) da Uniderp, o açúcar aumentou 9%, e o café em pó, no geral, subiu 16,3% de janeiro para dezembro.

“O comerciante depende da energia para manter os produtos. Para fazer o pãozinho é preciso o trigo, que é importado principalmente da Argentina”, explica o coordenador do Nepes, Celso Correia de Souza.

“Não tem como não sentir diferença nos preços. Todos os lugares tiveram aumentos. Para um lanchinho gastávamos R$ 7,00, agora de R$ 10,00 para cima. O jeito é diminuir os gastos ou não comer fora”, disse a dona de casa Maria Correia.

Para a comerciante Janete Oshiro, o pão francês é o café da manhã do brasileiro e sempre tem que dar um “jeitinho” para comprar. “Não tem como não levar um pãozinho para casa. Um lanche diferente, um bolo, um salgado, isso tivemos que diminuir, mas o pão não dá, esse é sagrado”, explica.

A médica Fabiana Rodrigues também teve que mudar o hábito nos últimos meses. “Lá em casa deixamos de comprar alguns produtos e diminuímos outros, gastamos apenas com o essencial para o café da manhã: pão, leite, café”, explica.

Os comerciantes da Capital estão gastando mais neste início de ano, valores que foram repassados clientes. “Só a energia elétrica, usada para manutenção dos produtos nas padarias subiu mais de 50% em 2015, foi um aumento brutal, que não teve como eles não repassarem”, disse Celso.

“Fomos obrigados a alterar os preços. Não deu para manter tudo. A matéria-prima. No geral, está muito cara. Impossível não repassar”, explica a gerente de uma padaria na Rua Euclides da Cunha, Suedia Souza. Em novembro, eles subiram o quilo do pão francês de R$ 12,90 para R$ 13,90 e o café expresso de R$ 3,90 para R$ 4,20.

Já o leite ficou 10,5% mais caro ao longo do ano, de acordo com o Nepes da Uniderp. “Esse produto não aumentou tanto porque temos uma produção grande no país. É fácil de importar, porque temos produto no mercado mundial”, explica o coordenador do Nepes da Uniderp.

Salomão Salame é proprietário de uma padaria na Rua Dr. João Rosa Píres, no Bairro Amambaí. Ele afirma que foi difícil segurar os preços em 2015. “As empresas se aproveitaram do aumento do dólar para subir vários produtos, e a gente não teve como não subir. Tem que repassar, já segurei por muito tempo”, disse.

Vanessa Cristina é secretária em um hospital no Bairro Amambaí e quase todos os dias vai à padaria.“Estamos em um momento difícil e por isso a gente sempre procura gastar menos. Procuro a padaria com o preço mais em conta”, afirma.

Mercado de trabalho

O momento é de contenção de gastos, segundo muitos lojistas. “Estamos com duas lojas, mas está muito caro manter os gastos e os funcionários. Esse ano vamos fechar uma delas e vamos ter que diminuir a equipe. Essa foi a forma que eu encontrei de me adaptar a crise, afinal, está difícil vender e mais ainda não gastar”, explica Salomão Salame.

Em uma padaria na Rua Euclides da Cunha, o cenário não é diferente. “Vamos continuar com todos os 150 funcionários, mas já está certo que não vamos mais contratar. Vamos priorizar com os mesmos que terminaram o ano passado com a gente”, explica a gerente.

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