Cotidiano / Economia

Salário inicial é 10% menor do que comparado a quem deixa o emprego

A queda no salário médio de admissão do brasileiro já é maior de que na crise de 2009

Kemila Pellin Publicado em 02/07/2015, às 22h20

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A queda no salário médio de admissão do brasileiro já é maior de que na crise de 2009

Os funcionários que entram no serviço estão ganhando até 10,7% menos do que um funcionário que é demito, por exemplo. Os números já são maiores do que na crise de 2009.

Os dados são dos Institutos de Pesquisa Econômica Catho e Fipe, que apresentaram indicadores reforçando o diagnóstico negativo do momento atual do mercado de trabalho brasileiro. O salário médio de admissão registrou queda de 1,6% na comparação livre de efeitos inflacionários entre maio de 2015 e o mesmo mês do ano anterior, o que representa um resultado pior do que o que tivemos durante a crise de 2009 nessa base de comparação.

O economista Tiago Queiroz, explica que a queda reflete o momento da economia atual, na qual as empresas tem uma alta taxa de juros, as famílias diminuem o consumo e o endividamento aumenta significativamente. “Isso faz com que as empresas reduzam o valor inicial das ofertas, façam uma reestruturação do plano de cargos, mantendo um salário inicial menor do que o efetivo” comenta.

Tiago ainda destaca que a produção inicial do Brasil deve fechar o semestre em 3,20% negativo, o que significa que a indústrias estão produzindo menos, e consequentemente precisando menos funcionários, podendo gerar um cenário de desemprego nos próximos dias. A projeção do economista é reforçada pela estimativa da Catho-Fipe que prevê um aumento de 6,8% no desemprego em junho de 2015.

Mato Grosso do Sul consegue respirar um pouco diante desta crise, segundo o economista, visto que a base da economia do estado é o agronegócio e a crise está mais concentrada nas indústrias. “Com o aumento do dólar a gente tem uma oferta de produtos agrícolas no mercado que fica competitiva lá fora, então como dependemos muito do agronegócio, não é tanto industrial, a crise é um pouco mais amena aqui, mas não quer dizer que não estamos em recesso. A situação está difícil no país inteiro e aqui não é tão diferente”, frisa Tiago. 

Jornal Midiamax