Cotidiano / Economia

Dia das Crianças deve movimentar R$ 44 milhões no comércio da Capital

Em MS, valor deve ser R$ 20 milhões menor do que em 2014

Wendy Tonhati Publicado em 28/09/2015, às 14h26

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Em MS, valor deve ser R$ 20 milhões menor do que em 2014

Os economistas falam em crise e retração, mas ruas da área central de Campo Grande os comerciantes esperam vender todo o estoque de brinquedos ao som de “Let it Go”, a música famosa do filme Frozen – Uma Aventura Congelante, franquia que deve ter os presentes mais procurados para as meninas neste ano.

De acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (28), pela Fecomércio, o Dia das Crianças deve movimentar aproximadamente R$ 44,53 milhões em compras e o valor médio do presente será de R$ 139, em Campo Grande. Estima-se que 80% da população economicamente ativa irá às compras.

Considerando Mato Grosso do Sul, o comércio deve receber um aporte de R$ 147,34 milhões neste ano. O levantamento realizado em parceria com o Sebrae e a Universidade Uniderp revela que no Estado 70% dos consumidores devem ir às compras e gastar em média R$ 132.

De acordo com Regiane Dedé de Oliveira, economista da Fecomércio MS, o valor é significativo, mas inferior ao ano passado (R$ 167 milhões) e que já era esperada uma retração por conta do cenário econômico atual do Estado, que é compartilhado por todo o país.

“São R$ 20 milhões a menos. No ano passado, 81% dos entrevistados pretendiam ir às compras. Neste ano, 70%”. diz. Sobre os motivos, a economista aponta as várias altas que os brasileiros vêm tendo em contas essenciais. “A redução no poder de compra se deve ao aumento de tarifas como a energia elétrica, água, combustível. Faz com que os consumidores fiquem mais preocupados e com uma menor pretensão de compra”.

Conforme a pesquisa, as crianças que devem receber os presentes são filhos (49%), sobrinhos (21%), afilhados (9%), e irmãos. Em torno de 45% dos consumidores deverão comprar até um presente e 41% comprarão dois presentes. As lojas do centro da cidade devem ficar com 48% dos consumidores, lojas dos bairros 6% e 2% dos compradores deverão usar a internet. De acordo com o coordenador da pesquisa, Celso Correia este ano terá o menor percentual de pessoas indo às compras dos últimos três anos.

Nas lojas

Jefferson Antônio, que trabalha em uma loja que tem como forte a venda de brinquedos, diz que o Dia das Crianças e o Natal são as principais datas de faturamento da rede. Ele diz que por ser ser no começo do mês, a expectativa é de que os pais tenham recebido o salário e estejam dispostos a comprar.

“Estamos cautelosos, mas não diminuímos o volume de compras. Como é uma loja de rede, o que não tem em uma, tem em outra. Já começou a procura por presentes, mas muitos vão deixar para a última hora mesmo”, diz. Questionado se a retração da economia vai atrapalhar as vendas Jefferson diz “Não pensamos em crise. Pensamos em vender”.

Sobre os principais presentes procurados, ele cita os carrinhos Hot Wheels e as bonecas Frozen. “Todo ano vende muito para meninos. Já neste ano o que mais vai sair para as meninas são as bonecas da Frozen”.

Luzinete Nascimento trabalha em uma loja de presentes variados como bolsas, maquiagens e bijuterias e diz que este é o primeiro ano que vão vender brinquedos no Dia das Crianças. “As vendas deram uma caída, mas por ser uma data especial, esperamos vender. Ainda mais por ser um preço razoável, não é nada caríssimo. Cabe no bolso dos pais”.

Formas de pagamento

Sobre a forma de pagamento, a pesquisa revela que as compras serão em dinheiro, cartão débito ou cheque (29%), à vista com cartão de crédito (3%). Já as compras a prazo com cartão de crédito (44%), outras formas proporcionadas pelos lojistas (16%) e carnês (7%). “Tem que lembrar que a compra no cartão de crédito tem que estar dentro do orçamento para não ficar endividado”, alerta a economista.

Com o dólar batendo R$ 4 nos últimos dias, o comércio local pode ser beneficiado com menos gente indo aos países de fronteira, e deixando o dinheiro no comércio local “É favorável. A movimentação na fronteira deve ser menor do que no ano passado e isso tem reflexo a médio prazo, com mais movimento para o próprio país”, explica Regiane.

Os brinquedos continuam sendo os principais presentes, mas segundo a economista, há um crescimento do percentual de roupas e calçados, pois com a retração da encomia, muitos pais vem investindo em presentes que são de necessidade.

No Estado, a cidade que deve ter a maior retração é Chapadão do Sul e a que vai apresentar resultados melhores é Naviraí, em virtude da proximidade com a fronteira e da agropecuária forte.

Nas ruas, mães já estão pesquisando presentes

Mãe de uma menina, Laís Dyony diz que a boneca do Frozen é a preferida mesmo, mas como a filha já tem coleção, com todas as que estão à venda no mercado a filha vai ganhar uma bicicleta. “Estão caros mesmo [os brinquedos], principalmente quando são originais e custam mais de R$ 100”.

Mãe de três meninos de 6, 3 e 7 meses, a comerciante Fabíola Souza foi às lojas pesquisar preços de brinquedos para a loja que possui em um bairro da Capital e também para os filhos. “Tenho filhos, sobrinhos e afilhados e cada data é um presente”, diz. Sobre o quanto deve gastar, ela diz que já separou R$ 200, mas que sempre acaba gastando mais. “A gente programa uma coisa e gasta outra e a situação está feia . Tem entrado pouco dinheiro”, avalia sobre o comércio que tem.

Jornal Midiamax