O Brasil deve colher neste ano safra de 158,8 milhões de toneladas de grãos, volume ligeiramente inferior ao inicialmente previsto, consequência direta das geadas e chuvas que afetaram algumas culturas no primeiro semestre, indica projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A nova estimativa de colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas foi realizada com base nos dados recolhidos no campo em julho e é 1,7% inferior a calculada em junho (161,5 milhões de toneladas).

Apesar das perdas dos últimos meses provocadas por diferentes fatores climáticos (como geada e chuva), a produção deste ano será recorde e 6,2% superior a de 2010 (149,6 milhões de toneladas), até agora a maior da história do país.

Para o IBGE, as culturas mais prejudicadas pelas chuvas e geadas deste ano foram as de milho, trigo, feijão e aveia, principalmente nos estados do sul do país.

A produção de milho no estado do Paraná, segundo maior produtor nacional do grão, será 30,2% inferior a previsão inicial devido à seca que atingiu a cultura em maio, às geadas registradas entre os dias 27 e 28 de junho e à chuva excessiva no momento da colheita em julho.

“A exemplo do ocorrido com o milho, as geadas de 27 e 28 de junho prejudicaram as plantações de trigo que estavam mais adiantadas no Paraná, já em estado de floração, provocando perdas da colheita em 34.845 hectares”, detalha comunicado do instituto.

As perdas, no entanto, não vão impedir que a colheita do Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos, bata novo recorde este ano graças ao aumento de 4,9% da área plantada, para 48,9 milhões de hectares.

Os principais produtos serão soja, milho e arroz, nessa ordem. Juntos esses grãos representam 90,5% da produção nacional de cereais e 82,3% da área cultivada.

A área cultivada de soja terá aumento de 3,3% na comparação com a do ano passado e sua produção chegará a 74,8 milhões de toneladas, com crescimento de 9,2%.

Apesar da área colhida de milho ter crescido 4,2%, a produção do grão será 1,1% inferior (55,5 milhões de toneladas).

Já a produção de arroz será de 13,4 milhões de toneladas, acréscimo de 18,9%, graças ao fato da área cultivada chegar a 2,8 milhões de hectares, com expansão de 1,6%.

Dos 25 produtos analisados, 14 terão produção maior neste ano, com destaque para o algodão, 72,5% superior a colheita de 2010, batata inglesa de primeira safra (13,5%), cacau (4,4%), sorgo (24,3%) e cevada (9%).

Entre os produtos cuja produção será menor está o amendoim de segunda safra (-39,8%), aveia (-9,4%), café (-6,6%), cana-de-açúcar (-5,1%) e batata inglesa de segunda safra (-3,3%).