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Consumidor

Com leite e açúcar mais caros, sorvete não escapa da inflação em Campo Grande

Inflação pesou no custo da produção e começa a refletir no valor final ao consumidor
Mariane Chianezi -
sorvete
Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax

Com a alta no preço do leite, do leite condensado e até do açúcar, uma das sobremesas preferidas dos brasileiros não escapou do aumento no preço final. Alguns comerciantes até seguram o reajuste, mas uma coisa é fato: o sorvete está mais caro. 

Dos itens encontrados nos freezers, aos sorvetes fabricados nas tradicionais italianinhas na Avenida Afonso Pena, a inflação já é reclamada pelos comerciantes. Mas não tem para onde correr.

No Aero Rancho, Silas Barcelos é proprietário de uma sorveteria que fabrica o próprio sorvete e revelou que os gastos com o leite para a fabricação dos gelados aumentaram mais de 200%. “Só o leite que antes era R$ 208, agora está R$ 700 [para a produção]. Conseguimos manter com valor baixo por dois anos, mas é difícil com essa inflação”, disse o empresário. 

A sorveteria aposta em promoções, combos e ‘sabor’ do dia para atrair os consumidores. Os picolés que antes estavam R$ 0,85, foi necessário reajuste de R$ 0,40 e agora a unidade é vendida por R$ 1,25. O comerciante diz que as vendas deram uma estagnada durante os dias mais frios e, segundo ele, ‘o que salvou’, foram as vendas de açaí. “Estamos na expectativa para que as vendas melhorem nos próximos meses”, pontua.

Foto: Sthefanie Dias, Midiamax

Na Avenida Afonso Pena, bem no ‘coração’ da cidade, o comércio da família da Lucas de Araújo, de 28 anos, tem o ponto há 15 anos e as máquinas de sorvete estilo italianinhas chamam a atenção dos consumidores que transitam diariamente pelas calçadas.

O preço da casquinha é R$ 4, mas não será por muito tempo. Ele explica que o valor vem se mantendo o mesmo desde antes do período da pandemia e com a inflação da matéria prima do sorvete, será difícil não reajustar.

O que ajuda a manter o mesmo valor há tanto tempo é a constância de clientes que passam no estabelecimento. Enquanto a reportagem estava no local, pelo menos três pessoas pararam para comprar o doce gelado.

“Nós fazemos o sorvete todos os dias, a produção é diária. E vendemos cerca de 100 casquinhas por dia. As lojas que ficam ao lado ajudam muito e o ponto [do comércio] ajuda muito”, disse.

Sorvete feito em casa

Há cosumidores que ao perceber a alta no preço dos potes de sorvete nos supermercados, logo trataram de economizar e mesmo assim, garantir a sobremesa nos almoços de domingo. Como no caso da dona de casa, Maria José de Sá, que há pelo menos dois anos faz o próprio sorvete para a família.

Ela conta que decidiu fazer em casa porque os valores encontrados nos supermercados já não estavam tão atraentes. “Eu poderia optar em comprar uma sobremesa mais barata, mas o sorvete é o ideal para esses domingos quentes que enfrentamos em Campo Grande. Eu pedi para o meu filho pesquisar como fazia, os ingredientes, aí fui e comprei e comecei a fazer”, comentou.

Maria então comprou o emulsificante, a liga neutra, o açúcar, leite, creme de leite, leite condensado e base para formar o sabor. Ela diz que mesmo com os itens mais caros, fazer o sorvete em casa é sim mais econômico e prazeiroso. “Conforme fui fazendo, fui pegado o jeito. Já me falaram até para fazer e vender, mas faço mesmo é só para a família”, disse.

Alta no leite

O leite está mais caro e muitos consumidores estão mudando os hábitos de consumo, abolindo o produto diante de altas sucessivas nos preços. Não é para menos, principalmente porque de janeiro a junho o litro do leite longa vida — aquele com caixinha de um litro — valorizou-se em 14,5%, segundo cálculos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), contidos no IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), divulgado semana passada. Em Campo Grande, os preços oscilam entre R$ 5,90 e R$ 8,90.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), pertencente à Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo), também confirma esta elevação de preços neste mesmo patamar, mas reforça que o preço do leite captado em abril deste ano e pago aos produtores em maio subiu 4,4%, chegando a R$ 2,5444 por litro na chamada “Média Brasil”. Além disso, em relação a maio do ano passado, o aumento é de 11,8%, em termos reais, já com valores deflacionados pelo IPCA de maio deste ano.

E pelas perspectivas do Cepea, os valores pagos em junho aos produtores — que foram 5% mais elevados — vão trazer novos impactos desagradáveis aos consumidores finais dentro dos supermercados espalhados pelo País. A alta do leite é um problema nacional, o que inclui toda a extensão do Estado de Mato Grosso do Sul.

Para complicar um pouco mais, em outra pesquisa do Cepea — desta vez em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) — foi verificado que os preços dos derivados lácteos negociados entre indústrias e canais de distribuição seguiram em alta em maio. Isso quer dizer que queijos, manteigas, iogurtes e demais derivados deverão agredir mais o bolso do consumidor.

Na segunda quinzena de maio, com menor captação dos laticínios no campo e a valorização no mercado de leite spot (negociado entre indústrias) voltaram a direcionar o processo de formação dos preços. Com estoques mais enxutos de derivados, as cotações do lácteos voltaram a subir. O quadro geral se torna pior porque — neste quesito — há um saldo negativo na balança comercial, que triplicou de abril para maio, atingindo a cifra de US$ 26,3 milhões, segundo dados da Secex (Secretaria Especial de Comércio Exterior), que fica em Brasília e pertence ao Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

Em volume, também houve aumento no déficit, só que na ordem de 167,2%, com saldo negativo de 53 milhões de litros em equivalentes de leite. Esta quantidade é próxima ao patamar observado em março, pelo Cepea. Já esse resultado é explicado pelo aumento de 51,5% das importações — com o dólar subindo de forma disparada — também e pela queda de 47,2% nas exportações em maio, acrescendo a desvalorização do real diante da moeda norte-americana e do euro.

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