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Consumidor apela à decoração ‘sustentável’ e comércio perde vendas

Mesmo na melhor época de venda, comerciantes enfrentam crise

Padrão do site Publicado em 26/11/2015, às 17h53

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Mesmo na melhor época de venda, comerciantes enfrentam crise

Oscomércio especializado em enfeites de Natal no centro de Campo Grande está se ressentendido da situação da crise financeira, mesmo “na melhor época de venda” do ano. Itens de decoração que chegaram às lojas logo após o Dia das Crianças permanecem nas prateleiras e uma das explicações é que, para economizar, o consumidor resolveu reaproveitrar material do ano anterior.

A aposenta Leila Silva, de 70 anos, comenta que chegou a entrar em uma loja para ver decorações novas, porém resolveu reaproveitar os itens usados no ano passado. Segundo ela, as peças estão praticamente novas. "A decoração não muda muito né? Não tem muita novidade, então não tem problema reaproveitar. Está bem cuidado lá em casa, em vez de comprar optei por usá-los para não gastar com isso este ano”.

A ideia de Leila é compartilhada também pela administradora de redes Riciane Gerhardt, de 23 anos. Ela explica que, apesar de morar sozinha e de achar que sua geração não ter muito interesse por essa tradição, mantém o costume de ajudar a mãe a decorar a casa. “Eu não faço nenhuma decoração em casa, mas na casa da minha mãe a gente sempre enfeita, é uma tradição. Normalmente reaproveitamos tudo o que foi utilizado no ano anterior e este não vai ser diferente. O máximo que a gente compra é um pisca-pisca porque sempre queima”.

Para comerciante Laura de Souza, de 32 anos, que também reaproveitou os itens de decoração do ano anterior. “A organização de manter os enfeites em bom uso, me ajudou a economizar um dinheirinho a mais para esse fim de ano. O valor que iria dedicar aos enfeites, serão aplicados em outras necessidades”.

Em um comércio de utensílios na Avenida Afonso Pena, os estoques chegaram há dois meses atrás, mas aparentam não terem sido tocados ainda. Conforme argumentado pelo gerente da loja, Pedro Magalhães, de 37 anos, o movimento está menor que o ano passado. “Nessa mesma época, metade do estoque já tinha sido vendido, mas este ano os clientes estão tímidos, não apareceram ainda”.

Ele considera que a tradição de montar uma árvore ou decorar a residência está sendo deixada para trás aos poucos e até mesmo os comércios perderam o costume. “Hoje está difícil até mesmo de encontrar um comércio todo enfeitado. Antigamente os empresários se dedicavam mais a isso. Era uma espécie de investimento, mas agora é sinônimo de prejuízo", aponta.

Nesta loja, conforme explicou o gerente, até mesmo o quadro de funcionários foi reduzido. Em 2014, 18 pessoas foram contratadas para atender a demanda do fim de ano, já neste ano apenas 10 foram empregadas até janeiro.

Jornal Midiamax