Quem teve a oportunidade de encontrar João Dibo, um estudante de 13 anos, durante a sessão da Câmara Municipal de Campo Grande nesta quinta-feira (3), pôde perceber imediatamente a felicidade estampada em seu rosto. João, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível três de suporte, conseguiu mais uma vez superar as barreiras impostas pela sua condição para provar que o lugar de uma pessoa com autismo é onde ela quiser.
Convidado de honra, o jovem acompanhou os trabalhos da sessão de perto, com uma postura curiosa e atenta. Sentado junto à mesa diretora, ele cumprimentou os presentes e observou cuidadosamente cada momento da sessão. Na plateia, sua mãe, Naína Dibo, acompanhava tudo com muito orgulho e emoção.
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“Quando você me disse que ele estava cumprimentando todo mundo, eu fiquei muito surpresa. A emoção é indescritível. A política entrou em nossa vida muito cedo, e João me acompanha nessa caminhada desde pequeno. Ele cresceu vendo a mãe lutar pelos direitos dele, e agora vê-lo participando ativamente da sessão é um presente. Eu estou arrepiada”, comentou Naína, visivelmente emocionada.
Ela relembra que, há dez anos, o debate sobre os direitos das pessoas com autismo não era tão disseminado como é hoje. Desde pequeno, João enfrentou grandes desafios para ser aceito em uma sociedade que ainda não estava totalmente preparada para lidar com as diferenças. A luta pela inclusão de pessoas com TEA não foi fácil.
“Ele foi expulso de uma escola particular. Tivemos que lutar por direitos que ainda não existiam, por leis que estavam sendo implantadas no estado e que só mais tarde se tornaram realidade em nível nacional. Ele cresceu vendo a mãe lutar, reclamar e gritar por seu espaço. E agora ele está aqui, representando a todos nós”, afirmou Naína.



Com desenvoltura e muito à vontade, João participou da sessão, cumprimentando pessoas que nunca havia visto, acompanhando atentamente as discussões e trocando palavras com os presentes. Sua atitude surpreendeu até mesmo sua mãe.
“Me disseram, quando ele nasceu, que ele não seria capaz de falar, escrever ou ter qualquer tipo de independência. E hoje, aqui está ele, cumprimentando as pessoas, falando com segurança, interagindo como qualquer outro jovem. Como mãe, eu não poderia estar mais orgulhosa”, disse ela.
Naína, que é uma defensora ativa da causa, não romantiza a experiência de ser mãe de uma criança com TEA. Ela destaca que o cuidado com o filho, embora recompensador, também envolve desafios diários, conhecidos apenas por outras mães de crianças atípicas. “Não é fácil. Eu tive que lutar muito, fazer tudo na marra. E todas as mães atípicas enfrentam obstáculos semelhantes, não importa sua cor, classe social ou religião. A luta é constante, mas a recompensa é enorme”, explicou.
João, por sua vez, compartilhou sua experiência de forma simples e direta: ele se sentiu muito feliz por participar da sessão e sonha um dia representar pessoas com autismo como vereador. Mesmo com respostas curtas, seu olhar atento e interesse nas discussões mostraram que ele está ciente da importância de ocupar espaços de poder e visibilidade. “Gostei muito de estar aqui. Quem sabe, um dia, eu possa ser vereador, representando a causa autista”, afirmou, com um sorriso no rosto.
Para o presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), a presença de João na sessão é um reflexo de como o acesso a tratamentos e terapias adequados pode fazer toda a diferença na vida de pessoas com TEA. “João é um exemplo claro de que é possível ter uma vida autônoma, mesmo sendo uma pessoa com deficiência. A luta pela inclusão no mercado de trabalho e em outros espaços é fundamental para garantir uma vida digna e independente para essas pessoas”, afirmou Papy.
O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento de uma pessoa, especialmente nas áreas de comunicação, comportamento e interação social. Embora o diagnóstico de autismo abranja uma ampla gama de manifestações e graus de severidade, as pessoas no espectro compartilham dificuldades com a comunicação social e comportamentos repetitivos.
A intervenção precoce, com terapias adaptadas e apoio adequado, pode melhorar significativamente a qualidade de vida de uma pessoa com autismo. É fundamental que a sociedade compreenda as necessidades e as capacidades dessas pessoas, promovendo inclusão e respeito em todos os aspectos da vida social, educacional e profissional.
Abril Azul
O mês de abril é amplamente reconhecido como o mês de Conscientização sobre o Autismo, com o dia 2 de abril sendo um marco importante: o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Esta data foi estabelecida pela ONU para aumentar a visibilidade do Transtorno do Espectro Autista e promover um entendimento mais profundo sobre as necessidades e desafios enfrentados por pessoas autistas.
Durante este mês, eventos e campanhas ao redor do mundo buscam sensibilizar a sociedade, destacando a importância da inclusão, do apoio e do respeito às diferenças. O objetivo é criar uma cultura de aceitação, onde todos, independentemente de suas condições, possam viver de maneira plena e participar ativamente da sociedade. O dia 2 de abril, especialmente, é um momento para refletirmos sobre o impacto positivo que a conscientização pode ter, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e justa.
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