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Cotidiano

Mesmo com ônibus velhos rodando, Consórcio faz ‘desmanche’ de novos em garagem

Reportagem encontrou veículo de 2019 servindo para reposição de peças para outros
Marcus Moura -
Placa de identificação diz que ônibus está em manuteção, mas falta de diversas peças revela o contrário. (Foto: Marcus Moura/Midiamax)

Com muitos ônibus velhos nas ruas para realizar o transporte de passageiros, o estaria promovendo um ‘desmanche’ de veículos relativamente novos para retirada de peças. Denúncia enviada ao Midiamax afirma que um veículo do ano 2019 está sendo desmanchado aos poucos para fornecer peças para outros veículos utilizados no transporte público de .

O veículo, que tem seis anos de uso, está na oficina da Viação Cidade Morena, localizada na avenida Gury Marques, no bairro Vila Cidade Morena, em Campo Grande. Conforme denúncia recebida no Canal do Midiamax no WhatsApp (67) 99207-4330, o automóvel, que deveria estar transportando passageiros, já perdeu até a porta dianteira.

A reportagem foi até o local e encontrou o veículo estacionado ao lado de outros mais velhos, também sem peças, numa espécie de mausoléu do transporte público. Além da porta, o ônibus também já perdeu uma das janelas laterais dianteiras, um dos faróis e algumas peças e cabos que estavam soltos. Até mesmo o elevador para pessoas com deficiência não escapou do processo de retirada de fios e peças.

Nas informações do veículo, o número de identificação é o 502431, sendo do setor 446 e da data de 14/11/2019. Mesmo com seis anos de idade, o veículo ainda é mais novo que a média da frota do Consórcio que tem 8 anos.

Levantamento realizado pela Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) revelou que a frota de transporte coletivo na capital conta com 460 veículos. Embora o contrato assegure que a média de idade dos ônibus seja de até 5 anos, a agência explicou que há uma tolerância da idade máxima permitida prevista, de 15 anos para veículos articulados e 10 anos para os demais, que daria, pelo menos, mais quatro anos de uso para o veículo em desmanche.

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Denúncia postada na página Ligados no Transporte CG revela, mais uma vez, a situação vivida cotidianamente pelos usuários do transporte público da Capital: um ônibus parado no meio da rua por falta de manutenção. Desta vez, o flagrante foi feito no viaduto da avenida Mascarenhas de Moraes, no bairro São Francisco, logo nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (25).

O flagrante feito por Vitor Costa mostra um BRT 2600, o articulado, parado no acostamento da via em horário que deveria estar rodando. “Como sempre a ótima manutenção do Consórcio Guaicurus”, escreveu em postagem para criticar o serviço. Veja o vídeo do ônibus parado e do veículo que está servindo como peça de reposição abaixo:

Sucateamento da frota

O sucateamento de frota é um problema antigo no transporte coletivo de Campo Grande, e o pesadelo de quem depende dele diariamente para se locomover pela cidade. Tanto que, em 2023, logo após o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura oficializarem a entrega de 71 novos ônibus a Campo Grande, a Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) cobrou punição do Consórcio Guaicurus e firmou instauração de processo para estudar a idade média da frota de ônibus circulantes na Capital. 

De alçapão voando a elevador emperrado, em 2024 o Jornal Midiamax registrou diversos momentos desafiadores vividos por quem depende do transporte público, contrariando, totalmente, a informação de que “o serviço do Consórcio Guaicurus é excelente para conforto, acessibilidade, pontualidade, qualidade da frota e pessoal a serviço”.

O Consórcio Guaicurus deverá substituir 197 ônibus em 2025, garantindo o cumprimento do contrato de concessão firmado em 2012 entre a concessionária e o executivo. A nova frota é referente aos 99 ônibus previstos para 2025, além de 98 que deveriam ter sido renovados em 2024.

A reportagem entrou em contato com o Consórcio Guaicurus para entender o motivo do ônibus, relativamente novo, estar parado e sendo depenado, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Consórcio Guaicurus mantém ônibus velhos nas ruas enquanto tem receita de R$ 1,2 bilhão

Os empresários de ônibus de Campo Grande são o verdadeiro exemplo do ‘mau negócio’ que rende milhõesNa verdade, bilhões. Isso porque equipe técnica da prefeitura da Capital certificou auditoria contábil nas planilhas do Consórcio Guaicurus e atestou que a concessionária teve receita de R$ 1.277.051.828,21 (um bilhão, duzentos e setenta e sete milhões, cinquenta e um mil, oitocentos e vinte e oito reais e vinte e um centavos) de 2012 a 2019 – somente os oito primeiros anos do contrato. Os técnicos chegaram aos valores a partir de balanços enviados pelas próprias empresas de transporte.

Conforme documento oficial da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), os lucros do Consórcio Guaicurus só aumentaram, “mantendo-se em um nível linear entre os períodos de 2016 a 2018, excetuando o exercício financeiro de 2019 com baixa, porém, mesmo registrando baixa em suas receitas [em 2019], o Consórcio auferiu lucro para o período, melhor que o exercício imediatamente anterior”.

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