Duas semanas após o feminicídio da filha, Madalena Ricarte colocou a dor em palavras e escreveu sobre a morte da Vanessa. Em texto emocionado e compartilhado em grupos de WhatsApp, ela se diz frustrada e decepcionada com a Casa da Mulher Brasileira.
Assim como todos que conheciam Vanessa, Madalena disse que na noite do velório ficou “se questionando o tempo todo, como que uma pessoa tão esclarecida, poderia ter se submetido a uma situação pela qual estava passando e não procurar ajuda”. Mas ao ouvir os áudios que a filha enviou para uma amiga horas antes de morrer, entendeu que ela buscou, sim, ajuda.
“Porém, a pessoa que a atendeu não soube ‘ouvir’ os seus apelos. Não lhe deu a atenção que ela precisava. Não teve empatia por ela. E o que mais dói é pensar que quem a atendeu era outra mulher, que deveria ser solidária, cuidar com todo carinho de uma mulher que estava ali na sua frente, frágil, expondo sua vida, pedindo ajuda que não teve”, escreveu Madalena.
Áudios gravados pela jornalista Vanessa Ricarte, antes de ser assassinada pelo ex-noivo Caio Nascimento, desmentem o discurso das delegadas que atuam na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande sobre o atendimento que ela tentou receber horas antes de ser morta.
Falta de empatia e capacitação
Em seu texto, Madalena afirma que é urgente a necessidade de capacitação da equipe de atendimento da Casa da Mulher. E ainda critica a delegada que atendeu Vanessa, devido à falta de empatia com uma vítima.
“Infelizmente, por negligência, falta de humanidade e de amor ao próximo cometidos por uma pessoa insensível, neste final de semana iremos conversar com a nossa Vanessa frente àquele pesado e inerte túmulo”, finaliza.
Confira o texto na íntegra
Boa tarde a todos.
Sou Madalena mãe da Vanessa e só agora estou tendo ânimo para ler algumas publicações sobre a tragédia que arrancou a Vanessa de nós. Li atentamente o texto acima e confesso que o meu descontentamento, frustração e decepção com a Casa da Mulher Brasileira só aumentou.
Ficou evidente que a falha, o descaso não foi somente da delegada que atendeu a Vanessa, a falha e o descaso é institucional.
Toda dor que parecia ter sido amenizada no decorrer desses 16 dias foi reavivada, pois é muito doloroso pensar que se a instituição levasse a sério o propósito da sua existência, a Vanessa estaria viva, assim como outras mulheres que tiveram o mesmo final trágico.
É revoltante pensar que mulheres engajadas na causa da violência contra a mulher, dedicaram muito do seu tempo em estudos quanto aos serviços prestados por essa entidade, fizeram sugestões e que esse estudo simplesmente fora engavetado como se não tivesse nenhuma importância.
Revolta, decepção, tristeza são os sentimentos que tomaram conta de mim.
Depois de todo sofrimento pelos quais passamos desde que o médico nos tirou o chão quando disse que a Vanessa não havia resistido, que tinha ido a óbito. Todo transtorno no dia seguinte indo e vindo para liberação do corpo para o IML.
No velório dela, além do sofrimento da perda, de toda brutalidade que aconteceu, que eu não pude estar com ela no momento de maior flagelo da sua vida, eu ficava inconformada e questionando o tempo todo, como que uma pessoa tão esclarecida, poderia ter se submetido a uma situação pela qual estava passando e não procurar ajuda.
Só à noite, quando ouvi os áudios que ela havia mandado pra amiga é que entendi que ela havia procurado ajuda sim, porém a pessoa que a atendeu não soube “ouvir” os seus apelos.
Não lhe deu a atenção que ela precisava. Não teve empatia por ela. E o que mais dói é pensar que quem a atendeu era outra mulher, que deveria ser solidária, cuidar com todo carinho de uma mulher que estava ali na sua frente, frágil, expondo sua vida, pedindo ajuda que não teve.
É urgente a necessidade de capacitação desse pessoal.
A delegada para ocupar um cargo de tanta relevância, que trata da proteção à mulher deveria ser analisada, sabatinada por psicóloga, antropóloga, enfim, por autoridades que saibam reconhecer no perfil dela, a empatia, o respeito e a tolerância pelo ser humano independente de sua cor ou classe social.
Se assim fosse, hoje a minha Vanessa estaria viva, se organizando para passar o final de semana conosco aqui em Três Lagoas, como ela já havia prometido.
Infelizmente, por negligência, falta de humanidade e de amor ao próximo cometidos por uma pessoa insensível, neste final de semana iremos conversar com a nossa Vanessa frente àquele pesado e inerte túmulo.
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