Desde 2021 o município de Água Clara – distante 192 km de Campo Grande – conta com uma Sala Lilás para atendimento qualificado a mulheres vítimas de violência doméstica. No fim de semana, Mirielle Santos, de 26 anos, foi morta a tiros, em caso tratado pela polícia como feminicídio.
Em 2024, Água Clara registrou 135 vítimas de violência doméstica. O número é composto por mulheres que procuraram a polícia para denunciar os casos. Esse número já foi maior por lá, chegando a 158 vítimas em 2019. Neste ano, já são 14 vítimas, segundo Portal de Monitoramento de violência contra a mulher.
A Sala Lilás do município foi inaugurada em novembro de 2021, dentro da delegacia de Polícia Civil. A iniciativa visa proporcionar atendimento acolhedor a mulheres vítimas de violência.
Segundo a delegada Cristiane Grossi, responsável pelas salas em Mato Grosso do Sul, o crime de violência doméstica é difícil de acompanhar porque ocorre dentro de casa e, muitas vezes, as pessoas somente ficam sabendo quando se “extrapola” do local. “A gente precisa que as vítimas nos procurem”, alerta Grossi.
Sala Lilás
A Sala Lilás é uma alternativa criada em municípios que não possuem DAM (Delegacias de Atendimento à Mulher), mas que concentram altos índices de ocorrência por violência doméstica.
As salas foram criadas para oferecer atendimento diferenciado e qualificado às mulheres em situação de violência, incluindo atendimento também para crianças (de ambos os sexos) e meninas adolescentes, que tenham tido seus direitos violados, facilitando o acesso à justiça e incentivando as denúncias, já que as mulheres teriam um espaço exclusivo para o atendimento.
Mato Grosso do Sul tem atualmente 48 cidades com Sala Lilás. O objetivo é chegar em 76 das 79 cidades do Estado, só não estando nos municípios que já possuem Casa da Mulher Brasileira.
O projeto já chegou a Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, Bonito Terenos, Maracaju, Angélica, Miranda, Anaurilândia, Glória de Dourados, Deodápolis, Chapadão do Sul, Iguatemi, Eldorado, Paranhos, Bandeirantes, Camapuã, Água Clara, Rio Negro, Nova Alvorada do Sul, Costa Rica, Caarapó, Amambai, Ladário, Sonora, Porto Murtinho Selvíria, Anastácio, São Gabriel do Oeste e Brasilândia.
Além de Ivinhema, Itaporã, Jateí, Batayporã, Guia Lopes da Laguna, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Vicentina, Santa Rita do Pardo, Tacuru, Sete Quedas, Naviraí, Dourados, Ponta Porã, Bodoquena, Jaraguari, Nova Andradina, Coronel Sapucaia e Itaquiraí.
Vítimas de feminicídio em 2025
- Feminicídio de Karina
Karina Corim, ferida a tiros na cabeça pelo ex-marido, morreu no Hospital da Vida, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, na madrugada do dia 4 deste mês. A amiga de Karina, Aline Rodrigues, de 30 anos, também morreu. Este foi o 1º feminicídio de 2025 no Estado.
A mulher estava internada no hospital desde o fim de semana depois de Renan Dantas Valenzuela, de 31 anos, ir até o estabelecimento onde estava Karina e atirar contra ela e a amiga, em Caarapó, cidade a 276 quilômetros de Campo Grande.
Renan ainda colocou fogo na loja e depois atirou contra a própria cabeça, morrendo no local. Ele usou a arma do pai, que é policial militar, para cometer o crime. Renan não aceitava o fim do relacionamento.
- Feminicídio de Vanessa
A jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, servidora pública que trabalhava no MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) morreu na Santa Casa de Campo Grande na noite do dia 12 deste mês, vítima de feminicídio.
Ela foi esfaqueada em casa, no bairro São Francisco, pelo companheiro, o músico Caio Nascimento, que foi preso em flagrante logo após o crime. Vanessa foi esfaqueada três vezes na região do tórax e depois levada em estado gravíssimo à Santa Casa, onde veio a óbito.
- Juliana Domingues
A vítima morava na comunidade indígena Nhu Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande, foi assassinada a golpes de facão, às margens da rodovia BR-163, na noite de 18 de fevereiro.
Juliana foi assassinada após uma discussão com o companheiro, Wilson Garcia, de 28 anos. O crime aconteceu na frente do filho da vítima, um menino de apenas 8 anos.
Wilson fugiu logo após o crime para a aldeia Teykuê, em Caarapó, onde passou a madrugada. Ele foi preso na madrugada de quarta-feira (19) por equipes do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil, com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que disponibilizou um helicóptero para as buscas.
- Mirielle Santos
A empresária Mirielle Santos, de 26 anos, foi morta a tiros no dia 22 de fevereiro, em Água Clara, a 192 quilômetros de Campo Grande. O suspeito do crime seria namorado da vítima. A defesa do acusado fala em tiro acidental.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana.
Além da DEAM, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180, é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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