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Cotidiano

VÍDEO: Com nível 25 cm abaixo do normal, falta de chuvas faz Rio da Prata sumir em MS

“Acreditamos que o nível deve continuar baixando, mas não deve secar”, afirma diretora
Liana Feitosa -
Instrutor mostra leito do Rio da Prata sem água. (Reprodução: Instituto Amigos do Rio da Prata).

A falta de chuvas em Mato Grosso do Sul “derrubou” o nível das águas e secou trechos do Rio da Prata, no oeste do Estado. Onde ele corre com abundância de água, o nível atual está 25 cm abaixo do normal e tem caído em torno de 1 cm por mês.

Muito importante para o ecoturismo na região das cidades de Bonito e Jardim, o rio é afluente do Rio Miranda e mundialmente famoso por suas águas cristalinas. 

A situação tem sido acompanhada por ambientalistas, institutos e também por empresários do setor de ecoturismo, que veem o cenário com preocupação.

O vídeo abaixo foi registrado no dia 22 de junho, na Ponte do Curé, em Jardim (271 km de Campo Grande). O instrutor de mergulho João Gomes, que faz parte da equipe do instituto Amigos do Rio da Prata, mostra trecho em que as águas desaparecem devido à falta de chuvas. Segundo ele, fenômeno parecido já aconteceu na região cerca de 25 anos atrás. 

Confira:

Turismo afetado

Segundo a diretora de sustentabilidade do atrativo Rio da Prata, Luíza Coelho, a seca está afetando principalmente o trecho inicial do rio, logo onde ele se forma após o banhado, acima da ponte do Curé com a rodovia MS-178.

“Nesta área o nível do rio realmente está muito baixo e praticamente seco. Nos outros trechos abaixo da ponte o nível está baixo, contudo, continua correndo normalmente”, detalha a diretora.

“Acreditamos que o nível deve continuar baixando um pouco, mas não deve secar, ou seja, não irá afetar gravemente os atrativos turísticos e a biodiversidade”, detalha Luíza.

Motivo do sumiço do rio

“Observa-se que, este ano, em janeiro e fevereiro o nível do rio não subiu como é comum. Assim, o nível atual está 25 cm abaixo do normal e tem caído em torno de 1 cm por mês”, detalha.

Apesar disso, o instrutor de mergulho João Gomes conta que, abaixo da Ponte do Curé, três nascentes fluem fortes, contribuindo para a manutenção do rio no restante do seu percurso e impedindo que as atividades turísticas da região sejam afetadas. 

“Duas delas estão na margem esquerda do rio, dentro de uma unidade de conservação. É uma área bem preservada, cercada, fechada e realmente preservada. E uma delas está do lado direito. Essa da direita é o Rio Olho D’Água, que também está dentro da unidade de conservação, totalmente preservada”, explica João.

Ele ainda conta que acima da ponte do Rio da Prata, aproximadamente sete quilômetros acima, o rio está com água, mas em algumas partes ele some nas pedras. A teoria é que ele ressurja em uma ou nessas nascentes abaixo, onde a água flui normalmente. 

“A gente percebe que, no país, a região Sul está com bastante chuva e, aqui nessa região, pouca chuva. Então nossa torcida é que logo venha a chuva para nos presentear novamente com a abundância de água”, completa. 

Preocupações antigas

Há anos a exploração da região é acompanhada por pesquisadores e ambientalistas, já que a Bacia do Rio da Prata representa o “elo entre a Serra da Bodoquena, de grande riqueza biológica, e o Rio Miranda.” 

Em dezembro de 2001, documento elaborado por pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Agropecuária Oeste, de Dourados, já constatava que as atividades econômicas na região impactavam a região. 

“A intensa intervenção antrópica ocorrida na região, sobretudo aquelas ligadas ao setor agropecuário e turístico, tem levado a crescentes níveis de degradação e contaminação dos seus recursos naturais, acarretando sérios desequilíbrios ambientais, o que tem comprometido, muitas vezes, a viabilidade econômica das atividades”, afirma trecho do documento. 

Influência do fenômeno na seca do Pantanal

“Além disso, essa ocupação desordenada tem implicado em grandes alterações na paisagem natural, causando impactos de diferentes naturezas nos recursos naturais, como desmatamentos, degradação e erosão do solo, assoreamento e contaminação dos mananciais, destruição das matas ciliares com danos ambientais e sociais de grande intensidade”, completa trecho do texto.

Os pesquisadores apontaram que essa bacia “contribui com suas águas para a formação do Pantanal mato-grossense, mas que também, devido à sua fragilidade, pode causar prejuízos ambientais irreparáveis se utilizada inadequadamente.”

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