Imagine que tudo que você tem é uma lasanha congelada, um pote de plástico, um aparelho de micro-ondas e um sonho. A vontade de saciar a fome fará você não questionar os riscos invisíveis a sua frente: muita gente não sabe, mas, a depender do tipo de plástico, esquentar a marmita no micro-ondas pode colocar sua saúde em risco.

É o que explica ao Jornal Midiamax Geisa Aspesi, química e doutora em Síntese Orgânica, da UCDB. Ela detalha que existem plásticos que, se derretidos ou aquecidos em excesso, podem liberar substâncias tóxicas mortais. Ou seja: esquentar o rango em determinados tipos de embalagens pode custar caro.

“Existem plásticos que não suportam altas temperaturas e que podem derreter, além de liberar substâncias tóxicas como a dioxina, besphenol A e ftalatos, contaminado os alimentos. Tais como papel ou PVC, que tem que ter sido liberado pela (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para poder ser aquecido. E também recipientes de iogurte ou de margarina”, explica.

As substâncias citadas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), podem acarretar prejuízos à saúde que vão desde a infertilidade ao risco de câncer.

plástico micro-ondas
Plásticos são classificados por símbolo na embalagem (Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax)

Como saber se é seguro ou não colocar o pote no micro-ondas?

O segredo para não colocar a saúde em risco na hora de esquentar o rango é ficar de olho nos símbolos utilizados nas embalagens, que vão do número 1 ao 7, e que aparece dentro de um triângulo. Esse símbolo indica o tipo de plástico é feito aquele material.

Conforme a especialista, os números 3 (PVC – policloreto de vinila), 6 (PS – Poliestireno) e 7 (policarbonato) não são seguros para ir ao micro-ondas. “São potencialmente cancerígenos e podem liberar besphenol A, que é uma toxina potencialmente mortal”, ressalta.

Já os plásticos classificados com os números 1 (PET – Tereftalato de polietileno), 2 (PEAD – Polietileno de Alta Densidade) e 4 ( PEBD – Polietileno de Baixa Densidade) são seguros. “Isso quando a eles é adicionado um fortificante químico que evita que eles derretam. Mas o seu grau de segurança é relativo pois podem deixar resíduos nos alimentos”, esclarece Geisa.

O classificado com o número 5 (PP – polipropileno) é o mais seguro para ser usado no micro-ondas, mas observando a sua integridade. “Quando ele começa a perder a sua forma original, é sinal de que está sofrendo decomposição e pode estar liberando resíduos de petróleo na comida. É sempre bom lembrar que a maioria dos plásticos é derivada do petróleo”, diz à reportagem.

Vai uma colinha aí:

pote micro-ondas
(Arte Jornal Midiamax)

E no frio?

Se quando derretido o plástico libera algumas toxinas, o que ocorre no caso das baixas temperaturas? Conforme Geisa, colocar o plástico a uma temperatura baixa, como a de um congelador, pode fazer ele sofrer modificações na sua estrutura química. Ou seja, ele se torna mais quebradiço e frágil.

“Em temperaturas baixas ocorre a contração das moléculas do plástico levando ao aparecimento de fissuras ou rachaduras, o que pode danificar o material e torná-lo impróprio para o armazenamento. Nessa situação não há liberação de substâncias tóxicas, como a dioxina – ela só se forma durante o processo de combustão do plástico”, explica Geisa.

Alimentos contaminados

Para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), materiais plásticos podem ser contaminantes para os alimentos em geral. Conforme a especialista, os utensílios usados no preparo ou armazenamento dos alimentos podem ser fontes de riscos à saúde.

“[…] fragmentos de plástico, rígido ou flexível, liberados por eles podem ser misturados ao alimento, principalmente durante o processo de cozimento”, ressalta. Além dos alimentos, os resíduos plásticos também contaminam os mares, o solo e a água doce, e podem ser introduzidos na cadeia alimentar por sua ingestão pelos animais e pelo homem.

plástico micro-ondas
Na dúvida, pesquise antes de esquentar sua comida (Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax)

Texto: Fábio Oruê/Jornal Midiamax