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Cotidiano

Não é só escovar os dentes: saúde bucal deve ser priorizada desde a infância, diz especialista de MS

Profissional ressalta que há problemas comuns desde o aparecimento dos primeiros dentes até a vida adulta
Karina Campos -
saude
Especialista reforça que não dá um único padrão de atendimento e recomendações preventivas gerais (Ilustrativa, Freepik)

Nesta sexta-feira (25), é comemorado o Dia Nacional da Saúde Bucal, data representativa da importância de hábitos de cuidado com a saúde bucal, que não se limitam apenas a escovar os dentes ou ter um sorriso bonito, pois estão relacionadas ao controle, tratamento e prevenção de doenças sistêmicas.

Há alguns problemas de saúde bucal mais comuns na infância, como a cárie, bruxismo e hábitos deletérios que levam a má oclusão, por exemplo, a sucção de dedo e chupeta. Em entrevista ao Jornal Midiamax, a Dra. Nielen Caroline Marinho Fernandes explica que essas condições podem estar relacionadas à genética, estresse, obstrução de vias aéreas superiores, síndrome da apneia obstrutiva do sono, hábitos para dormir, TDAH, fármacos e doenças neurológicas.

Essas são algumas das doenças bucais mais conhecidas pela população em geral e que estão diariamente nos consultórios odontológicos. Contudo, há uma doença que pode ser confundida com a cárie: a HMI (Hipomineralização Molar Incisivo), que ocorre quando o dente já nasce com defeito, ou seja, com aspecto de cárie.

“O responsável chega relatando: ‘Dra., o dente do meu filho parece estar fraco’, porque demonstra coloração amarelada e/ou acinzentada, é quebradiço e cavitado como se fosse a cárie. No , observamos uma prevalência de 40% dos pacientes. A literatura demonstra que a HMI, embora muitos fatores tenham sido investigados, ainda não tem sua etiologia clara; podendo estar relacionada a fatores sistêmicos associados a doenças nos primeiros anos de vida, destacando infecções do trato respiratório, febre alta, uso de medicamentos, condições gestacionais e ao nascimento, além de desnutrição”, descreve.

Assim, a patologia gera preocupação tanto ao profissional quanto à família, pois a criança já nasce com os dentes danificados, estando suscetível a repetidas restaurações, comprometimento estético, dor, tratamento de canal e até mesmo à perda do dente.

“Não existe cura. Existe apenas o controle da lesão para não deixar evoluir e alguns cuidados adicionais, como evitar alimentos muito rígidos, por exemplo. Um ótimo conselho para manter a saúde bucal em dia é: faça consultas de prevenção e mantenha a higiene bucal diária conforme a orientação profissional! O diagnóstico precoce ajuda a preservar a estrutura dental e evitar tratamentos invasivos”.

Problemas bucais são suscetíveis em qualquer faixa etária

Apesar da grande importância em cuidar da saúde bucal desde a infância, a Dra. salienta que as doenças bucais podem ocorrer em qualquer faixa etária, desde o aparecimento do primeiro dente.

Já os problemas mais enfrentados por adultos e idosos são os retratamentos, que podem evoluir para planejamentos mais invasivos, limitações na coordenação motora, ocasionando maior acúmulo de placa e, consequentemente, o aparecimento de novas doenças bucais. Também estão suscetíveis:

  • Lesões cervicais não cariosas (perda de estrutura dental);
  • Doença periodontal (tártaro);
  • Doenças sistêmicas (diabetes), que podem deixar o hálito cetônico e ocasionar hiperplasia gengival;
  • Uso de alguns medicamentos contínuos que alteram a cavidade bucal, como a xerostomia (boca seca pela falta de salivação natural), favorecendo ardência e também o mau hálito.

“É importante ressaltarmos a necessidade de promover a reabilitação oral, repondo dentes que possam ter sido perdidos ao longo da vida. Os pacientes que recebem reabilitação por próteses e/ou implantes orais conseguem obter uma melhor mastigação, absorção dos alimentos e nutrição adequada”.

Cuide-se

A Dra. Nielen reforça que não existe um único padrão de atendimento e recomendações preventivas gerais, pois os itens de higiene bucal e os agendamentos preventivos no consultório odontológico devem ser vistos conforme a necessidade do paciente e de forma individualizada.

“Generalizar a orientação de que todo cidadão deve ir ao dentista a cada 6 meses caiu em desuso. Existem pacientes que precisam retornar ao consultório trimestralmente, por exemplo. Quando pensamos em itens de higiene bucal e prevenção, devemos lembrar que esses fazem parte da prescrição profissional. Escolher produtos odontológicos sem a orientação do odontólogo pode levar a danos como retração gengival, desgaste dental, inflamação gengival, manchas, fluorose e sensibilidade, por exemplo”.

Outro ponto é que a prescrição preventiva profissional não se resume a saber se o creme dental tem flúor ou não; existem muitos detalhes que são avaliados em uma consulta para orientar o paciente.

“A indústria trabalha incansavelmente para despertar o interesse de compra e oferecer os melhores produtos, mas o paciente devidamente orientado consegue selecionar o que seu organismo necessita. Nós, odontólogos do SESC MS, estamos sempre a postos para promover saúde, qualidade de vida e bem-estar, orientando individualmente os nossos pacientes. Por esse motivo, não temos uma única prescrição para todos. As pessoas são diferentes, com rotinas e necessidades distintas; o produto prescrito e o tempo dos agendamentos odontológicos precisam atender à realidade de vida na qual estão inseridas”, finaliza.

A Lei nº 5.352/1967 instituiu o Dia Nacional da Saúde em ao médico e sanitarista Oswaldo Gonçalves Cruz, figura relevante na história do combate e erradicação das epidemias no Brasil. O objetivo da data é conscientizar as pessoas sobre a importância da educação sanitária e de manter um estilo de vida saudável.

Serviço gratuito em Campo Grande

Em Campo Grande há atendimento odontológico nas 74 Unidades de Saúde de Atenção Primária, 6 Centros de Especialidades Odontológicas, 2 Policlínicas Odontológicas, duas Unidades Móveis Odontológicas e uma Unidade Móvel de Prevenção. Além disso, está presente em todas as 10 unidades de urgência de Campo Grande, oferecendo atendimento odontológico de urgência e emergência, sendo elas as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde).

No período de janeiro a setembro de 2024, a Prefeitura Municipal de Campo Grande ofertou um total de 398.613 atendimentos odontológicos à sua população, segundo a (Secretaria Municipal de Saúde), conforme dados da CRAO (Coordenadoria da Rede de Atenção Odontológica).

O usuário que necessitar dos serviços de Saúde Bucal deve dirigir-se à unidade de Atenção Primária em Saúde mais próxima de sua residência para agendamento da primeira consulta. Após avaliação e atendimento, o usuário poderá dar continuidade ao tratamento na própria unidade de saúde ou, caso seja necessário, ser encaminhado para os CEOs, via Sisreg (Sistema de Regulação Ambulatorial). A agenda das equipes baseia-se no atendimento pela demanda espontânea, programada, e urgências no âmbito da atenção primária, sendo definida pela equipe seguindo critérios de risco e vulnerabilidade.

Atualmente são 2 Policlínicas Odontológicas (CAIC, Universitário) que atendem escolares de 0 a 19 anos, que até o mês de setembro de 2024 realizaram um total de 12.497 atendimentos odontológicos voltados a esta clientela.

Como ter acesso?

A porta de acesso para o tratamento odontológico na Rede são as Unidades de Atenção Primária em Saúde, que estão situadas próximas às residências dos cidadãos campo-grandenses e são responsáveis pelo atendimento odontológico. O programa tem como objetivo oferecer à população usuária do SUS assistência odontológica básica, envolvendo ações de prevenção, promoção, proteção de saúde e reabilitação da saúde em diferentes áreas da Odontologia.

Com a expansão da Atenção Primária, e o consequente aumento da oferta de diversidade de procedimentos, o usuário será encaminhado para dar continuidade ao seu tratamento, garantindo o acesso aos níveis secundário e terciário de atenção nos Centros de Especialidades Odontológicas, Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias.

Os CEOs (Centros de Especialidades Odontológicas) estão preparados para oferecer à população o diagnóstico bucal, com ênfase na detecção de câncer da boca, periodontia especializada, cirurgia oral menor dos tecidos moles e duros, endodontia, atendimento à pessoa com deficiência, odontopediatria, radiologia, prótese e DTM. Todas as especialidades odontológicas são reguladas pelo Sisreg. Atualmente são 6 CEOs:

  • CEO III “Dr. Nasri Siufi” – localizado no Complexo CEM no bairro São Francisco;
  • CEO II “Dr. Édio Figueiredo” – localizado no bairro Guanandy;
  • CEO II “Dra. Maria de Lourdes Massako Minei” – localizado no bairro Cidade Morena;
  • CEO II “Dr. Rudá Azambuja dos Santos” – localizado no bairro Silvia Regina;
  • CEO II “Dr. José Carlos Ortolan Júnior” – localizado no bairro Nova .”
  • CEO II “ Dr. Mário Gonçalves da Costa Lima”, antiga Policlínica Santa Emília – localizado no São Conrado

*Dra. Nielen Caroline Marinho Fernandes, com o CRO/MS 4818

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