O beijo é um ato milenar de demonstrar afeto por quem se ama. Do carinho à atração sexual, beijar é comum na sociedade em que vivemos, mas em alusão a 13 de abril, quando se comemora o Dia Internacional do Beijo, o alerta é sobre as doenças silenciosas e perigosas que podem ser transmitidas na troca de saliva.

É claro que o beijo é bom e cientificamente indicado. Segundo a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, o beijo na boca libera testosterona, principal hormônio responsável pela libido e pela atração sexual. Também é uma forma de vínculo entre um casal, mas estar atento às feridas ajuda a evitar a transmissão de doenças.

Recentemente, a apresentadora Ana Maria Braga falou publicamente sobre o segundo diagnóstico de câncer que teve, proveniente do HPV. A doença evoluiu rápido e a famosa enfrentou uma verdadeira luta contra o câncer e o – até então, desconhecido – HPV.

O papilomavírus humano é uma doença sexualmente transmissível e que pode infectar boca, órgãos genitais e anus. Basta uma relação sexual desprotegida com alguém infectado para que o HPV seja transmitido. Mas, e no beijo, como se proteger?

De olho nas lesões

A professora Doutora Fernanda Oliveira Santiago, docente do curso de Odontologia e responsável pela disciplina de Patologia Oral, explica que quando atinge a boca, o HPV forma lesões nodulares e parecidas a um caroço de tecido endurecido ao toque, são brancas e lembram aspecto de couve-flor.

Há maior chance da doença atingir a língua e os lábios. Existem diversos tipos de HPV, sendo alguns responsáveis por câncer. Para se proteger, a regra é autocuidado. Responsabilidade por parte de quem apresenta feridas na boca é o primeiro passo para evitar a transmissão. O segundo é não beijar alguém que esteja com lesões na boca.

“A prevenção é o autocuidado dos parceiros, bem como uso de camisinha no sexo oral. Fique atento a qualquer lesão que apareça na boca, mesmo que não tenha dor, e procure um médico. Lesões que não cicatrizam, mesmo após 15 dias, também são um grande alerta para doenças”, explica a Dra. Fernanda Oliveira Santiago.

Em caso de aparecimento de qualquer sintoma, um médico deve ser procurado para o devido diagnóstico e tratamento. Fique atento aos sintomas do HPV na boca:

  • Lesões ou pequenas verrugas esbranquiçadas, na boca ou na garganta, que podem se juntar e formar placas;
  • Feridas de cor branca, vermelha-clara ou da mesma cor da pele;
  • Aftas frequentes na borda da língua, bochechas ou céu da boca;
  • Dor de garganta constante;
  • Dificuldade para engolir;
  • Rouquidão;
  • Tosse com sangue;
  • Dor de ouvido constante;
  • Íngua no pescoço;
  • Garganta inflamada recorrentemente.

Existe vacina contra o HPV

Ponto crítico do HPV é que pode não apresentar sintomas imediatamente após a infecção. E é por isso que se proteger é importante. A maneira mais eficaz e disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) é a vacinação de crianças e adolescentes, para quem a vacinação é disponível.

Segundo o , em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho nu). A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões.

A maioria das infecções (sobretudo em adolescentes) tem resolução espontânea, pelo próprio organismo, em um período aproximado de até 24 meses. As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem entre, aproximadamente, 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção.

Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a estratégia de vacinação contra o HPV para dose única. No SUS, podem se vacinar pessoas entre 9 a 14 anos. Além de pessoas com imunocomprometimento, vítimas de violência sexual e outras condições específicas, conforme disposição do PNI (Programa Nacional de Imunizações), podendo receber a vacina até os 45 anos.

Outras doenças transmissíveis pelo beijo

A professora Dra. Fernanda Oliveira Santiago explica que as doenças virais são as que mais geram lesões na boca, por contato via saliva no beijo ou contato via ferida aberta do paciente portador.

Das virais a mais comum é a mononucleose infecciosa (famosa e popularmente chamada de Doença do beijo), apresenta lesões ulcerativas (grandes aftas) em região de céu da boca e garganta, e é transmitida pelo contato salivar tanto do beijo quanto compartilhamento de utensílios como o famoso tereré.

Outra doença viral comum é o Herpes Simples, o qual também é transmitido por contato com o parceiro(a) que tenha a ferida na boca. Já no mundo dos fungos, comum na cavidade oral é o famoso “sapinho”, a candidíase pseudomembranosa é comum, são transmitidas também por contato, e a maior característica são lesões brancas, as quais quando passamos a gaze elas saem, são destacáveis, e ocorrem principalmente em lábios, língua e região interna de bochecha.

 O beijo pode transmitir doenças tanto via saliva quanto via contato com feridas abertas do paciente com a doença. Outras doenças comuns são um simples resfriado, até as mais graves que envolvem infecções sexualmente transmissíveis. (Com informações da Agência Brasil e Tua Saúde)