A nova vacina contra dengue, a Qdenga, já está disponível nos laboratórios particulares de Campo Grande e apresenta uma variação de preço que pode chegar a mais de R$ 300. Liberado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), imunizante é produzido pela farmácia japonesa Takeda e tem eficácia comprovada de 80% nos estudos clínicos.

Segundo a Associação Brasileira de Clínicas de Vacina, a Qdenga é a segunda vacina para dengue registrada no Brasil e a primeira a ter ampla oferta para a população, isso porque o imunizante contempla os quatro tipos de vírus da dengue.

Diante da disponibilização da nova vacina na rede particular, o Jornal Midiamax fez uma ronda de preços da vacina. Todos os lugares procurados informaram que o imunizante é ofertado em duas doses, ministradas em um intervalo de 90 dias.

O Laboratório Bioclínico, por exemplo, tem a nova vacina a partir de R$ 249 a dose, equivalente a R$ 498 as duas. Enquanto isso, é possível encontrar a vacina na Imunitá com valor da dose variando de R$ 505 a R$ 595, dependendo de convênio e forma de pagamento.

Na clínica Imune Life, valor é de R$ 508 a R$ 503 por dose. Já na Vaccini imunizante varia de R$ 585 a R$ 605 a dose. No site da Sabin, as duas doses da vacina Qdenga são vendidas a R$ 836. Não é necessário agendar consulta em nenhuma das clínicas. Assim, o novo imunizante é aplicado mediante ordem de chegada.

É importante ressaltar que o imunizante vem como uma nova possibilidade de se proteger contra a dengue, reconhecida como uma das principais causas de doenças graves com morte em crianças em alguns países da Ásia e da América Latina.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informa não existir tratamento específico para as formas de dengue e recomenda, além da vigilância epidemiológica, o diagnóstico e atendimento médico precoces e adequados para redução da mortalidade.

Nova vacina

Mato Grosso do Sul registrou 33.841 casos de dengues em 2023. Conforme último boletim epidemiológico divulgado pela SES em 27 de junho, Estado teve 30 óbitos confirmados pela doença e 9 em investigação.

Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Clínias de Vacina diz que o imunizante apresenta 80% de eficácia nos estudos, sendo a segunda contra a doença registrada no Brasil e a primeira a ter ampla oferta para a população.

O medicamento não é indicado para pessoas com hipersensibilidade à substância ativa ou qualquer excipiente contido na vacina, ou doses anteriores; pacientes com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aqueles recebendo terapias imunossupressoras tais como quimioterapia ou altas doses de corticosteroides sistêmicos, por exemplo, 20 mg/dia ou 2 mg/kg/dia de prednisona por duas semanas, ou mais, dentro de quatro semanas anteriores à vacinação, assim como ocorre com outras vacinas vivas atenuadas; gestantes e mulheres em período de amamentação.

Segundo a Agência Brasil, os preços máximos foram definidos pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e variam de acordo com a carga tributária de cada Estado. Ainda conforme a precificação de cada estabelecimento, além da dose, será levado em conta o atendimento, triagem, análise da caderneta de vacinação, pós e pré-vacina.

Para ser disponibilizada no SUS (Sistema Único de Saúde), a vacina será avaliada pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), processo que costuma ter duração média de seis meses para avaliação da eficácia e custo-benefício. Conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande, após esta análise é deliberada pela implementação ou não no PNI (Plano Nacional de Imunização).

“Houve uma liberação por parte da Anvisa, mas depende deste processo a disponibilidade vai depender de todo este movimento”, explica a Sesau.

Participação da UFMS

Aprovada desde março, a Qdenga tem participação de pesquisa da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian. Segundo a universidade, a coordenadora do curso de Medicina, a médica pediatra Ana Lúcia Lyrio Oliveira, coordenou o estudo fase 3 da vacina para dengue da Takeda na UFMS, quando se verifica a eficácia e as reações adversas.

O estudo começou em 2016 e teve a participação de três professores médicos, quatro alunos da pós-graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias, três acadêmicos e três residentes de infectologia. Além de profissionais contratados pela Fapec com verba do patrocinador. Foram utilizados testes em voluntários de quatro e 17 anos.

A eficácia contra a dengue para todos os sorotipos combinados entre indivíduos soronegativos para dengue, sem infecção anterior pelo vírus da dengue, foi de 66,2%. Já para os indivíduos soropositivos, indivíduos que tiveram infecção anterior pelo vírus dengue o índice foi de 76,1%.

“Individualmente, a eficácia calculada contra o sorotipo DENV-1 foi de 69,8%, contra o sorotipo DENV-2 foi de 95,1% e contra o sorotipo DENV-3 foi de 48,9%. Para o sorotipo DENV-4, o reduzido número de casos identificados durante os estudos não permitiu estabelecer um resultado de eficácia de forma estatisticamente relevante. Adicionalmente, no caso específico da DENV-3 o resultado de eficácia para indivíduos soronegativos não se mostrou satisfatório”.

Por fim, a eficácia atingiu valor global de 80,2%, calculado a partir da comparação dos resultados dos participantes que receberam a vacina e dos que receberam placebo, para todos os 4 sorotipos, e contabilizando todos os casos de dengue identificados, seja em indivíduos soropositivos ou soronegativos.