Com explosão de mortes e de casos confirmados de chikungunya no Paraguai, Mato Grosso do Sul também entra no radar de alerta da doença enquanto traça estratégias conjuntas no combate ao mosquito Aedes aegypti.

Entre a manhã e a tarde desta quinta-feira (23), profissionais da saúde dos 79 municípios e equipes técnicas do Paraguai participam de capacitação em Campo Grande. No encontro, que também conta com servidores do Ministério da Saúde, serão compartilhadas estratégias de controle à doença e ao mosquito.

“Esse contato com País vizinho tem objetivo de fortalecer medidas de controle, prevenção, monitoramento e vigilância da doença, até porque, o mosquito não sabe se é paraguaio ou brasileiro e as equipes e população precisam estar preparadas”, comentou a secretária-adjunta da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Christine Maymone.

Secretária-adjunta da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Christine Maymone. (Foto: Nathalia Alcântara / Midiamax)

Segundo ela, profissionais especializados vão ensinar técnicas que começam no controle e armadilhas para o mosquito, até a identificação de casos, monitoramento da doença e atendimento clínico dos pacientes. 

Atualmente, nove cidades de Mato Grosso do Sul já confirmaram casos de chikungunya, além disso, o Estado tem predominância de dengue tipo 1.

“A dengue também preocupa. Somos o segundo estado prioritário por incidência da dengue no País. Também é preciso lembrar que, no caso da chikungunya, estudos têm apontado uma série de sequelas que obrigam um acompanhamento de meses e até anos no processo de recuperação das dores”, detalhou Maymone.

E a população?

Com o empenho do Poder Público no combate à dengue e à chikungunya, a SES também chama a população para a responsabilidade individual de cada morador na soma de esforços. 

“Somos um Estado praticamente endêmico, temos alterações climáticas e as pessoas têm que se adequar a essas novas situações de epidemias e de surto. Agora, deixa de ser apenas uma questão sazonal pelo aumento de chuvas e passa a ser preocupação constante da população”, esclarece a secretária adjunta.

Apesar da necessidade, evidenciada anos após anos, Maymone afirma que muita gente tem deixado a desejar. “Nós enquanto cidadãos ainda estamos bastante atrasados nos impactos que geramos ao meio ambiente dentro de casa. Precisamos resgatar o autocuidado da educação ambiental para realmente conseguir minimizar os impactos em relação ao meio ambiente”, finaliza. 

Colapso no Paraguai

Apenas entre os meses de janeiro e março, o total de mortes em decorrência de surto de chikungunya no Paraguai chega a 45. Durante todo o ano passado, foram registrados 53 óbitos. Com isso, as autoridades do país vizinho estão em alerta.

Um relatório divulgado pela Diretoria de Vigilância em Saúde do Paraguai indica que nas últimas três semanas foram registrados 11.467 casos de chikungunya e 235 casos de dengue. Os casos suspeitos da doença totalizam 18.748. 

Segundo as autoridades sanitárias, em 2023, foram registrados 38.583 casos de chikungunya, entre prováveis ​​e confirmados. Nos últimos dias, o sistema público de saúde registrou 1.689 internações por casos de chikungunya e 27 por dengue. 

O maior número de internados está em Assunção, no Departamento Central. Entretanto, a doença também avança em outras cidades como Pedro Juan Caballero e preocupa os agentes brasileiros.

Atualmente, quem mais necessita de internação nas cidades paraguaias são os idosos com mais de 60 anos, sendo a maioria do sexo feminino. Em seguida, aparecem as pessoas entre 20 e 39 anos. Já entre as crianças, os contaminados estão com idade entre 5 e 14 anos.

Com o crescimento de casos de dengue e chikungunya no Paraguai, as cidades sul-mato-grossenses que estão localizadas na fronteira têm alertado os moradores para adotarem medidas preventivas.