Parte dos funcionários da Santa Casa de Campo Grande continua com os braços cruzados na tarde desta quinta-feira (9) e paralisação deve ir até às 18h. 

A decisão de permanecer em assembleia continuada até o fim do dia, como foi realizada na manhã de hoje em que cerca de 250 trabalhadores paralisaram as atividades, foi tomada em uma assembleia geral dos trabalhadores. 

O grupo reivindica o pagamento do salário de fevereiro, que deveria ter sido feito até o quinto dia útil deste mês, ou seja, até a última terça-feira (7). 

De acordo com a administração do hospital, a Prefeitura Municipal de Campo Grande até o momento não realizou o pagamento de R$ 14,362,116,57 referente ao serviço prestado ao município em fevereiro, o que emperrou o salário dos 3,6 mil funcionários celetistas. 

Segundo o presidente do Sintesaúde (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), Osmar Gussi, a categoria pretende votar indicativo de greve na manhã de sexta-feira (10), caso o dinheiro não caia antes na conta dos trabalhadores.

“Nós falamos com o secretário Sandro Benites [Sesau – Secretaria Municipal de Saúde] na manhã de hoje e ele disse que está tomando as providências para fazer o pagamento, mas não temos nada de concreto”, ele afirma. 

O Sintesaúde e o Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) organizaram os trabalhadores em assembleia continuada, sistema em que 250 funcionários de diversas áreas cruzam os braços, enquanto os demais continuam o atendimento à população. A Santa Casa tem 701 pacientes internados nesta quinta-feira.

O que diz a Santa Casa?

O pagamento da folha de pagamento é realizado pela Santa Casa e o hospital afirma que depende da quitação do serviço feito para a Prefeitura para que o dinheiro caia na conta dos trabalhadores. 

De acordo com a presidenta da Santa Casa, Alir Terra Lima, o atraso no pagamento da prestação de serviço é recorrente por parte do executivo municipal.

“A Santa Casa é um hospital privado que presta serviço para o município mediante uma contratualização. O contrato tem data certa para ser feito o pagamento de serviços realizados no período anterior e o que ocorre? Quando há o atraso desse pagamento, e esse pagamento deve ser feito até o final do mês, ele acaba não sendo feito na data que deveria ser feita. Quem é prejudicado? É a população”, explica a presidenta do hospital. 

O pagamento dos serviços prestados à população e que deveriam ser feitos pelo poder público somam R$ 14.362,116,57 referente ao mês de fevereiro, sendo R$ 5,27 milhões pré-fixados da Prefeitura e R$ 9,10 milhões pré-fixados de competência do Governo de Mato Grosso do Sul. 

“O Estado faz o repasse para o município e o município precisa fazer o pagamento da parte dele e da parte do Estado para o hospital porque, como a administração da saúde pública é plena do município, então é o município que faz o pagamento para a Santa Casa”, explica a presidenta do hospital. 

O que diz o município e Estado?

O Midiamax solicitou notas à Prefeitura de Campo Grande e ao Governo de Mato Grosso Sul sobre o atraso no pagamento dos serviços prestados.

Confira abaixo a nota da Prefeitura:

“A Sesau informa que recebeu na data de ontem um indicativo de greve que afetaria parte dos atendimentos na Santa Casa, informando que este aconteceria em decorrência da falta de pagamento. Importante ressaltar ainda que a Prefeitura contratualiza somente os serviços com hospital e não possui vínculo empregatício com os funcionários. Desta forma, cabe ao hospital arcar com tais despesas. De toda forma, a Secretaria deve regularizar os repasses pré-fixados nos próximos dias e manter o contato com a equipe da administração do hospital com o intuito de regularizar a situação dos demais repasses a serem feitos”.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) enviou nota informando que a “ordem de pagamento que será
realizada nesta quinta-feira (9), refere-se ao valor de convênio repassado mensalmente ao Hospital Santa Casa de Campo Grande”.

*Editada às 17h11 para acréscimo de posicionamento da SES