A viagem de ‘estreia’ da Rota Bioceânica terminou em fiasco após o primeiro caminhão de carga, que percorreria o trajeto, ser barrado antes mesmo de sair de Mato Grosso do Sul. Após quatro dias parado na alfândega da Receita Federal de Ponta Porã, a 323 quilômetros de Campo Grande, a carga frigorífica retornará à Capital.

O caminhão, carregado com 12 toneladas de bovina do frigorífico Friboi, da JBS, foi barrado na alfândega na última sexta-feira (24), devido à falta de documentação. A expectativa era que o veículo chegasse ao Porto de Iquique, no Chile, nesta quarta-feira (29), no entanto, a carga chegou à fronteira com o Paraguai sem nenhuma documentação para exportação e sequer deu entrada na aduana.

A volta do caminhão foi confirmada pelo diretor administrativo do Setlog (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística de MS), Dorival Oliveira. Segundo ele, a carga aguarda liberação no pátio da Receita Federal.

“Essa carga irá voltar a Campo Grande. Ainda não retornou porque a documentação está na Receita Federal, e será necessário cancelar a exportação”, esclareceu.

Apesar de todos os entraves da documentação, o Setlog argumenta que o motivo do retorno da carga é a falta de estrutura das estradas no trecho que compreende o Paraguai. O Sindicato, responsável pelo veículo, também afirma que a volta do caminhão visa preservar a integridade da carga.

“O trecho do Paraguai está sem condições de passagem. Atolamos algumas picapes, nem veículos 4×4 estão passando, então seria impossível um caminhão desse tipo fazer uma passagem na estrada. Vamos aguardar a estrada secar e ser arrumada”, explicou Dorival.

Caminhão de carga
Caminhão saiu de Campo Grande na última quarta-feira (22)

‘Erro burocrático’

Questionada sobre os problemas com a documentação, a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), pasta que encabeça a expedição, afirmou que a viagem foi impedida devido a um erro burocrático, mas que imprevistos já eram esperados.

“A atual missão foi programada justamente para apontar todas as dificuldades e burocracias existentes ao longo da Rota Bioceânica, com intuito de mensurar os desafios e apontar soluções”, disse em nota.

‘Evidente falta de preparo’

Caminhão JBS
Caminhão que inaugura a Rota Bioceânica (Divulgação, Semadesc)

Para a Receita Federal, o problema reflete a falta de preparo e organização da equipe responsável pela Rota Bioceânica.

“O caminhão chegou na sexta-feira (24), às 16h, e não tinha nenhum documento para exportação. Esses documentos começaram a ser elaborados a partir da primeira hora desta segunda-feira (27), sendo que foi contratado um despachante para realizar esse trabalho”, disse em nota.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, um representante da Receita Federal em Ponta Porã esclareceu que há dois meses, em 19 de setembro, houve uma conversa preliminar com a equipe da Rota Bioceânica, quando foram dados direcionamentos sobre a documentação necessária para que a carga fosse enviada ao Chile.

Para sair do Brasil e cruzar o Paraguai e a até o Chile, a carga precisa de habilitações dos três países, além da documentação necessária à exportação. Porém, os trâmites não foram seguidos pelas equipes do Setlog e da Semadesc.

Já a empresa JBS informou que apenas a carga pertence a eles, enquanto o caminhão e a documentação estão sob responsabilidade do Setlog.

Expedição com 100 pessoas não evita ‘mico diplomático’

Equipe passou por San de Jujuy, na Argentina, na segunda-feira (28) Foto: Divulgação, Semadesc

A viagem que começou na última sexta-feira (24) é a terceira expedição da Rila (Rota de Integração Latino-Americana), que tem objetivo de percorrer todo o trajeto da rota bioceânica, de Campo Grande até Iquique, no Chile.

Neste ano, 30 veículos e 100 pessoas participam da expedição, entre eles políticos caronistas que deixam a atuação nos cargos de origem para participar da viagem que protagoniza ampla ação de marketing.

Neste domingo, a viagem teve incidentes envolvendo caminhonetes atoladas em estradas com poucas condições de tráfego para veículos pesados.

A agenda dos próximos dias será intensa, a previsão é que o grupo só retorne para Campo Grande no dia 5 de dezembro.

Rota Bioceânica

Foto: Edemir Rodrigues/Governo de MS

A Rota Bioceânica encurtará a distância para as exportações e importações brasileiras entre mercados potenciais na Ásia, Oceania e Costa Oeste dos Estados Unidos. Também integrará a América do Sul e transformará Mato Grosso do Sul em um hub logístico, um centro de distribuição de mercadorias.

Mato Grosso do Sul é o coração da rota, que vai seguir pela cidade de Porto Murtinho; cruzará o território paraguaio por Carmelo Peralta, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo.

Depois irá atravessar por território argentino as cidades de Misión La Paz, Tartagal, Jujuy e Salta; ingressando no Chile pelo Passo de Jama, até alcançar os portos de Antofagasta, Mejillones e Iquique.

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