O período chuvoso, nesta época do ano, reacende o alerta para o mosquito-da-dengue, chikungunya e zika vírus, o Aedes aegypti. Com isso, os olhares se voltam para lugares com água parada e, geralmente, sem manutenção ou cuidados.

Nesse contexto, as casas abandonadas viram foco – da atenção da população e possivelmente também de dengue. No Bairro Coophatrabalho, região do Imbirussu de Campo Grande, uma residência desperta a preocupação dos moradores do entorno por conta da falta de manutenção.

O principal ponto e alvo de reclamações é a piscina sem nenhum tipo de proteção, que fica aos fundos da casa. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, responsável pelo imóvel não limpa o terreno com frequência.

Entretanto, dias antes da reportagem ir até o local, o proprietário fez a ‘limpeza anual’. Mas a situação anterior era de mato alto e piscina cheia de água suja. “Antes dessa limpeza, a última tinha sido no começo do ano passado [2022]”, diz uma fonte.

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Piscina antes da limpeza (Foto: Fala Povo/Jornal Midiamax)

Vale ressaltar que a identidade de todas as pessoas ouvidas pela reportagem será preservada para evitar represálias. “Ela limpou, mas do jeito que está chovendo a piscina vai encher de novo. Aqui em casa já está cheio de mosquito; vem até cobra”, conta.

Há 12 anos no local, a pessoa revela que a residência está passando por uma obra ‘interminável’ e que há anos ela não é habitada. Ainda conforme ela, vários outros moradores da região denunciam o imóvel.

“Parece que ela advinha que a gente denuncia, vem e limpa. Aí a fiscalização vem e está tudo lindo, mas no resto do ano é uma sujeira”, opina. O problema crônico afeta toda uma área de grande extensão, já que o Aedes aegypti pode percorrer longas distâncias.

Com o calor que faz na cidade, as piscinas – de todo tipo ou tamanho – são motivo de alegria. Mas, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), a atenção deve ser redobrada, pois também se trata de um dos lugares favoritos do Aedes.

Sendo assim, a orientação é que piscinas e fontes devem ser limpas e tratadas com o auxílio de produtos químicos específicos.

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Mata também estava tomando conta da residência (Foto: Fala Povo/ Jornal Midiamax)

Ratos e escorpiões

Ainda sobre o mesmo imóvel, outra pessoa, que também prefere não ser identificada, diz que já sofreu com escorpiões em casa, que podem ter vindo do local com falta de manutenção. “Aqui a região já é uma das que mais tem escorpiões. Quando eu mudei aqui, assustei porque achei muitos escorpiões”, revela.

Além disso, por conta da sujeira acumulada, a presença de ratos também já incomodou. “Vinha cada ratazana enorme aqui em casa. Precisa só de um ‘montinho’ de entulho para rato fazer ninho e lá tinha muito”, diz uma outra moradora do entorno.

Dengue em Campo Grande

Segundo o último LIRAa (Levantamento Rápido do índice de Infestação por Aedes aegypti), a área onde fica a casa está sob responsabilidade da UBS (Unidade Básica de Saúde) Albino Coimbra e está com Índice de Infestação Predial em 0,9% – considerado satisfatório.

Conforme o levantamento, divulgado neste mês de janeiro, cinco áreas de Campo Grande foram classificadas com risco para infestação do Aedes aegypti: Vida Nova, Seminário, Coophavilla, Silvia Regina, Cidade Morena e Batistão. Outras 40 áreas estão em alerta e 25 apresentam índices satisfatórios. O LiRAa completo pode ser consultado clicando aqui.

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Agentes de Saúde (Foto: Divulgação/PMCG)

Do dia 1º a 23 de janeiro foram confirmados 335 casos notificados e 22 casos confirmados de dengue em Campo Grande, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Em 2022, foram 8.225 casos confirmados e sete óbitos provocados pela doença.

Mosquito Zero

Na última semana, a Prefeitura de Campo Grande lançou a 4ª etapa da campanha de combate ao Aedes aegypti – Operação Mosquito Zero. Os trabalhos estão concentrados na Região Urbana do Prosa.

Conforme o balanço parcial da CCEV (Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais) do dia 18 a 25 de janeiro foram inspecionados 2.511 imóveis, recolhidos 3.013 depósitos e identificados e eliminados 148 focos do Aedes aegypti.

Cerca de 200 agentes de combate às endemias estão mobilizados na inspeção de casas e terrenos baldios, além do recolhimento e eliminação de materiais inservíveis potenciais criadouros do mosquito e orientação dos moradores em relação às medidas de prevenção.

Nas três etapas já realizadas da campanha, foram inspecionados 25.817 imóveis, 14.725 depósitos recolhidos e 819 focos eliminados, nas regiões Segredo, Anhanduizinho e Bandeira. A previsão é de que a campanha Operação Mosquito Zero se estenda até o final do mês de fevereiro, contemplando as sete regiões urbanas do Município.

A campanha anterior, realizada em maio deste ano, teve mais de 59 mil criadouros eliminados e 2.239 focos eliminados. A Operação Mosquito Zero é realizada em Campo Grande desde 2019, quando o município registrou mais de 40 mil casos de dengue.

Como denunciar?

A prefeitura tem o Disque-dengue para tornar mais fácil o recebimento de denúncias sobre locais caracterizados como possíveis focos do mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya.

O serviço conta com o número para atendimento de ligações (67) 2020-2074 e o WhatsApp (67) 99230-2359. O horário de atendimento é de segunda a sexta das 7h às 11h e de 13h às 17h.

Pelo aplicativo é possível que qualquer pessoa envie fotos e vídeos, que serão consideradas provas documentais e servirão de auxílio ao Poder Público. A pessoa que fizer a denúncia deverá informar o endereço onde se localiza o possível foco do mosquito, sem necessidade de se identificar.

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Casa no Coophatrabalho está trancada (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Nos casos em que os locais estão abandonados, os fiscais notificam os proprietários para que regularizem a situação de seus terrenos, com a finalidade de exterminar focos e criadouros do mosquito.

Quando não há um retorno por parte do proprietário, a Coordenadoria de Combate a Endemias Vetoriais entra em ação no imóvel com o apoio de chaveiros, guarda civil metropolitana e outras entidades, sendo de responsabilidade do dono do local arcar com tais custos.

Orientações

Caixas d’água, cisternas, tonéis, tambores e filtros necessitam ser tampados. Até mesmo reservatórios de eletrodomésticos devem passar por uma vigilância frequente, como é o caso de geladeiras e climatizadores.

Verifique se a sua geladeira tem um coletor de água do degelo automático (fica na parte de trás, perto do motor). Caso tenha, é preciso limpar com água e sabão a bandeja onde a água é acumulada, pelo menos uma vez por semana. No caso de climatizadores ou aparelhos de ar-condicionado, é necessário retirar o compartimento, esvaziá-lo e lavá-lo.

Ralos limpos e com aplicação de tela evitam o surgimento de criadouros. Além disso, é importante saber que a água com larvas não deve ser derramada em ralos ou na pia – lugares que podem gerar acúmulo –, e sim na terra ou no cimento quente.

Um modo de prevenir criadouros é descartar objetos no lugar correto e levar o lixo para fora de casa somente no dia da coleta, por exemplo. Recipientes e sacos plásticos, garrafas, latas, sucatas, ferro-velho, entulhos em construção; tudo isso pode ser foco de Aedes.

Furar o fundo das latas e, se possível, amassar; tampar latas de tinta e deixá-las em local adequado; enviar sacos plásticos para reciclagem; amassar copos descartáveis; e manter garrafas com tampas ou viradas para baixo são algumas medidas que podem ajudar a eliminar o acúmulo de água.