O atendimento nas unidades de saúde de segue normal na manhã desta segunda-feira (27), mesmo diante da greve do setor de enfermagem municipal que inicia hoje. A previsão é que 70% da categoria cruzem os braços, enquanto 30% continuam trabalhando. 

O Jornal Midiamax percorreu algumas unidades de saúde nesta manhã. Em algumas unidades, gerentes informaram que os profissionais só devem paralisar a partir das 10 horas, quando está marcada manifestação em frente ao Paço Municipal.

Por volta das 8 horas, o atendimento seguia normal em pelo menos três unidades de saúde visitadas pela reportagem.

A categoria decidiu entrar em greve após assembleia geral do Sinte/PMMCG (Sindicato dos Trabalhadores Públicos em de Campo Grande) da última quinta-feira (23). 

Os enfermeiros e técnicos em enfermagem solicitam à Prefeitura de Campo Grande a negociação sobre o adicional de insalubridade, enquadramento no Plano de Cargos e Carreira da categoria e implementação do Piso Nacional da Enfermagem.

Segundo Ângelo Macedo, presidente do Sinte/PMCG, a greve respeita a legislação e apenas 30% dos trabalhadores continuam em atividade, enquanto 70% paralisam.

Várias unidades de saúde em diferentes pontos da cidade usam mesma frase em cartaz. (Foto: Leitor Midiamax)

Atendimento segue normal

A ação judicial sobre a greve informa que o movimento paredista iniciaria às 8h desta segunda-feira, mas parte das unidades de saúde estendeu o horário de atendimento em solidariedade à população.

Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Universitário, o atendimento à população seguia normalmente de manhã, com a recepção vazia, já que a maioria dos pacientes havia passado pela triagem e aguardava o atendimento médico. 

Contudo, mesmo com o clima calmo e atendimento normal até o momento, na UBS está estampada uma faixa que avisa “Enfermagem em greve” e “Não à violência”. O mesmo cartaz foi colocado em outras unidades de saúde, como a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida, UPA Santa Mônica, USF noroeste USF Oliveira II e USF Sírio Libanês.

Unidades de saúde seguem com atendimento normal em primeiro dia de greve. (Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax)

A gerência da unidade relatou ao Midiamax que foi informada que a greve inicia às 10h de hoje, então as consultas seguiam sem restrições. 

Já na UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família), no Jardim Itamaracá, a situação não é diferente, com atendimento normal e pacientes aguardando a consulta médica. 

Um casal e os três filhos, com sintomas gripais e que já tinham passado pela triagem, contou que não sabia da greve da enfermagem, mas que continuaria aguardando a consulta médica. 

A gerência conta que recebeu a informação que a paralisação iniciaria às 8h, porém os trabalhadores estenderam o atendimento em apoio à população. 

Pacientes aguardam atendimento médico. (Foto: Henrique Arakaki)

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida, a previsão é que a greve também inicie a partir das 10h em benefício aos pacientes. O local segue com atendimento tranquilo.

A mãe de uma menina de três anos, que preferiu não se identificar, conta que trouxe a filha devido a sintomas gripais. A mulher afirma que também não sabia sobre a greve, mas que torcia para que a consulta fosse rápida.

“Nós estamos esperando há vinte minutos pela triagem, outras pessoas que chegaram depois já foram atendidas. Tomara que não demore porque eu preciso ir trabalhar depois”, torce a mulher.

Protesto 

Uma manifestação está marcada em frente ao Paço Municipal de Campo Grande às 10h. O sindicato afirmou que uma notificação informativa foi enviada para prefeitura sobre a greve, que deve impactar o atendimento na cidade.

O que diz a Prefeitura?

Em agenda pública na última sexta-feira (24), a prefeita Adriane Lopes (Patriota) disse que a negociação para o do teto ainda está em andamento e enxerga como um direito da categoria.

“Já houve uma primeira conversa, recepcionamos a comissão no início de janeiro com a . É um direito dos nossos servidores e vamos buscar o consenso”, afirmou.

O Midiamax solicitou uma nota à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre o impacto da greve no atendimento à população.

Confira abaixo a resposta da pasta:

“Os atendimentos nas urgências e emergências devem ocorrer normalmente, tendo o impacto somente na Atenção Primária, onde alguns procedimentos, como vacinação, por exemplo, serão temporariamente suspensos.  O município mantém o diálogo aberto com a categoria em busca de soluções para evitar que a assistência prestada à população seja prejudicada. Cabe ressaltar que nos últimos cinco anos foram concedidas diversas melhorias para a categoria, como a incorporação do abono salarial no valor de R$ 752,00 reais no salário base , aumento mais de 36% no salário base, criação do abono salarial de R$ 302,00 reais no salário dos técnicos e auxiliares de enfermagem.

A Prefeitura instituiu ainda a jornada de trabalho de 30 horas semanais para os servidores da enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem) nas unidades de urgência e emergência e similares (CAPS, SAMU, Regulação, unidades da especialidade, URR) da Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente, em toda SESAU, 36% dos enfermeiros e 47% dos técnicos de enfermagem da SESAU têm redução da carga horária de 40h para 30h sem redução no salário base. 

Foi criada a produtividade SUS-EXTRA para profissionais de enfermagem que não puderam se enquadrar na carga horária de 30 horas semanais no valor de R$ 400 e R$ 200 para enfermeiros e técnicos de enfermagem respectivamente. Houve incorporação de 25% da produtividade (R$ 355,00) no salário base dos enfermeiros, aumento de 11% no salário base;  Incorporação do abono salarial (R$ 302,00) no salário base dos técnicos de enfermagem, aumento de 20,1% no salário base; 2019  Reajuste salarial linear de 3,04% no salário base dos servidores da enfermagem e no valor dos plantões eventuais.

Em 2020, teve a aprovação da LEI COMPLEMENTAR n. 376, DE 7 DE ABRIL DE 2020 que dispõe sobre a instituição e organização da carreira Profissionais de Enfermagem, integrante do Plano de Carreiras e Remuneração e enquadramento (transformação) do cargo de auxiliar de enfermagem para o cargo Técnico de Enfermagem, além de reajuste linear de 10% no salário base dos profissionais de enfermagem e criação do auxílio alimentação no valor de R$ 494,00 e R$ 200,00 para técnico de enfermagem e enfermeiro, respectivamente”.

*Matéria editada às 10h40 para acréscimo da resposta da Prefeitura