Moradores do Loteamento Portobello, em Campo Grande, convivem com uma situação inusitada: o cheiro de amaciante nas ruas. Apesar de o cheiro de lavanda ser bem melhor que o de esgoto, a fragrância incomoda a vizinhança.

O local ainda não recebeu ligação de esgoto. Então, precisam utilizar fossas, que têm limite de capacidade e, quando cheias, precisam ser esvaziadas. Para evitar que fiquem cheias mais rapidamente, moradores despejam a água da máquina de lavar diretamente na rua.

Abgair Dias, de 71 anos, convive com o problema há três anos, época em que se mudou para o bairro. Enquanto conversava com a reportagem, funcionários de uma empresa realizavam a limpeza da fossa de sua casa. O valor? Cerca de R$ 400,00.

“Com esse preço a gente precisa economizar, então não da para ficar jogando água toda hora na fossa. Aí tem que jogar essa água da roupa, da limpeza na rua mesmo”, comentou a moradora.

Ruas com cheiro de amaciante

O costume dos moradores acaba gerando um fenômeno estranho. Segundo Heloisa Cristaldo, 52 anos, que mora no local há mais de 20 anos, a água descartada faz com que as ruas, em diversos momentos, ganhe um aroma particular.

“Não tem mau cheiro. Na verdade, fica até cheirosa, sobe o cheiro de amaciante, o que mais incomoda mesmo é a água que fica na rua”, revelou Heloisa.

Água utilizada para lavar roupa e limpar a casa escorre pelas ruas. (Madu Livramento, Midiamax)

Andando pelas ruas do loteamento, é fácil perceber que a preocupação dessas pessoas está prestes a acabar. As obras para instalação da rede de esgoto já ocorrem e nutrem a esperança de avanço para o bairro.

O principal desconforto causada para grande parte dos moradores é o financeiro. Muitos reclamam que precisam chamar caminhões algumas vezes no ano para os serviços de limpeza das fossas.

Saindo do mercado, Ivana Mendonça, de 53 anos, comenta ser necessário chamar o caminhão cerca de três ou quatro vezes no ano. Vivendo com os dois filhos, a moradora conta gastar cerca de R$ 700,00 por ano.

De acordo com a Águas Guariroba, o loteamento dentro do cronograma das obras do ‘Programa CG Saneada’. A implementação de todo o sistema de esgoto deve ocorrer até o final deste ano.

A falta de esgoto e água acumulada nas vias escancara um segundo problema, que para os moradores é ainda mais grave. A falta de asfalto causa transtorno em dias de chuva e também nas épocas de seca, gerando barro e poeira ao longo de todo o ano.

Asfalto é sonho antigo de moradores

Com apenas uma rua asfaltada, onde ocorre a passagem do transporte coletivo, diversos moradores do Loteamento Portobello encaram a dificuldade de residir em ruas de terra.

Nos tempos de seca a poeira incomoda e nas épocas de chuva o barro atrapalha. Andando pelo bairro, seja a pé ou de carro, é fácil perceber o motivo da reclamação, em alguns locais a passagem de veículos é praticamente impossível.

Falta de asfalto gera problema gigantesco para moradores. (Madu Livramento, Midiamax)

Poças de água, buracos e pedregulhos tornam a saída de casa um verdadeiro desafio, que já gerou prejuízos. Abgair afirma ter sido uma das ‘vítimas’ da situação.

“Fui entrar com o meu carro e bati nessa parte de terra, amassou o para-choque. Agora eu preciso fazer essa volta para entrar na garagem sem bater o carro”, disse a moradora apontando para o local onde ocorreu o problema.

O Midiamax entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande questionando sobre a falta de asfalto da região, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.