O número de brasileiros com alta miopia, acima de seis graus, deve crescer 84% nos próximos anos, saindo de 6,6 milhões para 12,2 milhões entre 2020 e 2040, aponta uma projeção da OMS (Organização Mundial de Saúde). A taxa do Brasil deve ficar 10,8% acima da média mundial.

A miopia é a dificuldade para enxergar a longa distância e está ligada a hábitos de vida ou a herança genética, quando um dos pais, ou ambos, é míope. Especialistas apontam que os cuidados devem ser tomados desde a infância, com a observação de sinais como se a criança possui dificuldades no aprendizado.

Mariana Brito, de 21 anos, tem grau 7 de miopia em cada olho e a mãe está com 11. Ela descobriu que era míope aos 9 anos na escola, quando percebeu que não conseguia copiar a tempo o que era passado no quadro antes de ser apagado. 

A frustração de não acompanhar o conteúdo a levou a procurar o médico e, desde essa época, realiza acompanhamento com oftalmologistas anualmente para verificar o grau dos óculos. 

No caso de Julia Martins, de 37 anos, a dificuldade para ler na escola também a levou a procurar o médico. Atualmente, o grau de miopia é de 13 no olho esquerdo e 14 no direito. Afirma que nunca deixou de fazer algo pela dificuldade em enxergar, mas algumas atividades tornam-se dificultosas.

“A miopia é uma coisa difícil. Tem que usar óculos com grau muito alto, às vezes, atrapalha em querer ir na piscina, mas não poder ficar sem os óculos”, ela descreve.

Mudança em estilo de vida é importante

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier e membro do CBO  (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), a recomendação é o revezamento entre uso de eletrônicos e de atividades ao ar livre porque o sol estimula a produção de dopamina, hormônio que controla o crescimento do olho. 

A OMS não recomenda permanecer por mais de duas horas seguidas em atividades online e crianças menores de dois anos devem evitar o uso de telas.

Óculos ajudam em atividades diárias. (Foto: Pixabay)

As mudanças nos estilos de vida com as pessoas passando mais tempo em atividades em frente aos celulares e computadores levou a população a ser mais míope, explica a professora do curso de Medicina da Uniderp, médica oftalmologista Ana Claudia Alves Pereira.

“A miopia não é preocupante, mas a alta é. As estruturas internas, principalmente a retina, vão ficando afinadas, podendo ocorrer descolamento de retina, catarata, glaucoma, o que pode levar a alterações oculares e até à cegueira”, alerta a médica.

Ela ressalta a importância do acompanhamento com um médico especialista, especialmente no caso das crianças.   

Vivian Gonçalves, de 24 anos, descobriu que era míope aos 5 anos de idade, mas acredita que já tenha nascido com dificuldade para enxergar. O grau atual é 10 no olho esquerdo e 8,5 no direito. 

Ela diz que ler a grandes distâncias é impossível e que dirigir a noite é complicado e demanda mais atenção. Atividades diárias, como ler a placa de um endereço, é uma tarefa difícil.

“De certo modo, com a correção do óculos e lente, eu enxergo relativamente tudo, então o que eu já deixei de fazer foram as vezes que meu óculos quebrou e não pude ir à escola, pois não enxergo nada sem óculos. E também, quando minha lente de contato acaba, eu deixo de sair para os lugares, por pressão estética”, afirma a jovem.

A cirurgia refrativa permite que pessoas com miopia, astigmatismo e hipermetropia diminuam ou reduzam a necessidade de uso de óculos. Vivian conta que está apta a fazer a cirurgia, mas alguns fatores a impedem de passar pelo procedimento.

“É uma cirurgia muito cara, que não é coberta pelo plano de saúde, além de ser uma cirurgia de risco e etc”, ela relata. 

A miopia é apontada pela OMS como um dos problemas de saúde pública que mais crescem no mundo e metade das pessoas devem ser diagnosticadas com miopia até 2050.

Tratamento

Existem alguns tratamentos que controlam a progressão da miopia, como o uso de lentes de contato, óculos, uso do colírio atropina (que controla a progressão da miopia e impede o crescimento do globo ocular).

“Além disso, temos o tratamento ambiental em que recomendamos a redução de atividades em casa e aumento de atividades ao ar livre”, afirma a oftalmologista Ana Pereira.