Para agilizar o cumprimento das demandas geradas pelas denúncias de violência doméstica nas aldeias de , a DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) levou parte do efetivo para a Jaguapiru. Durante a última terça-feira (4), foram realizadas oitivas itinerantes coordenadas pela delegada Ariana da Silva Gomes.

As ações desenvolvidas ao longo do dia fazem parte de um projeto que ainda está em fase experimental. Além de colher 15 depoimentos de homens e mulheres envolvidos em casos de violência, foram concluídos nove inquéritos policiais que estavam em andamento e se arrastavam, pela dificuldade de localizar as partes.

Em conversa com a reportagem do Midiamax, a delegada Ariana explicou que a ideia ainda está em fase experimental e já dá sinais de que pode ser extremamente eficaz. “A proposta é continuar realizando as oitivas na própria aldeia, como uma forma de facilitar o deslocamento dos indígenas intimados, bem como estreitar os laços entre Polícia Civil e aldeia ”.

Para Ariana, que cuida das denúncias de violência doméstica, com as oitivas itinerantes as ações ficam concentradas na aldeia, sem dispersão de foco. Para levar parte do aparato policial da DAM até a aldeia, foi montada uma logística especial que envolveu cinco pessoas.

A delegada e também a escrivã Daniella Matos Santana cuidaram diretamente dos depoimentos das testemunhas e dos suspeitos. A segurança e organização dos intimados foram realizadas pelas investigadoras Deborah Dias Pereira e Amanda Medrado dos Santos.

Uma das novidades da força-tarefa é a participação da assistente social e intérprete Mirna Juliana Oliveira. Ela auxiliou na tradução da língua materna da Reserva Indígena Federal de Dourados, que é o Guarani, para a língua portuguesa.

Delegada Ariana e escrivã Daniella ouvem depoimentos na Jaguapiru

Parceria

“A iniciativa foi realizada em parceria com as lideranças da Aldeia Jaguapiru, que auxiliaram no comparecimento dos intimados e na disponibilização do espaço e computadores”, destacou a delegada. Diante dos primeiros resultados, a equipe analisa a possibilidade de ampliar o atendimento para a Aldeia Bororó.

No entendimento da delegada responsável pelo cartório de violência doméstica da DAM de Dourados, que tem como titular a delegada Ana Cláudia Pimentel Malheiros Gomes, além da aproximação com as aldeias de Dourados, o trabalho realizado nas aldeias também proporciona economia de tempo e de gastos.

“Muitas pessoas saem da aldeia a pé, de carroça, bicicleta. São uns 16 quilômetros. Algumas mulheres vêm com filhos porque não tem onde deixar. Isso gera um desconforto para eles. Outro aspecto positivo dessa iniciativa é que a comunidade se sente mais segura com a nossa presença”, explica a delegada Ariana da Silva Gomes.

“Mais corajosa”

A reportagem do Midiamax também conversou com lideranças da Aldeia Jaguapiru, que aprovou a implementação do projeto desenvolvido pela DAM de Dourados. “Infelizmente na Jaguapiru e também na Bororó acontecem muitos casos de violência que são denunciados, mas muitas vezes as vítimas e também os acusados não são localizados”, explica um desses líderes.

“Foi muito bom falar com as pessoas da . Me senti importante com a atenção que eles nos deram vindo aqui ouvir nossos depoimentos. A gente perde quase um dia todo para chegar até lá”, disse uma das pessoas atendidas durante a oitiva itinerante.

Outra ouvida pela reportagem do Midiamax avaliou a presença da equipe da Delegacia da Mulher como um incentivo para que outras mulheres não fiquem com medo de falar o que realmente acontece com elas. “Tem hora que nem dá vontade de ir porque fica muito difícil e pesado carregar os filhos pequenos. Com elas aqui, perto de nós, me sinto mais corajosa”.

Força-tarefa da DAM exigiu logística e teve apoio das lideranças indígenas