Após flagra de trabalho escravo em MS, fazendeiros e MPT fazem acordo para pagamento de vítimas

Na fazenda, foram encontrados 43 vítimas de trabalho escravo recrutados em diferentes regiões do Brasil
| 06/07/2022
- 21:03
trabalho escravo MPT
Vítimas só conseguiam retornar para suas casas se arcassem com custos - (Foto: Divulgação, MPT-MS)

O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) firmou acordo com representantes de uma propriedade localizada em Naviraí. No local, foram flagrados 43 trabalhadores recrutados em diferentes regiões do Brasil para atuar no plantio de cana-de-açúcar flagrados em condições análogas à de escravo.

O acordo obriga que os proprietários da fazenda realizem a remuneração pelos dias trabalhados, 13º e férias proporcionais, além de providenciar o retorno de cada um deles aos locais de origem. Entre as , nove eram mulheres e o restante homens.

As vítimas foram resgatadas no dia 28 de junho, durante operação realizada por força-tarefa composta por diversos órgãos. Os trabalhadores faziam o plantio manual de cana-de-açúcar na propriedade, um deles há quase quatro meses, em condições degradantes de trabalho.

Em depoimento, um dos canavieiros contou ter recebido a proposta de trabalho no município de Delta (MG), por meio de um intermediador de mão de obra. Na ocasião, foi feita a promessa de receber R$ 1 real pelo metro quadrado de cana plantado, mais estadia, almoço e jantar. Ele, então, foi levado até Naviraí em um transporte custeado pelo contratante.

Ao chegaram no local, a conversa mudou: a remuneração foi reduzida a parcos R$ 0,70 por metro plantado, a serem pagos a cada 15 dias. Porém, ainda em depoimento, o trabalhador afirmou que outros canavieiros que já estavam há mais no local, vindos do Maranhão, não haviam recebido nada.

Na casa onde o grupo foi instalado não havia geladeira ou filtro de água potável, e foram disponibilizados apenas colchonetes finos. Os canavieiros também não receberam qualquer equipamento obrigatório de segurança para atuar no plantio, e utilizavam luvas e facões levados por eles mesmos.

Um dos trabalhadores relatou ter manifestado o desejo de retornar para casa ao se deparar com o trabalho exaustivo, baixa remuneração e más condições de estadia, mas ouviu do contratante que tivesse "paciência", pois a situação iria melhorar. Outros colegas, segundo ele, já haviam voltado para a cidade de origem, mas somente porque conseguiram obter recursos com familiares para bancar a viagem.

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