Cotidiano

Sem respaldo do PNI, aplicação de 3ª dose e novo ciclo de vacinação são incertos em MS

SES afirma que nova campanha depende de determinação do Ministério da Saúde

Mylena Rocha Publicado em 22/07/2021, às 14h45

Nova campanha e aplicação de dose extra dependem de estudos e determinação do PNI.
Nova campanha e aplicação de dose extra dependem de estudos e determinação do PNI. - Leonardo de França/Midiamax

Nas filas de postos e drive-thrus de imunização, não se fala em outra coisa em Campo Grande: a terceira dose da vacina contra o coronavírus. Será necessária? Quando será aplicada? E ano que vem, seremos vacinados novamente? Estas são algumas dúvidas entre os campo-grandenses. Contudo, não é hora de se preocupar. Ainda não há nenhuma política que determine a aplicação de uma dose extra de imunizante. Além disso, também não há previsão para realizar uma nova campanha de vacinação contra o coronavírus.

Nesta semana, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a realização de um estudo clínico com a aplicação de uma terceira dose da vacina Astrazeneca. O estudo vai avaliar a segurança e eficácia de uma dose de reforço em voluntários. Além disso, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, comentou sobre a possibilidade de aplicar a dose de reforço em idosos ainda neste ano.

A infectologista e integrante do COE (Comitê de Operações de Emergência) da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mariana Croda, reforça que não há previsão de aplicar uma terceira dose de vacina em Mato Grosso do Sul. 

“Ainda não há nenhuma política de saúde institucionalizada pelo PNI (Plano Nacional de Imunização) que dê respaldo aos estados e municípios de aplicarem alguma vacina que vai além do planejado dentro do PNI. Creio que é inviável no momento e é uma pauta que ainda deve ser discutida entre os três entes federados (União, Estados e municípios)”, explica. 

Alguns Estados têm discutido sobre a próxima campanha de vacinação contra o coronavírus. O estado de São Paulo, por exemplo, anunciou que vai iniciar um novo ciclo em janeiro de 2022. O próprio secretário estadual de saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, também já comentou brevemente sobre a possibilidade de uma nova campanha no ano que vem, mas a vacinação vai depender do PNI. 

Em nota, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforçou que deve seguir as determinações do Plano Nacional de Imunização. “O Ministério da Saúde, através do PNI, é o responsável pela elaboração de cada campanha de vacinação”, ressalta a secretaria. 

A infectologista Mariana Croda também aponta que não há dados suficientes para dizer se as campanhas de vacinação contra o coronavírus serão anuais. “Ainda não [é possível prever]. Não há estudo da duração da imunidade”, comenta. 

Estudo com 3ª dose

A Anvisa autorizou a realização de um estudo clínico para avaliar a segurança e eficácia de uma terceira dose da vacina Astrazeneca. A pesquisa será feita com participantes do estudo inicial que já haviam recebido as duas doses do imunizante, com um intervalo de quatro semanas entre as aplicações.  

A terceira dose da vacina da Astrazeneca será aplicada entre 11 e 13 meses após a segunda dose. “Trata-se de um estudo de fase III, controlado, randomizado, simples-cego, ou seja, em que só o voluntário não saberá o que tomou: se uma dose da vacina ou de placebo”, informa a Agência. 

O estudo contará com a participação de voluntários de 18 a 55 anos, que estejam mais expostos ao vírus, como é o caso dos profissionais da saúde. 

80% da população vacinada até agosto

A imunização contra o coronavírus continua avançando em Mato Grosso do Sul e a SES (Secretaria de Estado de Saúde) já anunciou que o Estado pode ter, pelo menos, 60% da população adulta imunizada com as duas doses e 80% de vacinados com ao menos uma dose até o fim de agosto. O mês de agosto deve ser o ponto de partida para a retomada das atividades em Mato Grosso do Sul.

“Nossa projeção é que em agosto 80% dos sul-mato-grossenses tenham sido vacinados com pelo menos uma dose”, disse Geraldo Resende.

Jornal Midiamax