Cotidiano

Chegada de frente fria é sinônimo de preocupação para quem não tem cobertor ou agasalho em Campo Grande

Em moradias precárias, de lona e madeira, comunidade sobrevive de doações e subempregos

Ranziel Oliveira Publicado em 27/04/2021, às 13h45

Iara Guimarães e a comunidade vivem em moradias com frestas e lonas furadas
Iara Guimarães e a comunidade vivem em moradias com frestas e lonas furadas - (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

Miséria, subsistência e medo do frio fazem parte da realidade de quem vive em condições insalubres na região do Los Angeles, no bairro Jardim Teruel 2, em Campo Grande. Com a chegada da frente fria de outono, o simples fato de vestir um casaco ou usar uma coberta torna-se artigo de luxo. Nesta semana, a Capital enfrenta uma das primeiras ondas de frio do ano, o que preocupa muitos moradores. 

Para uma mãe solteira de 5 filhos e com o sexto previsto para nascer nesta quarta-feira (28), uma coberta pode ser o divisor de águas entre uma noite de sono tranquila e a constante preocupação com as crianças. “É ruim, não pra mim, mas para meus filhos. Eu aguento, mas as crianças são pequenas e tem pouca roupa de frio”, desabafou Lidiane da Conceição, de 29 anos.

Mãe de uma menina de 12 anos, e cinco meninos de 2, 8, 10, 14 anos e o que nascerá nesta semana, Lidiane sobrevive de doações de alimentos, enquanto aguarda o nascimento da próxima criança em meio ao frio e uma moradia sem condições básicas. “É difícil viver aqui, tem muita gente que não tem coberta”, finalizou ela.

Frestas e lona rasgada

A falta de estrutura se repete nas moradias ao redor, é o caso Iara Guimarães, de 32 anos, que tenta se proteger do frio em meio as lonas rasgadas e frestas em toda moradia. “É bem ruim, muitas vezes não temos agasalho. O barraco não é fechado e a gente se vira como pode”, exclamou Guimarães.

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Lidiane da Conceição (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

Morando nos fundos de outra moradia precária, Guimarães e seu marido sustentam como podem os três filhos, através da venda de material reciclável. Carpinteiro, o marido está há dois anos na dolorosa lista de desempregados no Brasil. “É triste, dói. tinha uma casa da Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), mas era amasiada com outro rapaz e perdi a casa. Hoje mora em um barraco de favor”, disse ela com tristeza no olhar.

Pensando no futuro, ela sonha em ter uma perspectiva de vida melhor para os meninos de 8 anos, 4 meses e uma menina de 2 anos. “o que vai ser deles quando crescer? Quero que estudem”, finalizou Guimarães.

Além de campo-grandenses, o Jardim Teruel 2 abriga pessoas que chegaram de outro Estado. Maria Aparecida dos Santos, de 60 anos, veio do Paraná buscando uma vida melhor, mas depois de anos pagando aluguel, perdeu a condição de sustento financeiro e foi parar em barraco. “O barraco sempre tem frestas. É péssimo, nunca temos agasalho o suficiente”, exclamou ela.

Há cinco anos nessa condição, Aparecida sobrevive do trabalho informal do marido em fazendas, enquanto lida com o agravamento dos seus problemas respiratórios. “Não é fácil, eu mesmo tenho problemas com a friagem, mas a gente tenta se ajeitar. Preciso de casaco e cobertor”, finalizou Aparecida.

Para doar alimentos, cobertas ou agasalhos você pode entrar em contato no: (67) 99171-6375 Lidiane Conceição; (67) 98200-2484 Iara Guimarães  e no (44) 99998-2618 para Maria Aparecida dos Santos.

O que diz a SAS

A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) por meio da Superintendência de Proteção Social Básica, neste momento de pandemia da COVID-19, tem planejado e articulado com os Centros de Referência de Assistência Social – CRAS o atendimento às famílias que estão enfrentando situações de risco social e extrema pobreza priorizando os benefícios eventuais (cesta básica, auxílio documento e auxílio funeral) e a inclusão e atualização do Cadastro Único para acesso aos programas sociais de todas esferas de governo. Os CRAS atendem de segunda a sexta e contam com equipe técnica para promoção destes atendimentos. 

Jornal Midiamax