Cotidiano

Sem agentes nas casas, combate à dengue depende ainda mais dos moradores em Campo Grande

Devido à pandemia de coronavírus, o hábito de visitar as casas para vistoria no combate à dengue foi suspenso em Campo Grande. A medida tem como objetivo preservar agentes de combate a endemias e também os moradores, para evitar transmissão do coronavírus. Os agentes só podem vistoriar quintais e terrenos, por isso, o combate à […]

Mylena Rocha Publicado em 21/01/2021, às 10h21 - Atualizado às 17h18

(Foto: Divulgação/ PMCG)
(Foto: Divulgação/ PMCG) - (Foto: Divulgação/ PMCG)

Devido à pandemia de coronavírus, o hábito de visitar as casas para vistoria no combate à dengue foi suspenso em Campo Grande. A medida tem como objetivo preservar agentes de combate a endemias e também os moradores, para evitar transmissão do coronavírus. Os agentes só podem vistoriar quintais e terrenos, por isso, o combate à dengue depende cada vez mais da conscientização dos moradores na Capital.

Nas primeiras semanas de 2021, Campo Grande registrou 37 notificações de dengue, de acordo com o boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde). Dados ainda apontam que a Capital terminou o ano de 2020 com 19.699 notificações de dengue e sete mortes. Para evitar que os números voltem a crescer por conta do período chuvoso, moradores devem cuidar de suas casas e quintais. 

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) explica que ainda não há ações de grande proporções no combate à dengue agendadas neste início de ano, já que o momento exige medidas especiais nos cuidados da saúde da população e dos agentes de endemias, devido aos números elevados do contágio da Covid-19. 

“Neste sentido, desde novembro do ano passado, a Sesau adotou como estratégia ações nas áreas de abrangência de cada um dos servidores, mantendo o combate ao Aedes aegypti, mas ainda proporcionando a segurança adequada de distanciamento social à toda a população”.

O combate ao mosquito, que além da dengue, ainda transmite zika e chikungunya, depende cada vez mais da consciência dos próprios moradores. Os agentes ainda podem entrar nos terrenos e quintais, mas não podem vistoriar dentro dos imóveis em Campo Grande. Ou seja, antes os agentes entravam dentro da casa para verificar se havia alguma planta, um banheiro desativado ou até uma geladeira acumulando água.

Com o período chuvoso, cresce a preocupação com o Aedes Aegypti, mas medidas simples podem evitar mortes: 

  • Manter bem tampado tonéis, caixas e barris de água;
  • Lavar semanalmente com água e sabão tanques utilizados para armazenar água;
  • Manter caixas d’água bem fechadas;
  • Remover galhos e folhas de calhas;
  • Não deixar água acumulada sobre a laje;
  • Encher pratinhos de vasos com areia até a borda ou lavá-los uma vez por semana;
  • Trocar água dos vasos e plantas aquáticas uma vez por semana;
  • Colocar lixos em sacos plásticos em lixeiras fechadas;
  • Fechar bem os sacos de lixo e não deixar ao alcance de animais;
  • Manter garrafas de vidro e latinhas de boca para baixo;
  • Acondicionar pneus em locais cobertos;
  • Fazer sempre manutenção de piscinas;
  • Tampar ralos;
  • Colocar areia nos cacos de vidro de muros ou cimento;
  • Não deixar água acumulada em folhas secas e tampinhas de garrafas;
  • Vasos sanitários externos devem ser tampados e verificados semanalmente;
  • Limpar sempre a bandeja do ar condicionado;
  • Lonas para cobrir materiais de construção devem estar sempre bem
  • esticadas para não acumular água;
  • Catar sacos plásticos e lixo do quintal.

Projeto Wolbachia

Aedes aegypti produzidos no local terão bactéria que impede transmissão da dengue, zika e chikungunya; liberações começam em setembro.
Com o tempo, Aedes portadores da Wolbachia se tornam dominantes.

O projeto Wolbachia, idealizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e Sesau, deve entrar em sua segunda fase em breve. O método consiste na liberação de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para os mosquitos que se reproduzam com os insetos locais, ou seja, sem a bactéria, gerando assim uma nova população de mosquitos. 

“A Wolbachia é uma bactéria intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas não no Aedes aegypti. Quando colocada nesse mosquito, impede que os vírus que ele transmite se desenvolvam. Não há modificação genética nem no mosquito nem na bactéria”, explicou o coordenador do projeto Gabriel Sylvestre.

Em dezembro do ano passado, foi feita a soltura dos mosquitos nos bairros Guanandi,  Aero Rancho, Batistão, Centenário, Coophavila II, Tijuca e Lageado. Agora, é feito o procesos de engajamento dos moradores nos bairros que participam da segunda fase: Alves Pereira, Centro Oeste, Jacy, Jockey Club, Los Angeles, Parati, Pioneiros, Piratininga, Taquarussu, Moreninha e América.

Jornal Midiamax