Cotidiano

Quase 300 pacientes já buscaram atendimento para tratar sequelas da Covid-19 em Campo Grande

Ambulatório da Cer/Apae foi inaugurado há seis meses para tratar sequelas no ambulatório

Karina Campos Publicado em 19/04/2021, às 08h48 - Atualizado às 08h50

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(Foto: Ranziel Oliveira / Jornal Midiamax)

A Cer/Apare (Centro Especializado em Reabilitação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), informou que desde a inauguração, em setembro de 2020, cerca de 233 pacientes estão recebendo tratamento no ambulatório por sequelas da Covid-19, em Campo Grande.

De acordo com o balanço, através do Sisreg (Sistema de Regulação), ao todo, foram solicitadas 299 vagas, destas 233 continuam em atendimento, 20 já receberam alta e 10 desistiram do tratamento.

A maior parte dos moradores relatam que perderam o paladar, tiveram sequelas motoras, respiratórias e até psicológicas, que precisam de reabilitação com uma equipe multiprofissional. A unidade atende desde crianças até idosos. A supervisora do setor de fisioterapia, Sarita Baltuilhe explica que alguns pacientes apresentam várias sequelas da doença.

 “As principais sequelas que observamos são: falta de ar, tosse, cansaço extremo, fadiga, dificuldade de andar (frequentemente com necessidade de cadeiras de rodas), dependência nas atividades da vida diária, dificuldade na deglutição e mastigação, depressão, ansiedade, pânico, medo, déficits cognitivos (como alterações da memória), perda de peso, casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral), complicações cardíacas (arritmias, miocardites, insuficiência cardíaca), diabetes, polineuropatias (distúrbio dos nervos), que apresentam os principais sinais: formigamento e dormência, dor em queimação e fraqueza muscular”, disse.

Outro ponto que ela ressalta, é que os traumas também são encontrados mesmo nos pacientes que tiveram contato com a forma mais branda da Covid, e não somente em casos graves, como por exemplo, os pacientes que ficaram hospitalizados com necessidade de intubação.

O serviço social do é responsável pelo acolhimento. De acordo com a assistente social e supervisora na unidade, Teresa Pereira de Souza, a maior dificuldade é ter outro familiar com a doença, internado ou em óbito. “Percebemos muito medo e ansiedade na maioria deles. Uma questão que também tem preocupado bastante é a falta de recurso financeiro, devido ao adoecimento. Grande parte deles são autônomos e acabam ficando sem renda e com falta de perspectiva para o futuro”, afirmou.

Como solicitar?

Os pacientes que ficaram com sequelas após terem sido infectados pelo novo coronavírus devem procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e solicitar encaminhamento para o CER/APAE, via SISREG.

O ambulatório é o primeiro 100% SUS (Sistema Único de Saúde) do Brasil, e conta com com profissionais altamente capacitados em reabilitação/habilitação e cuidados paliativos, como médico fisiatra, cardiologista, pediatra, neurologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e fonoaudiólogo.

Jornal Midiamax