Cotidiano

Preconceito cria barreira e seminovos chineses encalham nas concessionárias de Campo Grande

Entre os zero quilômetro, mercado está um pouco mais aquecido

Gabriel Neves Publicado em 29/11/2021, às 15h00

Para empresários do ramo, Tiggo pode ser responsável por fomentar o mercado
Para empresários do ramo, Tiggo pode ser responsável por fomentar o mercado - (Foto: Gabriel Neves/Midiamax)

Qual motorista, quando o trânsito está intenso ou até mesmo parado no semáforo, não reparou nas marcas e modelos próximos? Às vezes, ‘caçando’ um igual ao seu, outras apenas reparando nos veículos alheios. Independe dos motivos, é um consenso o aumento das marcas chinesas nas vias campo-grandenses.

Em relação aos veículos novos, a impressão se torna algo concreto. Segundo o gerente da concessionária Chery, de Campo Grande, Miguel Rodrigues Lustoza, vendas aumentaram em 50% no último ano e o interesse dos clientes subiu em 55%. Um dos motivos: aumento da confiança.

“Está vendendo muito bem. A marca se reinventou, antes não tinha credibilidade, mas como o grupo Caoa assumiu, aumentou muito a credibilidade”, explicou Miguel Rodrigues. Embora o aumento das vendas entre os veículos zero quilômetros seja real, quando o assunto são os usados, a realidade é outra.

Para os garagistas da capital, anos de experiências ruins geraram desconfiança contra as marcas do país oriental resultando na difícil comercialização destes veículos, quando já usados. Carlos Assis é proprietário de uma garagem de veículos em Campo Grande, e para ele uma palavra resume o cenário: preconceito.

“Quando o assunto são marcas chinesas, as pessoas têm muito preconceito e nem é por conta da qualidade, porque alguns são muito bons”, explicou Assis. Apesar da consciência de que alguns veículos alcançaram um novo patamar, garagista comenta que algumas marcas ainda devem ser evitadas, como a Jac.

Bruno de Oliveira, também proprietário de outra garagem de veículos, afirma que alguns modelos chineses já se igualaram a carros líderes de vendas, mas a falta de procura faz com que os veículos sejam evitados no momento de serem comercializados.

“Há pouco tempo, uma cliente deixou um (carro chinês) com a gente e tentamos vender, mas não conseguimos, ela acabou trocando o carro em um imóvel”, comentou Bruno. O mesmo na garagem de Carlos, que ao ser questionado quantos carros chineses vendeu neste ano, a resposta é clara: nenhum.

Talvez no futuro

Tanto para Bruno e Carlos, como para Miguel, o futuro dos veículos chineses é promissor e pode ter um carro chefe — com todos os trocadilhos que a frase impõe — no Tiggo. O gerente da concessionária Chery explica que não por outro motivo, o campeão de vendas é o Tiggo 5, seguido pelo Tiggo 8.

Para os garagistas, o aumento na compra desses veículos novos deve fazer com que a confiança do consumidor aumente, quebrando o preconceito com as marcas chinesas e então abrindo o mercado em Campo Grande. “Assim como aconteceu com a Hyundai”, disse Carlos.

Jornal Midiamax