Cotidiano

Gasolina chega a R$ 6,62, mas ainda é possível pagar R$ 6,09 em Campo Grande

Reajuste anunciado ontem pela Petrobras já é aplicado na maioria dos postos

Gabriel Maymone Publicado em 26/10/2021, às 08h55 - Atualizado às 08h56

Litro da gasolina tem alta de até R$ 0,23 em Campo Grande
Litro da gasolina tem alta de até R$ 0,23 em Campo Grande - Leonardo de França / Midiamax / Arquivo

Um dia após a Petrobras anunciar reajuste no preço da gasolina e do dieselnas refinarias, o litro dos combustíveis já está mais caro na maioria dos postos de Campo Grande. Em alguns, a gasolina é encontrada por R$ 0,23 a mais que o registrado antes do anúncio. Porém, em outros estabelecimentos, o combustível ainda é encontrado sem o reajuste, por R$ 6,09.

Conforme o diretor técnico do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), Edson Lazarotto, a alta já é reflexo do reajuste anunciado pela estatal. "Os reajustes ocorrem à medida que os postos recebem seus pedidos, pois, ontem mesmo, após o anúncio da Petrobras, todas as distribuidoras já atualizaram seus preços, portanto, essas alterações já se referem ao reajuste", explicou.

Com o novo preço, a alta acumulada no ano no preço da gasolina chega a 73%, e no valor do diesel, a 65,3%.

Efeito dominó

O aumento no preço dos combustíveis provoca impacto no preço de todas as cadeias de mercado que dependem do transporte. Assim, a alta na gasolina e no diesel tem força para pressionar o preço dos fretes, dos alimentos, das tarifas de transportes urbanos e da energia.

O preço dos alimentos, por exemplo, sofrem impacto por conta do preço do frete, que depende do diesel. Outros fatores que influenciam são condições do tempo, preço de adubo, sementes e embalagens.


Produtos que dependem de frete podem sofrer impactos com alta no preço do diesel - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entregas e viagens por aplicativos também são diretamente impactados. O setor de delivery, que teve crescimento exponencial na pandemia, deve pressionar ainda mais lanchonetes e restaurantes, que diluem os custos no valor dos produtos. Para motoristas de aplicativo, a situação é semelhante. Com a alta da gasolina, o reajuste é absorvido, uma vez que dependem de aumento da tarifa das plataformas para repassar os novos valores aos clientes.

Outro setor que sofre influência direta do preço dos combustíveis é o transporte público. O reajuste é feito uma vez ao ano, porém, o preço do diesel é um dos critérios para definição sobre a nova tarifa. Ônibus intermunicipal e interestadual também são diretamente impactados e as empresas tendem a repassar os custos ao consumidor.

Na energia também...

Com a severa crise hídrica que o país vive, o governo federal criou a bandeira de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 a cada 100 kWh (quilowatts-hora). Explicamos isso para você entender que essa alta se dá pelo acionamento das termelétricas, que fornecem energia a um custo maior que as hidrelétricas, principal matriz energética do país.


Termelétrica William Arjona, em Campo Grande - Foto: Divulgação

Dessa forma, o aumento no diesel impacta diretamente no custo da energia fornecida pelas termelétricas, que estão com uso maior nesse momento de bandeira de escassez hídrica. 

Disparada de preços

A reportagem do Jornal Midiamax realizou ronda pelos postos de combustíveis de Campo Grande e encontrou a gasolina comum a partir de R$ 6,09 e com máxima de R$ 6,62 o litro. Veja abaixo alguns preços encontrados:

Posto Tereré - Avenida Afonso Pena, 5.264
Gasolina: R$ 6,62 (antes estava R$ 6,39)

Posto Tiradentes - Avenida Tiradentes - Vila Bandeirante
Gasolina: R$ 6,28

Posto Pororoca XVII - Rua 26 de Agosto esquina com Calógeras
Gasolina: R$ 6,32

Posto Sol Nascente - av. Afonso Pena, Centro
gasolina: R$ 6,09  (reajuste pode ocorrer ainda pela manhã, mas o novo valor não foi informado)

Posto Itanhangá - R. Joaquim Murtinho, 1573
Gasolina: R$ 6,17 (deve ser reajustado ainda hoje)

Jornal Midiamax