Cotidiano

Precisa de ajuda? Grupos de apoio que reúnem voluntários salvam vidas em Campo Grande

Grupos disponibilizam voluntários para dar apoio emocional e evitar que pessoas cometam suicídio

Fábio Oruê Publicado em 16/09/2021, às 07h55

Pessoa em crise pode ligar, mandar mensagem ou e-mail para conversar com voluntários
Pessoa em crise pode ligar, mandar mensagem ou e-mail para conversar com voluntários - Foto: Agência Brasil

Por vezes um sentimento represado que é posto para fora é o que separa a continuidade da vida de um fim trágico como o suicídio. No meio deste trajeto com dois caminhos distintos existem heróis anônimos que não precisam de muito e ajudam a salvar vidas: os voluntários. 

Em Mato Grosso do Sul, o GAV (Grupo Amor Vida) oferece apoio emocional imediato para pessoas que estão precisando de ajuda por não se sentirem bem por estarem em crise. O GAV é uma associação civil sem fins lucrativos fundada no ano de 2001 e com sede em Campo Grande. 

A pessoa que está mal e com pensamentos suicídas pode entrar em contatos pelos números do GAV:

  • (67) 3383-4112 (fixo)
  • (67) 9 9973-8682 (Vivo)
  • (67) 9 9266-6560 (Claro)

Do outros lado da linha, voluntários estarão em regime de plantão das 7h às 23h, inclusive sábados, domingos e feriados para oferecer o apoio. 

O GAV garante o anonimato, o sigilo e a não discriminação das pessoas que ligam pedindo ajuda, inclusive identificação de chamadas está desativada nas operadoras de telefonia.

Em nível nacional, outro grupo que oferece apoio é o CVV (Centro de Valorização da Vida), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar.

O CVV disponibiliza canais de atendimentos diversos:

Onde buscar ajuda?

Nos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e ambulatórios de saúde mental em 24 cidades de MS, as pessoas podem procurar atendimento médico especializado, com acolhimento 24 horas a pacientes com transtornos psíquicos e sem a necessidade de agendamento antecipado.

No Estado, conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), os Caps estão localizadas em:

Aparecida do TaboadoCamapuãCoximPonta Porã
AquidauanaCampo GrandeDouradosRio Verde de Mato Grosso
BataguassuCassilândiaMaracajuSão Gabriel do Oeste
Bela VistaChapadão do SulNova AndradinaÁgua Clara
BonitoCorumbáNaviraíTrês Lagoas
CaarapóCosta RicaParanaíbaSidrolândia

Campo Grande conta com seis Caps e cada um disponibiliza uma equipe multidisciplinar de profissionais composta por terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, psicólogos e psiquiatras, que devem avaliar o paciente e encaminhar ao tratamento mais adequado de acordo com o diagnóstico, de acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

Além disso, o serviço de urgência e emergência, se trata de um atendimento geral que deve avaliar e encaminhar o paciente quando há um quadro de surto ou risco iminente à vida.

Este serviço é ofertado em seis UPA (Unidades de Pronto Atendimento), com funcionamento 24 horas e quatro CRSs (Centros Regionais de Saúde), onde, com a chegada de um paciente neste quadro, já é acionado um psiquiatra da rede para fazer o acompanhamento dele.

Na Capital, no CEM (Centro Especializado Municipal) funciona o Ambulatório de Saúde Mental. Os agendamentos são feito através do sistema de regulação e a unidade conta com acolhimento e avaliação por profissionais a fim de encaminhar o paciente ao tratamento adequado.

Voluntariado

Os serviços de apoio emocional ofertados pelo GAV e pelo CVV são feitos por voluntários que se disponibilizam a atender as chamadas de quem procura ajuda. Conforme o presidente do GAV, Gerson Fraulob, atualmente o grupo conta com 81 voluntários, que ficam disponíveis para atender quem busca ajuda. 

Uma das heroínas é Denise Serra, de 50 anos, que está no voluntariado do GAV há 3 anos. Para ela, a maior doação que ela pode fazer é a do seu tempo. "Eu acho que o tempo é precioso. Você pode escutar a outra pessoa e doar um pouco do seu tempo ajuda muito nessa situação [de prevenção ao suicídio]", disse ao Jornal Midiamax

Denise, que também faz outros tipos de doação como dinheiro, roupas e alimentos, se sente muito bem ajudando com algo tão simples, mas muito importante. "As vezes a pessoa pode estar rodeada de gente, mas não consegue ou não tem com quem deliberar o seu conflito interno", comentou, sobre o trabalho do voluntário.

Como se tornar um voluntário?

As pessoas que desejam entrar para a equipe do GAV podem se inscrever pelo formulário disponível neste link. Porém, é preciso que o futuro voluntário more em MS e esteja dentro dos requisitos abaixo:

  • Ter mais de 18 anos de idade: A lei civil já definiu a idade em que a pessoa atinge o grau de maturidade, passando a ser dotada de capacidade civil para a prática de todos os atos inerentes à vida adulta, responsabilizando-se pela própria conduta.
  • Dispor de tempo para realizar os plantões de atendimento: No GAV os atendimentos são realizados em plantões de 4 horas semanais, de domingo a sábado, inclusive feriados. O voluntário de atendimento deve realizar pelo menos um plantão semanal, em horário compatível com a sua vida pessoal, podendo, se o desejar, fazer mais de um plantão por semana.
  • Estar disposto a aceitar e amar incondicionalmente outra pessoa: Uma das características do serviço é o não julgamento. Isto só é possível se os voluntários se comprometerem a aceitar, não discriminar e nem condenar as pessoas pelos pensamentos, sentimentos e ações, ainda que não concordem com eles.
  • Participar da formação continuada: Para promover a melhor qualidade possível do atendimento, é preciso que os voluntários participem dos cursos e treinamentos que o GAV fornece periodicamente.
  • Ter razoável equilíbrio emocional: Se o voluntário está em estado de desequilíbrio, se está perturbado emocionalmente, então não pode atender, pois prejudicaria o atendido e a si mesmo.
  • Concordar com os princípios e valores da entidade: Se o interessado a ser voluntário não concorda com os princípios e valores defendidos pela casa, então não pode participar de seu quadro de voluntários, segundo o GAV.
  • Comprometer-se a respeitar as normas do Estatuto e as determinações dos órgãos internos: Não se pode admitir que alguém participe de qualquer organização se ela não se dispõe a seguir as suas regras, ainda conforme entidade.
Jornal Midiamax