Cotidiano

'Parecem longas férias do ensino médio': Universitários da pandemia vivem expectativa para 2022

Acadêmicos que começaram em 2020 mal tiveram tempo de curtir a faculdade e desde então esperam em casa o retorno 100% presencial

Lucas Mamédio Publicado em 15/11/2021, às 08h16

Da esquerda para direita: Mariana, Pedro e Nathalia
Da esquerda para direita: Mariana, Pedro e Nathalia - (Foto: Arquivo Pessoal)

Para muitos estudantes do ensino médio, entrar na faculdade representa atravessar uma espécie de portal por meio do qual vive-se experiências muito particulares, com descobertas pessoais e profissionais inéditas, regadas a um sentimento de liberdade, inerente à maioridade, geralmente atingida durante ou pouco depois do começo da graduação.

Foi assim para quase todos estudantes antes de 2020, porém, para os que ingressaram na vida acadêmica depois, esse ainda é um universo desconhecido, repleto de incertezas e expectativas. Isso porque a maioria esmagadora dos universitários “pós-covid” iniciaram e continuam seus estudos em esquema de ensino à distância, o que tirou deles a possibilidade de aproveitar na plenitude a vida universitária.

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Mariana durante aula prática (Foto: Arquivo Pessoal)

Agora, com o avanço da vacinação e a queda de casos tanto de contágio quanto de mortes, muitas universidades estão anunciando o retorno presencial 100% para o ano de 2022. Essa vai ser a primeira vez dentro de uma sala de aula com os colegas para milhares de acadêmicos que começaram a faculdade em 2020.

Mas como será que eles estão se sentindo? Como foi esse período de 2 anos em que começaram algo de forma incompleta?

Bom, para a estudante de odontologia Mariana Amarilha Machado, de 19 anos, parece, de certa forma, que o ensino médio nem acabou. “Por incrível que pareça, estou pronta pra parte adulta da faculdade, parece que estivemos descansando de longas férias do ensino médio”.

Segundo Mariana, a sala dela praticamente não se conhece. “Muita gente desanimou, a pressão da vida adulta pesa demais quando não tem nenhuma trégua pro universitário que na maioria das vezes tá largando a adolescência agora”.

Outro reflexo negativo, é o estigma que recaiu sobre as turmas do período de pandemia, inclusive Mariana relata que até uma professora de que eles poderiam ser taxados como menos qualificados “Nós agora somos conhecidos como “turma covid”, tipo a turma que já tá um pouco velha pra certas coisas, mas que na realidade pulou a parte mais divertida e normal da faculdade”

Nathalia Jamilly Pereira Jacinto, de 19 anos, está no segundo ano de letras. Para ela, os dois anos de vida acadêmica foram muito difíceis, principalmente por não ter tido a oportunidade de realmente ter contato com a realidade uma sala de aula.

“Acho que a dinâmica da EAD é algo muito novo também. Minhas expectativas para o ano que vem é que essa diferença de dinâmicas não dificulte muito no meu processo e minhas perspectivas são bem altas. Quero muito ter o contato real com a sala de aula de novo”.

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Nathalia é estudante de letras (Foto: Arquivo Pessoal)

Também com 19 anos, Pedro Alencar, estudante de engenharia da computação, vai pelo mesmo caminho e pondera sobre as dificuldade do ensino à distância. “Bom, acho que não é novidade para ninguém que o estudo remoto foi bem frustrante nesses últimos dois anos, já que não é todo mundo que se adapta e é muito difícil ter que lidar com uma falta de motivação e vontade de estudar. Eu me senti muito foi frustrado mesmo.

Porém, ele espera que 2022 traga não só um alívio para essa angústia acadêmica, mas a imersão em todas as possibilidades da faculdade. “As expectativas para que voltem as atividades normais de um universitário são bem altas né. Tanto de conhecer a faculdade, quanto de confraternizar com os amigos. Só o fato de estudar presencialmente com os amigos que fiz e que tinha já é uma imensa expectativa”

Já para Mayara Santos de Sousa, de 19 anos, estudante de fisioterapia, o que “salvou” o curso foi começar as aulas práticas. “O que mudou para esse ano, foi que a partir do segundo semestre do ano eu comecei a ter aulas práticas né, por ser um curso da saúde a gente teve que reforçar algumas coisas que estavam fazendo falta, então essa noção de "normalidade" já começou a aparecer um pouco agora, com provas presenciais e tendo que estar lá quase que todo dia, mas ainda não 100% porque as teóricas online ainda ficam muito difíceis de entender. Minha expectativa é mais em relação a isso mesmo, começar a assimilar muito conteúdo que era importante, mas acabou não rendendo como deveria”.

Jornal Midiamax