Cotidiano

Paranhos, na fronteira de MS, é a 2ª que mais vacinou estrangeiros no país

Estudo mostra que as aplicações de doses em pessoas vindas de outros países ocorreram nos municípios de fronteira

Mylena Rocha Publicado em 01/10/2021, às 14h00

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Henrique Arakaki/Midiamax

Mato Grosso do Sul vacinou mais de 300 paraguaios durante a campanha de imunização contra o coronavírus. Os dados foram divulgados em nota técnica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que aponta a cidade de Paranhos como a segunda do país que mais vacinou estrangeiros. Ao todo, o município aplicou 285 doses em cidadãos paraguaios. 

O estudo da Fiocruz mostra o fluxo de pessoas que se deslocaram para vacinar fora de seu município. Os dados apontam tanto pessoas que migraram para cidades vizinhas como outras que atravessaram fronteiras, caso de paraguaios, uruguaios, venezuelanos e até alemães. 

Os dados mostram que a cidade de Paranhos, a 477 quilômetros de Campo Grande, foi a segunda que mais vacinou estrangeiros. Ao todo, foram 285 moradores do Paraguai que se vacinaram no município. Contudo, o município aplicou o total de 15,9 mil doses de vacina. Ou seja, a quantidade de doses aplicadas em paraguaios representa somente 1,7% do total. 

Outro município de Mato Grosso do Sul em destaque no estudo é Sete Quedas, a 459 quilômetros de Campo Grande, que aplicou 32 doses de vacina em moradores vindos do Paraguai. Bela Vista, a 324 quilômetros da Capital, também aparece na lista com 15 doses aplicadas em paraguaios. 

No estudo, a Fiocruz reforça que há muitas doses sem informação sobre o município ou país de origem do imunizado. Ao todo, foram aplicadas mais de um milhão de doses dos imunizantes sem a informação no país, o que traz grande incerteza sobre os dados. 

“Considerando os dados preenchidos, o Paraguai responde por 864 doses, Ruanda por 345, Alemanha por 211, Uruguai por 178 e Venezuela por 150 doses do imunizante”, aponta. De maneira geral, as aplicações de doses em pessoas vindas de outros países ocorreram nos municípios de fronteira, como é o caso de Mato Grosso do Sul. 

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Mapa mostra proporção de vacinados fora do município de residência. (Fonte: Fiocruz)

Fluxos de vacinação entre municípios

O estudo da Fiocruz ainda traz um mapa com o deslocamento dos pacientes para imunização entre os municípios. Foi possível observar que as capitais apresentam pouco fluxo de deslocamento de pacientes, enquanto municípios limítrofes às capitais apresentam elevado deslocamento.

A nota técnica não traz detalhes sobre Mato Grosso do Sul, mas no mapa é possível confirmar a percepção dos especialistas. Na região de Campo Grande, é baixa a taxa de vacinados em outros municípios. Ou seja, de maneira geral, os campo-grandenses não sentiram a necessidade de ir para outra cidade se vacinar contra a covid. Contudo, nos municípios ao redor, como Corguinho, Rochedo, Jaraguari e Terenos, por exemplo, moradores saíram de suas cidades para receber o imunizante em outros locais. 

“Municípios de áreas metropolitanas absorvem a população de municípios vizinhos, que se deslocam para trabalhar ou estudar e acabam se vacinando nessas cidades que são polos regionais”, indica a Fiocruz. 

Municípios de fronteira receberam doses extras

Já que o estudo trata sobre as doses aplicadas em moradores do Paraguai em municípios de fronteira, é importante frisar que as cidades receberam doses extras em Mato Grosso do Sul. Em março, por exemplo, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) solicitou ao Ministério da Saúde o envio de 30% a mais de doses da vacina para 13 municípios que fazem fronteira com países vizinhos. 

“Nesses municípios a dupla nacionalidade faz com que recebamos paraguaios e bolivianos em nossas cidades fronteiriças, gerando um acréscimo populacional a ser imunizado, aquém da estimativa estabelecida pelo Ministério da Saúde, cuja situação resulta na escassez de imunizantes para ser aplicada nesse grupo excedente não previsto”, explicou o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, na ocasião. 

Além disso, as cidades na fronteira de Mato Grosso do Sul ainda participaram de um estudo de imunização em massa. Os municípios receberam quantitativo de doses suficiente para vacinar toda a população adulta, sendo que as vacinas acabaram sobrando e foram redistribuídas a outras cidades no Estado. O estudo de vacinação em massa na fronteira ajudou o estado a se firmar líder na imunização no país.

Jornal Midiamax