Cotidiano

Para quem perdeu quase tudo há um mês, novo temporal trouxe ainda mais prejuízos em Campo Grande

Vento de 100 km/h destelhou apartamentos no Ramez Tebet

Mariane Chianezi e Fábio Oruê Publicado em 17/11/2021, às 16h33

'Teve destelhamento na última chuva, moradores precisaram quebrar o muro para a água sair', conta a presidente do bairro
'Teve destelhamento na última chuva, moradores precisaram quebrar o muro para a água sair', conta a presidente do bairro - Leonardo de França, Midiamax

A forte tempestade com ventos de mais de 100 km/h que atingiu Campo Grande no dia 15 de outubro deixou rastro de destruição e, um mês depois, ainda causa prejuízos e contratempos aos moradores do Residencial Ramez Tebet, em Campo Grande. Com blocos destelhados desde a última tempestade, o novo temporal da noite desta terça-feira (16) deixou lajes encharcadas e moradores temem pelo pior.

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Foto: Leonardo de França, Midiamax

Dos 24 blocos no condomínio, 3 foram destelhados. Desde então, os apartamentos sofrem com infiltrações e moradores chegaram a deixar os imóveis pelo risco. Marcelo Almada, de 50 anos, é porteiro, e disse que o apartamento onde mora no residencial está com telha em cima, mas que ainda há muita infiltração de água.

“Na vizinha, a parte do teto está só na laje, ela precisou deixar o apartamento porque já tem muito mofo. Em casa quando chove eu cubro com lona os móveis, subo na laje para retirar a água acumulada. Coloco as crianças em um cômodo só para se protegerem”, disse.

O condomínio informou que pediu doações para a Defesa Civil, mas foi informado que o residencial não se enquadra nos quesitos para ser ajudado, pois, não são casas individuais e nem famílias em extrema pobreza.

Construído pela Caixa Econômica Federal, o condomínio também acionou o banco, que chegou a ir ao local, mas posteriormente relatou que não poderia ajudar, pois, a construção já tem mais de 5 anos de entregue e não há apólice de seguro.

A esperança agora é conseguir arcar com as manutenções dos apartamentos fazendo vaquinha entre os moradores e com conhecidos que sabem a necessidade e querem ajudar.

Semelhanças não só no nome

Em outro ponto da cidade, não só o nome do bairro é algo em comum com o condomínio: os problemas com as chuvas no Residencial Ramez Tabet, na região do Bairro Centro Oeste, também são iguais.

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Foto: Leonardo de França, Midiamax

Ilda Macedo, de 57 anos, relatou à reportagem que devido à intensidade da chuva nesta terça-feira (16), muita água se acumulou na rua e um idoso foi levado pela enxurrada. “Ele tentou atravessar a enxurrada de bicicleta, pensou que ia dar, mas caiu e foi sendo levado. Outras moradoras estavam perto e viram, entraram na água para ajudar”, relatou.

Sem o escoamento da água e com muitas crateras na rua, a água da chuva acaba indo para as casas dos moradores. A presidente do bairro, Fátima Aparecida, de 59 anos, disse que as ruas viram um verdadeiro rio quando chove. “Teve destelhamento na última chuva, moradores precisaram quebrar o muro para a água sair. Vem patrola arrumar a rua, mas na primeira chuva leva tudo embora”, disse.

Ela disse que os próprios residentes não contribuem e jogam lixo nas ruas. Em um buraco na rua, a reportagem flagrou galhos de árvores e lixo. Edson Almeida contou que um morador jogou um tronco de árvore dentro de um buraco e quando a chuva veio, o curso da água foi desviado para dentro da sua casa. “Alagou sala e cozinha”, disse.

Foto: Leonardo de França, Midiamax

Jornal Midiamax