Cotidiano

Especialistas em descobrir 'segredos picantes', detetives usam equipamentos de última geração em Campo Grande

Saiba um pouco mais sobre como atuam esses discretos profissionais

Gabriel Maymone e Gabriel Neves Publicado em 17/10/2021, às 07h22

Detetives monitoram rotina dos investigados para solucionar casos
Detetives monitoram rotina dos investigados para solucionar casos - Marcos Ermínio / Midiamax

Esqueça as roupas escuras e pesadas de Sherlock Holmes, o detetive moderno é mais comum do que a gente imagina e utiliza a tecnologia para solucionar seus casos. Esqueça também a resolução de crimes: diferente do famoso personagem, esse profissional atua muito mais na resolução de casos extraconjugais, na maioria das vezes. 

O diretor-executivo de uma empresa de detetives particulares de Campo Grande, que atua há 10 anos no ramo — e será identificado apenas como Silva por questões de segurança —, confirma que a maioria dos casos que recebe é relacionada à infidelidade conjugal. Porém, as contratações geralmente partem dos advogados de uma das partes, que precisa de provas da traição para usar em processo de separação de bens, por exemplo. 

Ao Jornal Midiamax, Silva também detalha que as causas trabalhistas ficam em segundo lugar entre os motivos de contratação de seus serviços. "Depois das questões conjugais, as mais requisitadas são questões trabalhistas. Por exemplo, o advogado de empresa ou a própria empresa, contrata um detetive para descobrir se funcionário que alegou algum afastamento está trabalhando por fora", detalha.

Em um escritório localizado em edifício na região do Bairro Santa Fé, Silva diz que esse tipo de serviço é pouco acessível. "Realmente, nossa clientela é formada por advogados, médicos, empresários e fazendeiros. É um serviço caro", avalia, sem revelar valores.


Descobrir casos extraconjugais e levantar provas judiciais para advogados são a especialidade dos detetives campo-grandenses - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax

O 'boom' da profissão

A carreira de detetive é recente e foi regulamentada apenas há 4 anos, pela Lei Federal nº 13.432/17. "Tivemos aumento exponencial de clientes nesse período", confirma o detetive. Para entrar no ramo, existem cursos profissionalizantes, porém, a empresa a qual Silva trabalha não exige nenhum tipo de formação. A própria empresa oferece a capacitação ao profissional. 

Munidos de equipamentos de última geração, os detetives campo-grandenses atuam em silêncio e garantem a solução do caso em 12 dias, em média. A equipe do escritório de Silva é formada por três pessoas: 2 em campo e 1 que trabalha com tecnologia da informação.

Diferente do que muitos pensam, Silva esclarece que os detetives agem dentro da lei. Esses profissionais não criam situações para 'pegar' a pessoa como armar um encontro com perfil fake ou até mesmo fazer gravações de forma ilícita. "Só podemos fazer dentro do limite da lei, se estiver fora, não será possível usar em juízo, então, nem adianta fazer", explica.

Em resumo, a atuação desses profissionais se baseia em monitorar a rotina do investigado. "Vemos o horário que ele sai de casa, onde ele vai, com quem ele vai, em que carro anda, em quais locais entra. Com isso, a gente descobre tudo, se tem amante, se dirige embriagado para casos de guarda de filho, se trabalha de maneira informal escondido da empresa, descobrimos tudo", pontua Silva.

Equipamentos

A discrição e sigilo são fundamentais nessa carreira. Para isso, os detetives aproveitam da tecnologia e utilizam diversos tipos de equipamentos para comprovar os fatos constatados. Tudo é colocado em relatório e enviado ao cliente.


De escutas a microcâmeras em relógios: tecnologia é aliada desses profissionais - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax

"Não é só pegar uma câmera e sair tirando fotos. Temos microcâmeras, relógio com câmera embutida, localizadores [usados para rastrear carros] e escutas", detalha o profissional.

Assim, os detetives garantem a comprovação de todos os passos que o vigiado dá. "Trabalhamos com agentes de campo com equipamento de escuta ambiental, que usamos bastante. Não podemos colocar escuta no celular da pessoa, mas se entrar em um restaurante, por exemplo, conseguimos captar a conversa", esclarece Silva.

Casos curiosos

Diante de diversos casos que chegam todos os dias, Silva destaca que alguns são curiosos. "Teve uma vez que tivemos que recusar o serviço do cliente, pois ele já havia contratado o mesmo serviço mais de 12 vezes para saber se estava sendo traído. Fizemos as investigações e sempre mostrava que ele não estava sendo traído, mas ele voltava e pedia de novo. Até que um dia falamos que não dava mais para fazer [a investigação], porque não existia traição", relata.

Outro caso que chamou a atenção de Silva foi um casal em que ambos estavam desconfiados do parceiro. "O marido veio e falou que queria investigar a esposa, mas desistiu quando viu os preços. Alguns dias depois, a esposa veio e contratou o serviço", lembra.


Detetives trabalham com discrição para não serem notados pelos investigados - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax

Também há casos em que o cliente quer saber se está sendo investigado. "A gente também aceita esse tipo de serviço. Tem pessoas que acham que estão sendo investigadas pela empresa, pela esposa. Nós temos um aparelho que consegue detectar se há algum equipamento escondido transmitindo sinal", finaliza.

Jornal Midiamax