Cotidiano

Na divisa de MS, maior hidrelétrica do Sudeste está próxima do colapso hídrico

Baixos níveis preocupam e volume útil pode zerar ainda nesta semana

Gabriel Neves Publicado em 19/09/2021, às 20h16

A usina hidrelétrica de Ilha Solteira, maior do Sudeste em potência instalada, chegou neste domingo à beira do colapso
A usina hidrelétrica de Ilha Solteira, maior do Sudeste em potência instalada, chegou neste domingo à beira do colapso - (Foto: Divulgação)

A usina hidrelétrica de Ilha Solteira, localizada na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, é a maior do Sudeste em potência instalada e chegou neste domingo (19) à beira do colapso, por conta dos baixos níveis da água.

O reservatório da usina passou por quedas significativas nas últimas duas semanas, atingindo 1,45%, ameaçando zerar o volume útil ainda esta semana, comprometendo a geração de energia elétrica.

Terceira maior hidrelétrica em operação no país, Ilha Solteira tem capacidade de gerar 3.444 MW com 20 unidades geradoras, o suficiente para abastecer o Rio de Janeiro e Recife, aproximadamente. Desde Agosto, no entanto, vinha gerando cerca de 30% disso de forma a preservar a água do reservatório.

Conforme o diretor-executivo do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, o cenério liga o “alarme do alarme” da crise hídrica. “Desde que anunciou a criação do comitê de crise, em junho, o Governo Federal não encarou o problema, e praticamente não tomou medidas”, afirmou.

Para o ex-diretor-presidente da Ana (Agência Nacional de Águas) Vicente Andreu, a operação que resultou na redução rápida e brutal da represa é “estranhíssima” e revela a desorganização e falta de transparência no gerenciamento da crise.

Já a estatal chinesa CTG Brasil, concessionária de Ilha Solteira, afirma que apesar da cota de outorga ser 323m, a usina seria projetada para operar até o nível de 314 metros. Conforme a empresa, se considerar este nível, o volume correspondente seria de 57% do total do reservatório.

Assim, Ilha Solteira não deve encerrar a geração, passando a operar com fio d’água, ou seja, a mesma vazão que chega, é liberada. É o que avalia o ex-diretor do ONS Luiz Eduardo Barata.

“As usinas somente devem parar se chegarmos a níveis extremos; todo o sistema funciona como cascata, mas se essa cascata secar nas cabeceiras, abaixo também para”, diz o engenheiro com passagem por Furnas, Eletrobrás e Itaipu.

Em nota, o ONS (Operador Nacional do Sistema) afirmou que a operação de usinas hidrelétricas com nível de armazenamento em torno de 10% é tecnicamente viável e não compromete a governabilidade hidráulica das bacias que compõem o SIN (Sistema Integrado Nacional).

*Com informações do Yahoo.

Jornal Midiamax