Cotidiano

Morre, aos 68 anos, dona Maria dos Jacarés, ícone da cultura pantaneira em MS

Idosa sofreu uma parada cardíaca em cirurgia após acidente doméstico

Renata Fontoura Publicado em 01/08/2021, às 12h03

Eurides usava um berrante para chamar os animais
Eurides usava um berrante para chamar os animais - Reprodução, GloboPlay

Eurides de Fátima Macena de Barros, de 68 anos, conhecida como "Maria do Jacaré", morreu na tarde do último sábado (31) em Aquidauana, durante procedimento cirúrgico devido a um acidente doméstico ocorrido na sexta-feira anterior. Conhecida pelos cuidados que tinha com dezenas de jacarés no quintal de sua casa, Dona Eurides, que gostava mesmo era de ser chamada de Maria do Jacaré, era um ícone do Pantanal sul-mato-grossense.

Conforme informações da família, o acidente doméstico aconteceu na casa de um dos filhos na noite de sexta (30). Devido às dores, no dia seguinte, ela procurou o Hospital Regional de Aquidauana, onde passou por procedimento cirúrgico. Foi descoberta uma hemorragia interna por conta de uma lesão no fígado Durante a cirurgia, Maria dos Jacarés não resistiu a uma parada cardíaca que sofreu.

Além da saudade em amigos e familiares, dona Maria dos Jacarés deixa um legado icônico na cultura pantaneira em MS, à vista a qualquer pessoa que cruzava a  BR-262, principal caminho que atravessa Mato Grosso doSul, a caminho de Corumbá. Na região, localizado pouco antes do km-654, um pequeno recanto guardava surpresas aos visitantes, uma casa simples de beira de estrada com um ‘quintal’ lembrava uma réplica do Pantanal.

Nesse lugar era onde Maria residia. Com simpatia, ela recebia visitantes e apresentava um universo particular, onde preservava símbolos de um bioma inteiro. Insistente, ela se recusando a abandonar os animais, mesmo com a idade avançada. Há quatro anos, ela foi personagem de uma reportagem especial do Jornal Midiamax, que narrou a rotina da "encantadora de jacarés".

No quintal de casa, os jacarés iam até a ‘dona’ quando ela tocava o berrante. Ela ainda conseguia se aproximar e acariciar os répteis, mas sempre respeitando a natureza do animal, sem torná-los bichos de estimação. “Faz tempo que eu moro aqui. Tenho um casal de filhos e 6 netos. As crianças querem vir aqui passar um tempo comigo, mas eu não tenho uma casa boa, por isso que elas não ficam aqui”, explicou.

A partida de Maria dos Jacarés deixará um vazio na BR-262, mas também na história de Mato Grosso do Sul. À imprensa, seus filhos comentaram que pretendem manter o legado da mãe, que de tão famosa virou ponto turístico imperdível de quem cruzava a rodovia.

Jornal Midiamax