Cotidiano

Mesmo sem eficácia comprovada, ‘kit covid’ ainda divide opiniões em Campo Grande

Enquanto alguns acreditam que remédios não têm efeito, outros reforçam que tomariam com recomendação médica

Mylena Rocha e Gabriel Neves Publicado em 27/07/2021, às 15h00

Medicamentos causam polêmica até hoje e médicos têm autonomia para receitar.
Medicamentos causam polêmica até hoje e médicos têm autonomia para receitar. - Leonardo de França/Midiamax

Depois de quase um ano e meio de pandemia, muita coisa mudou, mas ainda há quem acredite nos medicamentos do ‘kit covid’ em Campo Grande. Cloroquina, azitromicina e ivermectina já foram recomendados como tratamento precoce, mas não têm eficácia comprovada. Ainda assim, os medicamentos continuam dividindo opiniões. 

A dona de casa Ranielle Albuquerque, de 25 anos, diz que não confia nos medicamentos do ‘kit covid’. Ela conta que o marido já foi infectado pelo coronavírus, mas que optou por não tomar os remédios. “Não confio na eficácia. Conheço pessoas que tomaram esses remédios e acabaram falecendo”, comenta.

Já a corretora Andressa de Oliveira, de 29 anos, afirma que confia na eficácia dos medicamentos para pacientes com covid e tratamento precoce. Andressa explica que só não tomou os medicamentos quando teve coronavírus, pois eles ainda não eram receitados na época, ainda no início da pandemia. “Se o médico me receitasse, eu tomaria sem problemas”, ressalta. 

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Marcos não acredita na eficácia do tratamento precoce. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

O encanador Marcos Crispim, de 51 anos, não acredita na eficiência dos três medicamentos e diz que não tomaria por medo dos efeitos colaterais. “Eu acho que contra o coronavírus é só a vacina mesmo, não tem jeito. Esse negócio de tratamento precoce é coisa de bobo”.

Neiva dos Santos, de 47 anos, é funcionária pública e conta que o marido teve coronavírus, mas não tomou o medicamento. Ela também não acredita na eficácia, mas diz que faria uso do ‘kit covid’ no caso de recomendação médica. “Não acredito que vá curar a covid ou evitar que alguém tenha, mas, se o médico receitasse, eu tomaria. Eu só não pediria ao médico para receitar”, conclui. 

Remédios sem eficácia comprovada

Mesmo sem eficácia comprovada dos medicamentos, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina e a ivermectina neste mês. Bolsonaro disse que os remédios foram ‘satanizados’ pelo suposto lobby das farmacêuticas. Diferente do presidente, o Ministério da Saúde enviou documentos à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid e disse que os medicamentos do ‘kit covid’ são ineficazes. 

Agora, cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, realizam uma nova pesquisa sobre o uso de ivermectina em casos de covid. O estudo fará a comparação entre as pessoas que receberam a ivermectina e os pacientes que receberam os cuidados rotineiros no sistema de saúde britânico. Mesmo com alguns resultados positivos iniciais, o pesquisador-chefe, Richard Hobbs, disse que seria prematuro recomendar a ivermectina para pacientes com coronavírus. 

Médicos têm autonomia para receitar em MS

Os médicos podem receitar medicamentos do ‘kit covid’ para tratamento do coronavírus em Mato Grosso do Sul, como é o caso da ivermectina. O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) reforça que, no caso de covid ou em qualquer outro tratamento, “o médico tem autonomia para definir junto ao paciente qual a melhor terapêutica a ser adotada”.

A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) não recomenda o tratamento precoce contra covid com qualquer tipo de medicamento. “Os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”.

Jornal Midiamax