Cotidiano

Justiça de MS autoriza escritura pública de venda de imóvel mesmo com morte de vendedor

A votação ocorreu nesta terça

Gabriel Neves Publicado em 21/07/2021, às 11h52

Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa. - (Foto: Arquivo/Midiamax)

O Conselho Superior da Magistratura de Mato Grosso do Sul, de forma unânime, deu provimento a um recurso para determinar ao serviço de registro de imóveis da comarca de Aparecida do Taboado que registre uma escritura pública de venda e compra à margem da matrícula imobiliária, mesmo tendo ocorrido a morte do vendedor após a lavratura do ato, registro sem qualquer condicionamento a inventário ou pedido de alvará.

A votação ocorreu nesta terça-feira (20), nos termos do voto do Corregedor-Geral de Justiça, desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva.

O caso se trata da recusa de registro de uma escritura pública de venda e compra para registro no cartório de imóveis, o oficial que recusou o registro alegou ter conhecimento de que um dos vendedores havia morrido. Por conta disso, os compradores deveriam intervir em inventário ou pedido de alvará em juízo.

Segundo o registrador, a fração ideal que pertencia ao falecido passou a integrar de imediato o patrimônio do espólio e, como tal, deveria ser colacionado ao inventário. O juiz da comarca manteve esse mesmo entendimento. Daí adveio o recurso ao Conselho Superior da Magistratura.

Em seu voto, o relator, desembargador Luiz Tadeu, destacou não se estar diante de compromisso de venda e compra de imóvel, mas sim de escritura pública de venda. A morte de um dos vendedores ocorreu após a escritura ser lavrada.

“Suponha-se que A faça a venda de um imóvel para a pessoa de B, por escritura pública lavrada no final do mês de março. O comprador não efetua o registro da escritura, de pronto, porque aguarda receber seu salário, previsto para o dia 10 de abril. No dia 4 de abril vem a óbito o vendedor A. Pergunta-se: teria o comprador que se habilitar em inventário ou requerer alvará para o espólio cumprir pseudo-obrigação? Teria que eventualmente ajuizar ação de adjudicação compulsória? É claro que não. Basta que o comprador leve a escritura a registro tão logo tenha condições de arcar com os emolumentos, para anotação à margem da matrícula imobiliária, para consolidar seu domínio, sem qualquer necessidade de ‘inventário’”, explicou o desembargador durante seu voto.

De acordo com o relator, se o ato tivesse sido lavrado por contrato particular de compra e venda a situação seria outra: haveria necessidade de intervenção no inventário, pedido de alvará, ou até de adjudicação compulsória. No caso do recurso, no entanto, a escritura foi lavrada por instrumento público, como ato jurídico perfeito, o que não impede seu registro à margem da respectiva matrícula.

Outro aspecto relevante para solucionar a dúvida apresentada é que um dos princípios que rege a atividade notarial e registral é a fé pública, sendo certo que a escritura pública de venda e compra lavrada é ato/documento que confere validade ao negócio jurídico firmado pelas partes, já que revestido das formalidades legalmente exigidas, possibilitando, assim, a transferência do imóvel aos compradores, ainda que após o óbito de um dos vendedores.

Com isso, ficou entendido que o fato de ter ocorrido a morte de um dos vendedores após a escritura de venda e compra de imóvel por instrumento público ser lavrada não impede o registro do ato de venda e compra no serviço de registro imobiliário, para a consolidação do domínio, sem condicionar o ato a qualquer habilitação em inventário.

Desta forma, contra o parecer, o recurso foi provido para determinar que o oficial registrador realize o registro da escritura pública de venda e compra do imóvel matriculado no SRI de Aparecida do Taboado/MS, com a consequente transferência da propriedade do bem aos compradores apelantes.

Jornal Midiamax