Cotidiano

‘Injustificável e inadmissível’, diz advogado após morte de Jamil Name

Defesa tentou por várias vezes levar empresário para prisão domiciliar, mas nenhum pedido foi aceito

Adriel Mattos Publicado em 27/06/2021, às 20h24

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Foto: Divulgação

O advogado Tiago Bunning, advogado do empresário Jamil Name, criticou o Poder Judiciário após a morte do cliente, vítima de complicações da Covid-19 neste domingo (27). Ele estava internado há um mês em um hospital particular de Mossoró (RN).

Bunning lembrou que Name tinha 82 anos e uma saúde frágil. “Foi encaminhado para o regime prisional mais severo do nosso país, permanecendo preso preventivamente num Presídio Federal, em regime disciplinar diferenciado, a mais de 3.000km de sua família, sem que existisse ao menos uma sentença condenatória em seu desfavor”, declarou em nota.

O empresário foi preso em setembro de 2019 no âmbito da Operação Omertà. Ele era acusado de supostamente chefiar uma organização criminosa especializada em execuções. Name foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, assim como Jamil Name Filho.

“Daqui alguns anos ninguém acreditará que isso aconteceu no século XXI, em um Estado Democrático de Direito, onde não se admite a pena capital e a lei garante a prisão domiciliar a quem possui doença grave ou tem mais de 80 anos, justamente para evitar a morte, porque o Estado pode tirar a liberdade de qualquer pessoa, mas não deve tirar a vida de ninguém”, prosseguiu o advogado.

A nota conclui frisando que a morte do empresário poderia ter sido evitada. “Injustificável e inadmissível. A defesa promoveu incansáveis pedidos de prisão domiciliar, habeas corpus e outras medidas jurídicas cabíveis, em todas as instâncias. A morte de Jamil Name foi uma tragédia anunciada”, finaliza.

Estado agravado

Bunning ainda declarou que recebeu informações de que Name passou a sofrer com contínuas diarreias e precisou ser tratado na enfermaria da penitenciária. “Estava na enfermaria da unidade penal desde 26/05/2021 quando foi transferido às pressas diretamente para uma UTI”, destacou.

O advogado ainda cita que a penitenciária registrou 70 casos de Covid-19 antes da internação do empresário. “Todas essas informações foram cerceadas da defesa que mesmo solicitando não recebia os prontuários médicos atualizados há mais de um ano, desde março de 2020”, concluiu.

Jornal Midiamax