Cotidiano

Indígenas das etnias guarani, kaiowá e terena foram maiores vítimas da Covid-19 em MS

No Estado, já são 5 mil indígenas infectados pela doença e 86 mortes

Karina Campos Publicado em 19/04/2021, às 11h16 - Atualizado às 11h18

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Alunos indígenas de mestrado da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) estão realizando monitoramento contra a Covid-19 de aldeias do Estado. A pesquisa da equipe divulgada, nesta segunda-feira (19), aponta indígenas das etnias mais atingidas são os guaranis, kaiowás e terenas. 

Gledson Martins, 23 anos, da etnia Guarani-Nãndeva da aldeia Porto Lindo, de Japorã e pesquisados do monitoramento, relata que até a última quinta-feira (15), 5 mil indígenas foram infectados pela doença e 86 mortes, conforme o boletim do Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena).

As aldeias mais atingidas pela doença foram dos municípios de Dourados, Aquidauana, Miranda, Sidrolândia e Campo Grande com os maiores números de mortes. “Nesse mês de abril é possível observar intervalos maiores, em dias, entre o registro de novos casos e óbitos sobre os indígenas. Apesar disso, todos os cuidados básicos ainda devem ser exercidos, pois existe grande possibilidade de haver explosão de novos casos. Ainda não foram imunizados 100% da população indígena no Estado. Nesse sentido, a proximidade de algumas aldeias indígenas de centros urbanos como o caso de Dourados é um dos fatores que mais agravam a situação dos povos indígenas”, disse.

O mestrando em Recursos Naturais cursou a graduação tecnológica em Gestão Ambiental, na unidade de Mundo Novo, e no início de 2019 iniciou o mestrado, o primeiro em sua família a cursar uma pós-graduação. Ele será o primeiro mestre de sua família e já tem outros familiares cursando o ensino superior. Ele está inserido na linha de pesquisa: Materiais e Métodos Aplicados aos Recursos Naturais, entretanto houve mudanças na pesquisa e ele passou a modelar matematicamente os casos de COVID-19 sobre os povos indígenas de MS.

 “Especificamente para os povos indígenas, é um retorno significativo de minha parte a lutas que muitos indígenas, na maioria dos casos, ainda analfabetos, buscaram conquistar. Meu trabalho contribui inicialmente no registro histórico da situação diária que os povos indígenas enfrentam. Com o monitoramento ainda podemos estudar a propagação do vírus desde o início dos primeiros casos a fim de propor medidas de controle para os gestores locais, bem como as lideranças indígenas, líderes municipais, estaduais e federal”, destaca.

Jornal Midiamax