Cotidiano

Imasul concluiu que morte de peixes em rios de MS não foram causadas por incêndios no Pantanal

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) divulgou, nesta segunda-feira (29), a conclusão de análise técnica de pesquisa sobre a morte de peixes no rio Miranda, região do Passo da Lontra. O estudo aponta que as mortes não têm relação com os incêndios no Pantanal, mas motivada pelo fenômeno decoada, onde […]

Karina Campos Publicado em 30/03/2021, às 10h00

(Foto: Divulgação/Imasul)
(Foto: Divulgação/Imasul) - (Foto: Divulgação/Imasul)

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) divulgou, nesta segunda-feira (29), a conclusão de análise técnica de pesquisa sobre a morte de peixes no rio Miranda, região do Passo da Lontra. O estudo aponta que as mortes não têm relação com os incêndios no Pantanal, mas motivada pelo fenômeno decoada, onde o oxigênio da água sofre redução nos rios por acúmulo de material orgânico.

O estudo foi feito entre 12 e 25 de fevereiro, com materiais coletados em 10 pontos dos Vermelho e Miranda e Miranda e Paraguai, envolvendo 10 técnicos do Laboratório de Ictiofauna, do Centro de Controle Ambiental Eni Garcia de Freitas e da Gerência de Recursos Pesqueiros e Fauna do Imasul.

De acordo com o biólogo Heriberto Gimenes Junior, o acúmulo de matéria orgânica no fundo dos rios que, quando entram em decomposição, reduzem a quantidade de oxigênio dissolvido e aumentam a de dióxido de carbono. “Em outros anos, como em 2017, que não teve queimadas tão intensas como as do ano passado, a intensidade da dequada foi mais grave, verificando-se morte de espécies de grande porte”, frisou.

Imasul concluiu que morte de peixes em rios de MS não foram causadas por incêndios no Pantanal
Amostra de peixes. (Foto: Divulgação/Imasul)

Pela primeira vez, o instituto identificou quais espécies de peixes estão sendo mais afetadas pelo fenômeno, das 83 espécies registradas na região pesquisada, os bagres, cascudos e tuviras eram as que mais sentiam os efeitos da redução do oxigênio dissolvido, justamente, peixes que vivem no fundo dos rios.

Outro ponto é que o nível fluviométrico do rio Paraguai ultrapassa 3,5m, de acordo com a régua de Ladário, localizada no 6º Distrito Naval, o que provoca a depleção do oxigênio dissolvido, que é de OD < 3,0 mg/L, uma alta concentração de Dióxido de Carbono e potencial hidrogeniônico baixo. Os pesquisadores observaram alterações na cor e odor da água no local das mortes dos peixes.

“Ao todo 82 espécies de peixes, pertencentes a sete ordens, 25 famílias e 66 gêneros foram registradas durante o fenômeno de dequada no rio Miranda, na região do Passo do Lontra (Tabela 3). Numerosos indivíduos de várias espécies foram observados na tentativa de captar OD na interface água/ar na margem direita do rio Miranda”, informa o estudo.

Por conta da alteração da qualidade da água, algumas espécies sofreram mutações para se adaptar ao meio e conseguir sobreviver mesmo com oxigênio reduzido. Isso ocorre em peixes de escama, como pacus, sardinhas, lambaris. Eles apresentam uma extensão labial que são reversíveis, mas que em tempo de dequada potencializa a captação de água de modo a melhorar o fluxo e compensar os baixos índices de oxigênio.

“Frente ao exposto, a mortalidade dos peixes no rio Miranda, na região do Passo do Lontra em fevereiro de 2021 está relacionada através da depleção de oxigênio dissolvido pelo fenômeno de Decoada, fenômeno este já registrado e esperado para a região, conforme dados disponíveis na literatura. Destacamos que o fenômeno pode ocorrer em diferentes intensidades e em diferentes meses do ano, pois os efeitos dependem diretamente da intensidade dos ciclos de seca e cheia do Pantanal, e não ocorrem simultaneamente em todos os rios”, concluiu a pesquisa.

Jornal Midiamax