Cotidiano

Há 3 dias sem energia, cerca de 6 mil moradores de ocupação ficam no escuro e perdem alimentos

Local não tem rede de energia e casas têm ligações improvisadas

Gabriel Maymone Publicado em 28/04/2021, às 14h30

Sem energia, moradores perdem alimentos que estavam na geladeira
Sem energia, moradores perdem alimentos que estavam na geladeira - Marcos Ermínio / Midiamax

O rompimento de um cabo de energia deixa cerca de 6 mil pessoas que moram em área invadida da Homex, no Jardim Centro-Oeste, região do Jardim Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. Assim, os moradores que já vivem em situação precária tiveram dois agravantes: o frio e a falta de energia.

Uma das representantes dos moradores, Cristiane dos Santos, 47 anos, que vive há 4 no local, conta que muitas famílias estão passando diversos tipos de necessidades. "Temos crianças especiais, idosos, alimentos de geladeira que estragaram", lamenta.

Conforme a moradora, a Energisa - concessionária responsável pela distribuição de energia - informa que não pode atuar na área, pois trata-se de invasão. "Pedimos para virem, mas eles [Energisa] falam que é invasão e que não tem como. Estamos aguardando uma solução", afirma Cristiane.


Rompimento de cabo deixou mais de 6 mil famílias sem energia - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax

Para Márcia Souza Silva, 36, há outro agravante. "Uso bomba de poço, então, quando fico sem luz, também fico sem água", conta. Assim, ela e a família precisam todos os dias buscar baldes com água em um vizinho que tem mangueira.

Assim como Márcia, os demais moradores pedem pela regularização dos 'gatos' de energia, para que possam instalar o padrão e pagar pelo consumo. Porém, o caso passa por imbróglio judicial.

Em nota, a Energisa informou que trata-se de ocupação irregular, mas que há projeto para instalar a rede de distribuição, "assim que a área for regularizada pelas autoridades competentes".

Por fim, a concessionária afirma que "as ligações clandestinas de energia oferecem riscos à população, uma vez que sobrecarregam a rede podendo ocasionar acidentes com mortes, incêndios, choques elétricos e curto-circuito, além de serem consideradas crime".

Caso está parado na Justiça

No dia 4 de abril, a 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos determinou a regularização de mais de 2 mil ‘gatos’ de energia pela Energisa. A ação de regularização é movida há anos pela Defensoria Pública e está parada.


Mais de 6 mil famílias vivem na área do Jardim Centro-Oeste  - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax

Entretanto, no dia 17 de julho, juiz David de Oliveira Gomes Filho revogou a ordem de regularização. O magistrado manifestou que parecia equivocada a ideia de levar energia a uma área que está sendo objeto de reintegração de posse, com liminar deferida. O magistrado aponta que além da regularização não poder ser feita com a rapidez que foi apontada no peticionamento da Prefeitura, estaria ausente a “disposição dos próprios moradores de colaborar” e, por fim, possibilidade iminente de cumprimento do mandado de reintegração de posse da área.

À época, a Energisa chegou a iniciar o planejamento para instalar a rede de transmissão, mas parou após a ordem judicial.

Jornal Midiamax