Cotidiano

Em MS, Rosana Leite admite que suspensão de aplicação em adolescentes visa priorizar 3ª dose

Secretária do Ministério da Saúde refutou que decisão teria partido diretamente do presidente Jair Bolsonaro

Gabriel Maymone e Renata Barros Publicado em 17/09/2021, às 11h12

Secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo
Secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo - Marcelo Camargo / Agência Brasil

A secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 e ex-diretora do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), Rosana Leite de Melo, admitiu, na manhã desta sexta-feira (17), em evento do Ministério da Saúde, em Campo Grande, que a suspensão da vacinação contra covid em adolescentes tem como objetivo priorizar a aplicação da 3ª dose em idosos e imunossuprimidos.

"A recomendação do Ministério da Saúde é que os pais que levaram os filhos para tomar a 1ª dose não levem para tomar a 2ª. O objetivo é aplicar a 3ª dose na população de idosos e imunossuprimidos", declarou Rosana.

Ainda conforme a secretária, a decisão da pasta em suspender a vacinação em adolescentes, anunciada no início do mês, se deu por questões técnicas. "Essa determinação de não vacinar [adolescentes] não tem nada a ver com orientação direta do presidente", pontuou, reforçando tratar-se de questão de logística de doses.

Vacinação em adolescentes

Após o Ministério da Saúde recuar e suspender a vacinação contra a Covid-19 em adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades,  a SES informou que não vai seguir a indicação e imunização no público continuará no Estado. Em MS, mais de 167 mil doses já foram aplicadas em adolescentes sem comorbidades.

Conforme explicou a SES em nota ao Jornal Midiamax, os municípios foram orientados a continuarem vacinando os adolescentes sem comorbidades com doses da Pfizer. “Mato Grosso do Sul não registrou nenhum efeito adverso grave da vacina aplicada em adolescentes. O Ministério da Saúde tomou a decisão de forma isolada, sem consultar a câmara técnica, assim como sem consultar o Conass e Conasems”, disse a pasta.

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) criticaram a decisão mais cedo. Os conselhos encaminharam uma nota conjunta ao presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, pedindo um posicionamento ao órgão. 

Jornal Midiamax