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Cotidiano

Diretor da cerimônia de abertura da Olimpíada é demitido por piada com Holocausto

Kentaro Kobayashi deixou o cargo nesta quinta
Arquivo -
O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio demitiu o diretor da cerimônia de abertura por causa de uma piada sobre o Holocausto que ele fez durante um show de comédia em 1998. Kentaro Kobayashi deixou o cargo nesta quinta-feira, na véspera do evento, marcado para as 20h no horário local (8h de Brasília) desta sexta.

Reportagens do periódico japonês Mainichi Shimbun trouxeram à tona antigos comentários do profissional fazendo piadas sobre o Holocausto. Kobayashi renunciou após várias organizações judaicas protestarem nos últimos dias sobre uma performance do artista japonês datada de 1998, na qual ele disse “vamos brincar de holocausto”.

O comediante de 48 anos, conhecido sobretudo por um dueto do qual fez parte até 2009, se desculpou pelas “expressões extremamente inadequadas” que fez “quando era muito jovem”, por meio de um comunicado distribuído pelos organizadores da Olimpíada.

Kobayashi lamentou “não ser capaz de fazer as pessoas sorrirem” e “desrespeitar e causar desconforto”, e assumiu que a melhor opção era “parar de trabalhar” para os Jogos de Tóquio.

“Nós descobrimos que Kobayashi, em sua própria performance, usou uma frase ridicularizando uma tragédia histórica”, revelou Seiko Hashimoto, presidente do Comitê Organizador. “Pedimos profundas desculpas por causar tal constrangimento um dia antes da cerimônia de abertura e por causar problemas e preocupações a muitas partes envolvidas, bem como as pessoas em Tóquio e no resto do país”, acrescentou ela.

Hashimoto disse que “agora estão discutindo como gerenciar a cerimônia de abertura” e que a ideia é chegar a uma conclusão “em breve”.

A cerimônia de abertura será realizada nesta sexta-feira sem espectadores como medida para evitar a propagação de infecções por coronavírus, embora alguns funcionários, convidados e jornalistas credenciados vão comparecer.

O escândalo envolvendo o diretor artístico é só mais um relacionado à Olimpíada. No início desta semana, o compositor Keigo Oyamada, cuja música deveria ser usada na cerimônia, foi forçado a renunciar por ter praticado “bullying” com pessoas com deficiência, quando era estudante. Em entrevistas, ele se gabou das intimidações que provocou em seus colegas.

Os escândalos recentes ocorrem no momento em que o governo do primeiro-ministro Yoshihide Suga enfrenta críticas por priorizar os Jogos Olímpicos, apesar das preocupações com a saúde pública em meio ao recrudescimento de infecções por coronavírus.

A piada de Kobayashi sobre o Holocausto e a renúncia de Oyamada foram as últimas a atormentar os Jogos. Yoshiro Mori renunciou à presidência do Comitê Organizador por causa de comentários sexistas. Já Hiroshi Sasaki também deixou o cargo de diretor de criação após sugerir que uma atriz japonesa se vestisse como uma porca na cerimônia de abertura.

“É algo que nunca deveria ter acontecido. Esses incidentes tiveram um impacto tremendo, é por isso que desta vez decidimos ter uma reação rápida”, disse Hashimoto ao ser questionada sobre a lista incessante de problemas para os organizadores.

 

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