Cotidiano

Dia do Comércio: setor vê realidade difícil, mas confiança maior em 2021

Empresários estão mais confiantes, porém, ainda receosos. Já analistas enxergam cenário com maior otimismo.

Lucas Mamédio Publicado em 16/07/2021, às 07h30

Djalma Nogueira Santos é gerente de loja no Centro
Djalma Nogueira Santos é gerente de loja no Centro - (Foto: Leonardo de França)

A luz no fim do túnel no setor de comércio começa a ficar cada vez mais forte, e não é um trem vindo de frente. Essa é a percepção geral dos comerciantes e representantes do seguimento em Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Passado um ano e meio desde o início da pandemia, o setor, um dos mais dinâmicos da economia, se readequou rapidamente à realidade e começa, ao que parece, colher os frutos de um retorno gradativo das atividades econômicas.

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Julho de 2021 alcançou 113 pontos, maior que os baixíssimos 72 pontos em junho do ano passado (Foto: Leonardo França)

“Apesar de na prática a gente ainda viver uma situação delicada, no psicológico estamos começando a acreditar que as coisas estão melhorando. A roda começa a girar lentamente”, diz Adelaido Villa, presidente da Câmara dos Lojistas de Campo Grande (CDL).

Djalma Nogueira Santos é gerente de uma rede de lojas de acessórios no Centro da Capital. Para ele, o ano 2020 ficará marcado na história não somente por conta da pandemia, mas também pelo que gerou nas empresas em termos de resiliência, resistência, inovação, reinvenção e capacidade de superar desafios.

“O ano que seria para recuperar o fôlego de 1 ano e 7 meses de obras de revitalização da 14 de julho acabou se tornando mais difícil ainda, então temos que usar o que aprendemos para que no futuro estejamos mais preparados em todos os sentidos”, diz ele.

Djalma vê 2021 variando entre momentos que apresentam sensíveis melhoras com outros de extrema insegurança. “Situações como lockdown, restrições de horários, caos na saúde, mortes, deixaram pairando no ar sempre a sensação de que o pior ainda não havia passado e com isso fica complicado planejar qualquer ação a curto e médio prazo, mas a possibilidade de melhora e a esperança de que já estamos superando esta tempestade tem nos mantido em pé e acreditando que iremos sair mais fortes do que entramos”.

Confiança

Segundo dados da Fecomércio/MS, o índice de confiança do empresário voltou aos patamares desejados, acima dos 100 pontos, segundo esquema utilizado pela instituição. Julho de 2021 alcançou 113 pontos, contrastando com os baixíssimos 72 pontos em junho do ano passado, auge da crise e muito abaixo do mês de fevereiro de 2020, pouco antes da pandemia, que registrou pontuação de 136.

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Do saldo de 4.327 empregos do mês de maio de 2021, em MS, 62% é do comércio e serviços (Foto: Leonardo França)

“São números de percepção, mas com bases científicas, por isso concretas”, diz Regiane Dedé de Oliveira, economista da Fecomércio.

Outro dado que deixa mais forte essa luz no fim do túnel é o de consumo da família, ainda abaixo dos 100, marcando 83, mas numa constante crescente desde o ano passado.

Quando voltamos o olhar para outro dado mais objetivo, o do emprego, aí fica muito clara a retomada da atividade econômica do comércio. Segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do saldo positivo de 4.327 de empregos do mês de maio de 2021 em MS, 62% é do comércio e serviços.

“Somos o setor que mais emprega, o que tem mais empresas”, reforça Regiane.

Conforme dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul, esse ano, de janeiro a abril, tivemos um saldo de 1736 empresas abertas em Campo Grande, contra 1057, em 2020, e 1400, em 2019, quando nem havia pandemia.

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 Tivemos um saldo 1736 empresas abertas em Campo Grande, em 2021, contra 1057 em 2020 (Foto: Leonardo França)

“Desde 2014 nós não tínhamos tantas empresas abertas, e não é empreendedorismo por necessidade, porque não são microempresas”, afirma Normann Kalmus, economista da Associação Comercial de Campo Grande.

Normann destaca que vários números mostram como o setor não está tão mal como alguns dizem. “A arrecadação de impostos do Estado cresceu 24% no 1º semestre em relação ao ano passado, o setor varejista cresceu, o atacadista nem se fala”.

Segundo o economista, a pandemia também ensinou muito. “Muitos comerciantes viram que é preciso esperar as dificuldades, que não pode ter medo de arriscar, de mudar e se adaptar. No geral, acho que nos saímos muito bem e vamos dar a resposta mais rápida que em outro lugares".

Jornal Midiamax