Cotidiano

'Desorientados', produtores de eventos se dividem sobre Passaporte da Vacina

Governo já anunciou que não deverá adotar comprovante e que exigência vai ficar a critério da iniciativa privada

Lucas Mamédio Publicado em 30/09/2021, às 14h32

Dupla Bruno e Marrone vai estar em Campo Grande em dezembro
Dupla Bruno e Marrone vai estar em Campo Grande em dezembro - (Foto: Divulgação)

A classe dos produtores de eventos em Mato Grosso do Sul parece desorientada em relação à adoção do chamado Passaporte da Vacina, que seria utilizado para permitir a entrada de pessoas em shows e estabelecimentos em geral.

Na última reunião do Prosseguir, o Governo justificou que não deverá adotar o passaporte imunitário porque mais de 94% da população adulta já está vacinada. Contudo, afirmou que a iniciativa privada está liberada para exigir comprovante.

Alguns poucos produtores que realizaram eventos, exigiram a comprovação ou o exame PCR negativo. Porém, relataram que o impedimento para entrada se torna difícil porque não há lei que ampare tal medida.

Esse foi o caso de Pedro Silva, um dos maiores produtores de eventos da Capital. Ele já fez seu primeiro evento e tem outros tantos na agenda. Em todos os anúncios, ele frisa que para participação é exigido o comprovante de vacina ou um exame PCR negativo de até 72h para trás.

“Nó último evento que fiz, cerca de 10 pessoas não cumpriram esses pré-requisitos. Mas assim, o que eu vou fazer se não tem lei? Eu deixei entrar”, admitiu Pedro.

Já Walter Júnior, da Santo Show, realizou um evento para 3 mil pessoas há alguns dias e fez as mesas exigências: comprovante de vacinação ou exame negativo. Só que com uma grande diferença, a produtora montou um laboratório para fazer os exames na hora. Cerca de 30 pessoas foram barradas.

Por isso Walter estuda não adotar as mesmas medidas em dezembro, quando trará a Campo Grande a dupla Bruno e Marrone. “Estamos estudando não adotar, mas ainda é cedo. Porém, pelo que percebemos, já está quase todo mundo vacinado”, disse Walter.

A Abrasel MS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) se posicionou contra a adoção do Passaporte. De acordo com o presidente da Abrasel MS, Juliano Wertheimer, a exigência do passaporte de vacinação em bares e restaurantes causará mais um impacto ao setor.

“Somos contrários a essa exigência, pois uma vez que restringe a circulação, diminui o acesso da população aos restaurantes e, principalmente, vai na contramão da evolução da vacinação em Mato Grosso do Sul e, principalmente, em nossa Capital”, pontuou.

Quem não vai abrir mão da exigência por enquanto é o produtor Leonardo Alencar, que realizará nos próximos dias 14 e 15 de novembro um show de comédia e um espetáculo de música em Campo Grande.

O empresário diz que é totalmente a favor do Passaporte. Perguntado se não teme ter problemas com pessoas alegando cerceamento de liberdade, ele diz que não. “Estamos deixando bem nos anúncios o que é preciso para entrar nos eventos, incentivando, inclusive, o pessoal mais jovem a se vacinar”.

Polêmica em torno do Passaporte

O tema foi objeto de inúmeras controvérsias ao longo da semana. Na segunda-feira (27), uma audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande teve de ser encerrada após uma fala inflamada do secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, a favor do comprovante, inclusive chamando manifestantes de “nazistas e fascistas”.

No dia seguinte, o governador Reinaldo Azambuja disse publicamente que a fala foi uma atitude isolada do secretário, ao que o titular da pasta não respondeu. Ao cabo, na reunião do Prosseguir desta quarta-feira (29), o Estado pareceu lavar as mãos de vez, deixando a medida a critério da iniciativa privada.

Jornal Midiamax