Cotidiano

Contrários ao passaporte da vacina em Campo Grande, comerciantes temem prejuízos e conflitos

Setores justificam que não é papel do empresário fiscalizar se cliente tomou vacina ou não

Mylena Rocha Publicado em 28/09/2021, às 09h45

Contrários à exigência do comprovante da vacina, setores reforçam que não têm poder de fiscalização.
Contrários à exigência do comprovante da vacina, setores reforçam que não têm poder de fiscalização. - Marcos Ermínio/Midiamax

A proposta do ‘passaporte da imunidade’ continua gerando polêmica em Campo Grande. A discussão sobre o assunto terminou em confusão, quando a sessão teve que ser encerrada por falta de segurança. A Capital já tem 70% da população vacinada com ao menos uma dose, mas entidades do comércio são contra a medida. A justificativa é de que a exigência possa causar prejuízo e até conflito com os clientes. Além disso, setores reforçam que não têm poder de fiscalização. 

De maneira geral, os comerciantes, lojistas e donos de bares e restaurantes ressaltam que são a favor da vacinação contra o coronavírus. Contudo, exigir o comprovante do cliente poderia prejudicar ainda mais os setores, que já tiveram tantas dificuldades ao longo da pandemia. 

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Campo Grande se manifestou contrária ao passaporte vacinal. Para os lojistas, a medida poderia gerar conflitos com os consumidores, gerando transtornos desnecessários. O presidente da CDL, Adelaido Vila, reforça que os varejistas não têm poder de fiscalização para exigir a documentação dos clientes e aponta que a responsabilidade caberia às autoridades. Ele ainda cita o alto percentual de vacinados, o que seria suficiente para dispensar medidas mais restritivas.

A ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) também se posicionou contrária ao passaporte da imunidade e aponta que a medida pode ter impacto sobre o comércio, restaurantes, bares, shoppings e outros estabelecimentos empresariais e atividades econômicas com grande público. O presidente da entidade, Renato Paniago, defende que a exigência do comprovante da vacinação fere princípios legais individuais. 

“Não é papel do setor empresarial fiscalizar se os clientes tomaram ou não a vacina. Além disso, desde o início da pandemia, o comércio sofreu com diversas medidas restritivas que desestimularam o consumo, afetaram a manutenção dos postos de trabalho e levaram ao encerramento de várias empresas. Campo Grande já ultrapassou a marca de 70% de toda a população vacinada contra a Covid-19, não podemos retroceder no processo de retomada econômica com esse tipo de exigência”, reforça. 

Paniago explica que o comércio tem feito seu papel, ao exigir o cumprimento das medidas protetivas, como uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento. “Por isso, pediremos aos representantes do legislativo municipal que não sigam com essa proposta”, complementa.

O setor de bares e restaurantes também é conta a adoção do passaporte na Capital. A Abrasel-MS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul) justifica que a exigência trará impactos ao setor. 

“Somos contrários a essa exigência, pois uma vez que restringe a circulação, diminui o acesso da população aos restaurantes e, principalmente, vai na contramão da evolução da vacinação em Mato Grosso do Sul e, principalmente, em nossa Capital”, pontuou o presidente da Abrasel, Juliano Wertheimer. 

Proposta termina em confusão na Câmara

A audiência para debater o passaporte da vacina foi realizada na tarde de segunda-feira (28), mas o tema é polêmico na Capital e a discussão terminou em tumulto. O clima já estava tenso desde o início da sessão, mas o tumulto começou depois que o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, defendeu a iniciativa. 

Diante da contrariedade de muitas pessoas presentes a respeito da iniciativa, ele chamou alguns manifestantes de 'nazistas e fascistas'. Logo após a fala de Geraldo, o cerimonial deu como encerrada a sessão por falta de segurança.

“Nazistas e fascistas da atualidade não vão prosperar. Nós, o povo, haverá de pará-los e haverá de colocar vocês na lata de lixo da história”, disse o secretário se dirigindo à parte dos manifestantes que ocupava o plenário e que era contra o Passaporte. A Guarda Municipal precisou intervir e conter alguns manifestantes que ameaçavam ir até Geraldo. Outros agentes da Guarda acompanharam o secretário até a saída do plenário.

São Paulo já adota passaporte da vacinação

A cidade de São Paulo, a maior metrópole da América do Sul, já adotou o passaporte da imunidade. As regras já estão em vigor desde o começo de setembro, quando os clientes devem apresentar comprovante de que tomaram ao menos uma dose para entrar em eventos com mais de 500 pessoas. 

Inicialmente, a ideia era de que o comprovante fosse obrigatório também em bares, restaurantes e shoppings, mas o executivo voltou atrás após pressão dos setores envolvidos. Em São Paulo, a exigência vale para shows, feiras, congressos e jogos. 

Passaporte é exigido em 249 cidades do país

Pesquisa realizada pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) revelou que pelo menos 249 cidades brasileiras já possuem ativo o passaporte da vacina, ou seja, exigência de comprovante de vacinação para acesso a espaços e eventos coletivos. O levantamento feito pela Confederação não revela os municípios que já aplicam a exigência em forma de lei. O total de 249 municípios brasileiros representa 10,1% das cidades do país.

Jornal Midiamax