Cotidiano

Cidades da fronteira de MS vivem expectativa por vacinação em massa e têm regras para barrar quem 'é de fora'

Com atraso, estimativa é de que doses cheguem ainda esta semana ao Estado

Gabriel Maymone Publicado em 30/06/2021, às 14h00

Carga com 165,5 mil doses da Janssen é esperada para vacinação em massa na fronteira de MS
Carga com 165,5 mil doses da Janssen é esperada para vacinação em massa na fronteira de MS - Divulgação

Com expectativa de receber doses de vacina contra covid ainda esta semana, municípios da fronteira de Mato Grosso do Sul se preparam para vacinação em massa de todo o público acima dos 18 anos nos próximos dias. A chegada das doses da Janssen - que é de aplicação única - já eram para ter chegado, mas a população de 13 cidades nessa região aguardam pela imunização.

Uma das preocupações, principalmente dos locais que têm cidades vizinhas do outro lado da fronteira, é de garantir que a vacinação seja feita em moradores sul-mato-grossenses.

É o caso de Ponta Porã e Corumbá, as duas maiores cidades da fronteira. Esses municípios, por exemplo, terão critérios rígidos para garantir a imunização de sua população.

"Vamos ter rigor muito grande na vacinação, além de exigir o título de eleitor e comprovante de residência, podemos exigir o comprovante de escolaridade dos filhos para garantir que a vacinação seja correta. Se ficar com dúvida, vamos pedir para voltar depois", comentou o prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo (PSDB), afirmando que em caso de dúvida por parte das equipes outros documentos podem ser exigidos como matrícula dos filhos ou outro que comprove a residência no município, que tem fronteira seca com Pedro Juan Caballero, Paraguai.

Em Corumbá, que faz divisa com Puerto Quijarro, Bolívia, o esquema será parecido. "o município irá exigir a comprovação, que poderá ser feita pelo próprio cadastro do SUS (consta endereço no sistema); título de eleitor; endereço profissional (militares principalmente); comprovante de endereço (água; luz ou telefone)", informou a prefeitura.


Drive para vacinação contra covid em Corumbá - Foto: Divulgação / Prefeitura de Corumbá

Força-tarefa 

Com o atraso na chegada das doses, os dois principais municípios da fronteira já estão com o esquema de vacinação prontos para serem executados. As duas cidades ampliaram os pontos de imunização e pretendem imunizar cerca de 7 mil pessoas por dia.

Corumbá irá receber cerca de 40 mil doses da vacina de aplicação única e terá 6 pontos de vacinação para atender a população de todas as regiões do município. "Estamos montando uma estrutura com 6 pontos de vacinação, para contemplar todas as regiões da cidade, o objetivo é vacinar pelo menos 7mil pessoas por dia. Só será vacinado quem realmente mora na cidade", detalhou o secretário municipal de saúde de Corumbá, Rogério Leite.

Ponta Porã, que até então conta com 3 locais de imunização, irá dobrar os pontos de vacina, informou o prefeito. "Estamos com as equipes preparadas desde a semana passada já. Tínhamos 3 pontos, mas agora ampliamos para mais 3 pontos de vacinação. No Centro de Convenções, termos 3 carretas atendendo quem chega de carro, de moto e a pé. Vamos trabalhar das 6h à meia-noite, serão 4 turnos com 2 equipes por ponto. A estimativa é imunizar de 7 mil a 8 mil pessoas num dia", explicou Peluffo, completando que a previsão é que toda a população acima de 18 anos seja vacinada de 6 a 10 dias.


Ponta Porã espera vacinar até 8 mil pessoas por dia - Foto: Divulgação

'Cinturão sanitário'

A vacina americana é de aplicação única e será utilizada para estudo epidemiológico conduzido pelo médico infectologista e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Júlio Croda. O estudo será realizado pelo grupo Vebra Covid da Fiocruz (capitaneado por Croda), com apoio da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e das universidades dos Estados Unidos de Stanford, Yale e Miami.

O especialista explicou que  todos acima de 18 anos que ainda não foram vacinados com outros imunizantes receberão dose da Janssen. Os pesquisadores vão monitorar o impacto da vacina em relação a imunidade coletiva e vão comparar os dados com outros 13 municípios similares. Também serão monitoradas a incidência da doenças em crianças e adolescentes, que ainda não podem receber vacina.

A mobilização para que MS recebesse doses extras envolveu grande mobilização política. "Fizemos solicitação para a bancada federal, os senadores de MS foram ontem de manhã ao ministro, governador fez ligações, a ministra Tereza Cristina ligou ao ministro para termos esse fundo de reserva, tivemos apoio do Conass e Conassems. Todos participaram dessa conquista", disse o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende.

Jornal Midiamax