Cotidiano

Com quadro ainda grave, paciente Covid com suspeita de fungo preto tem leve melhora em Corumbá

O caso foi notificado em 3 de junho, um dia após o paciente sentir os primeiros sintomas

Dândara Genelhú Publicado em 09/06/2021, às 19h05

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Foto: Reprodução.

O paciente de 50 anos infectado por coronavírus, segundo caso de suspeita de fungo preto em Mato Grosso do Sul, continua em estado grave. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá informou que ele apresentou “pequena evolução de melhora” nesta quarta-feira (9).

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) notificou o caso em 3 de junho, um dia após o homem ter início dos sintomas de mucormicose. O homem está internado na Santa Casa de Corumbá e recebe tratamento para a doença.

Segundo boletim do Cievs/MS (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde), o homem apresentou sintomas de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em 22 de maio, e testou positivo para Covid-19 no dia 27.

Obeso e hipertenso, ele recebeu as duas doses da vacina contra o novo coronavírus em 20 de janeiro e 5 de fevereiro, respectivamente. Em 7 de junho, o resultado do exame para saber se o paciente Covid-19 está com fungo preto foi inconclusivo. Ou seja, será preciso realizar novas análises, que devem ficar prontas em até 15 dias.

Primeira notificação

O primeiro caso suspeito foi relatado na última segunda-feira (31), quando o Cievs recebeu a informação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande. O paciente era um idoso de 71 anos.

O idoso apresentou os primeiros sintomas da Covid-19 em 9 de maio, mas apenas no dia 18 daquele mês teve diagnóstico positivo para a doença, sendo internado em sequência. No dia 28 de maio, já hospitalizado no Hospital Adventista do Pênfigo, começou a apresentar sintomas do fungo negro no olho esquerdo, tais como hemorragia, lesão e inchaço.

Ele “apresentou suspeita de mucormicose no olho esquerdo com equimose palpebral intensa e lesão necrótica superior poupando a borda, apresentando quemose conjuntival sanguinolenta e úlcera corneana”. Sobre a evolução clínica do paciente, o boletim informou, naquela ocasião, que ele está “instável hemodinamicamente, sem condições para transferência para instituição de maior complexidade”.

Ontem, quarta-feira (2), o paciente faleceu na Capital. O paciente chegou a ter vaga regulada para um outro hospital, mas devido ao estado de saúde, não pôde ser transferido, vindo a óbito antes de apresentar uma melhora.

O que é a doença

Desde o início de maio, médicos na Índia começaram a registrar aumento de casos de mucormicose, que é uma infecção rara, conhecida como fungo preto. Os infectados eram pacientes com coronavírus ou que tinham se recuperado da covid recentemente. Segundo especialistas, isso acontece porque o sistema imunológico foi enfraquecido pelo vírus, ou seja, o paciente tem imunidade baixa.

A SES destaca que a “mucormicose geralmente ocorre em pessoas que têm comorbidades ou utilizam medicamentos que diminuem a capacidade do corpo de combater algumas doenças”. O avanço da doença pode causar sintomas que se iniciam com dor orbital unilateral ou facial súbita, podendo conter obstrução nasal e secreção nasal necrótica.

“Há a possibilidade de ocorrer lesão lítica escura na mucosa nasal ou dorso do nariz, celulite orbitária e facial, febre, ptose palpebral, amaurose, oftalmoplegia, anestesia de córnea, evoluindo em coma e óbito”, informa o comunicado. Quando avançada a doença, o tratamento envolve remover cirurgicamente todos os tecidos mortos e infectados.

“Em alguns pacientes, isso pode resultar em perda da mandíbula superior ou às vezes até mesmo do olho”. Para cura são necessárias de quatro a seis semanas de terapia antifúngica intravenosa. Por afetar várias partes do corpo, “o tratamento requer uma equipe de microbiologistas, especialistas em medicina interna, neurologistas intensivistas, oftalmologistas, dentistas, cirurgiões e outros”.

Jornal Midiamax